quinta-feira, 2 de setembro de 2010

oitavo capítulo

Ele deu-me a mão e entramos em casa.

- Acho que dá única vez que teve cá não 'tava com cabeça prá ver a casa, hoje tá?

- Foram tempos diferentes, tudo mudou, hoje estou, claro. - sorri.

Ele mostrou-me a casa, depois sentou-se comigo no sofá.

- Obrigado por 'tár aqui comigo. É muito importante para mim ter você finalmente a meu lado. - beijei-o e depois refleti.

- Finalmente? O que pretendes dizer com isso.

- Vamos almoçar, te falo isso já, tenho é que tirar a comida senão queima.

A mesa já estava posta, eu sentei-me e ele foi buscar a comida.

- Bem, espero que gostes, não sei fazer muitas coisas, maas, esta é especialidade.

- Tem óptimo aspecto, parabéns, - sorri.

- Agora você quer saber porque eu disse "finalmente", certo? - limitei-me a acenar. - Bem, você provavelmente nunca reparou, até porque estava namorando, e nunca gostou muito de mim, mas eu acabei com a minha namorada na época no dia anterior a te conhecer. E, no momento em que você entrou no restaurante para no aniversário da Mariana, eu fiquei grudado em você mas, eu não insisti nisso, porque você tinha namorado e depois quando terminaram eu percebi, que você necessitava de ficar sozinha um tempo.

- Nem sabes como me estou a sentir culpada agora, - e estava mesmo. - eu não fazia ideia, juro. Mas eu acho que o tempo só me fez bem, quando ele terminou comigo eu pensei que era o fim do mundo, mas eu durante este tempo só amadureci, porque há cinco meses atrás, eu não iria dar valor a um homem como tu, eu não era madura o suficiente para dar valor a um homem que preza muito mais o interior, e não se aproveitar logo da pessoa, porque se tu fosses igual ao comum dos mortais tinhas-te aproximado no meu momento mais frágil. Tiveste lesões e tudo... - beijei-o. - Eu não sei como te agradecer, por tudo o que estás a fazer por mim. - senti uma lágrima a tentar cair, e fiz um esforço para ela não sair.

- Ei, que é isso? - limpou-me a lágrima que caiu. - Não tem que chorar não. Ouve, eu nunca conheci ninguém como você, sua beleza exterior é tão grande como a interior, eu percebi isso logo, eu queria e quero que você seja feliz, se eu te poder fazer feliz, é ouro sobre azul, se você optar por ser feliz sem mim, eu vou estár no seu lado, na mesma. Eu me importo muito com você, não chora, não se sinta culpada, porque eu estou super feliz, por estar comigo nesse momento. Eu te amo, Paula.

Limpei as lágrimas, peguei na mão dele.

- Eu também te amo, David. - esta conversa tinha-me tirado todas as dúvidas que ainda tinha. - Bem, a comida estava óptima disse-lhe. - ele beijou-me e levantou-se, começou a levantar os pratos. - Eu ajudo-te.

- Não, você é minha convidada, senta no sofá que já ter com você.

- Mas não sou uma qualquer pois não? - sorri, e ajudei-o a meter a loiça na máquina.

- Obrigada, gatinha. - amarrou-me por trás e beijou-me no pescoço.

- O Gustavo?

- Está no Algarve para um jogo, pensou que eu o tinha despachado cá de casa para poder ficar sozinho contigo?

- Por momentos, - rimo-nos os dois. - Sabes, domingo vou ver-te a Guimarães...

- Asério? Que bom! - apertou-me ainda mais - Vai aproveitar para ficar em casa de seus pais, é?

- Sim, combinei tudo com a Mariana, e assim vou ao norte e ainda te vejo. - sorri.

- Oh, é super importante para mim que você esteja lá!

- Eu sei, e eu vou tentar estar em todos a partir de agora.

Ele inclinou-se para me beijar e ficamos assim durante bastante tempo, ele guiou-me e voltamos para a sala, ele sentou-me no seu colo e continuou a dar-me beijinhos.

- Fala-me de ti, das tuas raízes.

- Tudo bem, mas depois é você.

- Claro. - disse-lhe.

- Aquelas coisas de onde nasci, onde joguei, você já sabe, então, eu não sei é se você sabe mas eu amo minha família, eu não consigo passar um dia que seja sem falar com eles, meus pais, minha irmã, eles vêm cá às vezes, para matarem um pouco as saudades, e pronto, seeempre que eu tenho férias, de tipo uma semana, eu faço a loucura, e uma surpresa pra eles, porque sei, o que eles vibram com os meus jogos, mesmo estando longe. - ele olhou para mim, dando uma indicação.

- Agora eu? - perguntei, e ele acenou com a cabeça. - Bem, tu também sabes, eu vivi até aos meus 18 anos, numa cidade no norte, agora está a ficar conhecida, mas quando eu era criança pouca gente conhecia. Tive uma infância normal, em casa era super feliz, na escola aconteciam sempre algumas coisas perturbadoras, sabes, por parte das crianças, brincava sozinha muitas vezes. Sempre fui uma das melhores alunas da turma, era a melhor da turma a Matemática, e Geografia, Inglês e História. - sorri e continuei. - Sempre sonhei desde pequena a vir viver para Lisboa, eu acho que a paixão que tinha e continuo a ter pelo Benfica foram uma mais valia. Nunca fui muito de namorar, os rapazes não estavam muito na minha onda, eram muito meus amigos, por vezes, mais do que todas as raparigas, mas até ao 10º ano sempre fui vista assim, uma amiga, que até de futebol falava com eles. Mas não nunca fui maria-rapaz, sempre gostei de me arranjar, mas nunca do tipo de ir com uma super mini-saia e decotes até o umbigo. - sorri - Quanto à família, éramos e continuamos normais, claro que haviam sempre as discussões de casais, mas nada que me afectasse a mim e à minha irmã. Ainda tenho a minha avó paterna, e a família da parte da minha mãe é enorme, somos 50 primos, sendo que 30 já são filhos dos primos, alguns vivem em Corroios e na Charneca.

Ficámos assim a contar mais sobre nós durante algum tempo, depois o David pediu pizzas e pouco depois do jantar eu fui para a minha casa, ele insistiu muito, mas amanhã tinha que se levantar cedo, eu ia aproveitar a manhã para descansar.

Paula

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