domingo, 29 de maio de 2011

centésimo vigésimo oitavo capítulo [128º] ♥



DOMINGO: 12 de Junho de 2011


Acordei super cansada e com uma má sensação, decidi então levantar-me e tomar um duche, e assim o fiz.
Depois, vesti uma roupa bonita e fresca, porque os dias estavam a ficar mais quentes, e decidi tomar o pequeno-almoço a uma esplanada madrilena. 



Antes de passar pela esplanada comprei uma revista, que só ia ler quando estivesse a tomar qualquer coisa, por isso dobrei-a e guardei-a na bolsa.

Pedi um sumo natural de manga e uma torrada, e aí retirei a minha revista para a ler, a capa era super normal, revistas cor-de-rosa habituais, que nestes momentos de tédio, não me pareciam assim tão inútil.
O pior foi depois, a meio da revista havia uma notícia do David… (e pois claro) da nova namorada…



DAVID LUIZ REENCONTROU O CONFORTO E O AMOR NOS BRAÇOS DA SUA (EX, AGORA ACTUAL) NAMORADA

Parece que o central do Chelsea FC, o brasileiro, David Luiz reencontrou o amor numa brasileira, Juliana.
Depois do tão badalado romance e casamento com a psicóloga e modelo portuguesa, Paula Silva, que esta grávida dele mesmo, David reencontrou a sua ex-namorada, que agora é a actual, e largou tudo, até a sua mulher, para voltarem para os braços de Juliana Chamareli.
Ontem mesmo, os dois foram vistos a saírem juntos para um jantar, que ao que a Hola! pode comprovar, foi super romântico e cheio de surpresas.                              
Ainda assim, e apesar do grande sorriso de Juliana perante as câmaras, David protegeu-a ao máximo fazendo com que ela se escondesse no seu peito, caminhando assim até entrarem no restaurante e saírem dele.
Juliana, uma baiana de sangue, que namorou muitos anos com David quando ele ainda jogava no Vitória da Bahia é uma mulher de 24 anos, muito bonita e com um excelente corpo, como aliás, as brasileiras já nos habituaram, mas ontem, estava extremamente elegante e sensual.

"

As lágrimas vieram-me aos olhos, mas fechei-os fortemente várias vezes para que não vacila-se. Acabei de tomar o pequeno-almoço e depois de pagar decidi dar uma volta pela Plaza Mayor.
Esta estava tão barulhenta e eu precisava tanto de conversar com uma amiga que decidi ligar à Adriana.

Adriana era uma rapariga que tinha conhecido desde que tinha regressado a Portugal, estava na Univerdade Complutense de Madrid no curso de Design de Interiores e Ambientes, e foi ela que me ajudou a decorar o meu apartamento.
Nos últimos tempos tínhamos criado uma grande amizade e ela era uma das pessoas mais bonitas que tinha conhecido, tanto por dentro, como por fora.


- Estou, amor? – ela atendeu ao primeiro toque

- Ai Adriana! Viste as notícias? – disse já com os olhos rasos e fui para o carro para ninguém me ver chorar

- Não, amor! Qual revista?

- Hola!...

- Amor, onde estás? Vou ter contigo! – ela disse depois de ler o artigo online

- Estás sem carro…

- Eu arranjo maneira, fazemos um programinha só as duas!

- Então eu vou buscar-te…

- Estás bem para isso?

- Estou, amor… Tu não estás com o Tiago?

- Nop! O Tiago está a trabalhar…

- Pronto, eu estou na Plaza Mayor, com o trânsito e tudo, devo demorar um bocadinho…

- Na boa, quando chegares ou se precisares de algo a meio do caminho, liga-me!

- Sim, amor… Obrigada…!

- Shiu, estou aqui para tudo, amor!

- Eu sei, amo-te muito! Até já! – desliguei a chamada


Conduzi até casa dela, e depois de ela ter descido, bonita e arranjada como sempre, decidimos passar a tarde às compras, um belo programa de mulheres, para me animar um pouco (e podem ter a certeza que funcionou comigo).


**

O pior era sempre quando voltava a casa, as lágrimas não saiam da minha face e adormecia mesmo assim, coberta com os meus lençóis, tentando que eles me abafassem o choro desesperado.




Paula 
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terça-feira, 17 de maio de 2011

centésimo vigésimo sétimo capítulo [127º]

SEXTA-FEIRA: 6 de Maio de 2011

Os dias estavam a passar como anos… Demorava imenso para adormecer  e, aquele meu sorriso espontâneo, que já era hábito meu, não vinha desde que saí de Londres…
Chorava muito de noite, amarrada à minha barriga, tinha dois meses e hoje uma das muitas coisas que ia fazer era o exame de determinação do teste fetal.


QUARTA-FEIRA: 11 de Maio de 2011

Descobri hoje que no meu ventre transporto uma menina, tal como queria.
Chorei de alegria quando cheguei a casa, tinha vontade de ligar ao David, ouvir a voz dele… Mas estava a caminhar em frente, e nos dois passos que já tinha dado, se o ouvisse, daria quatro para trás, era pior que uma recaída.
Odiava-me por tão fraca que era, mas também o odiava a ele, por me fazer sofrer desta maneira.


SÁBADO: 11 de Junho de 2011

Passaram quase dois meses desde que saí de Londres e rumei a Madrid. Estava cansada e o meu rosto só ficava apresentável se eu usasse muita maquilhagem. A minha barriguinha já estava maior.

Acordei com o telemóvel a tocar, olhei no visor e vi “Marco”. Premi a tecla verde e atendi.

- Alô!

- Bom dia! Que energia é essa toda?

- Bom dia? São 17h horas, Paulinha! – ele riu-se – Levanta-te, come e veste-te porque vens jantar comigo… Jantar de Gala!

- Por alma de que santo?

- Por alma de que és a gerente do Hotel… - ele riu-se – Vá lá… Tens que te distrair…

- A que horas passas cá?

- Hum… Sete e meia está bom para ti?

- Óptimo! Vou arranjar, beijo!


Desliguei a chamada, levantei-me num salto da cama e depois de tomar banho e de comer uma sandes de fiambre e manteiga, comecei a arranjar-me. Foi difícil ao início, porque tudo o que vestia me ficava mal, não me sentia bem e para além disso não sabia bem de que género de roupa as outras pessoas iam vestidas.


“Marco, é um jantar tipo quê?” – decidi mandar-lhe sms.

“Gala mesmo, bb. (:”

“Obrigada :b até já!”


Peguei num vestido lindo, que tinha no armário e que estava por estrear e preparei-me, como tinha cor marcante, vermelho, a maquilhagem e o cabelo que escolhi foram mais neutros e simples.




 O Marco chegou entretanto e eu fui ter com ele à limusina que nos ia levar.


- Estás linda! – disse assim que eu entrei dando-me um beijo na bochecha

- Não estou muito… “coisa” demais?

- Nada disso, perfeita!

- Espero que estejas a ser sincero!

- Sempre fui contigo! – ele fez o sorriso lindo e eu descontraí


O jantar foi calmo e agradável, deu para descontrair um pouco do sofrimento dos últimos dias.

*

Voltei para casa e pensei em tudo o que alterara na minha vida depois que fui viver para Lisboa, conheci as pessoas que mudaram a minha vida, em todos os aspectos…!


**
LEMBRANÇA: 24 de Novembro de 2007

Acordei preguiçosa, mas sabia que tinha de estudar, e tinha combinado com o Marco ir até casa dele. Levantei-me, tomei um banho quentinho e vesti uma roupa normal e confortável.



- Mariana, vou a casa do Marco… - disse assim que desci as escadas e ela já estudava

- Na boa, amor… Divirtam-se! – ela riu-se

- Vais ficar sozinha?

- Não, vou tratar de um projecto da faculdade…

- Pronto, então vou indo mesmo que o metro não espera por ninguém! – ri-me, beijei-a na face e saí


Corri para apanhar o metro que me levou até uma estação de autocarros para ir para a casa dele.
Toquei à campainha e o mordomo dele veio buscar-me ao portão, fazendo-me companhia pelos jardins até casa.


- O menino Marco está no quarto, pode subir… - sorriu amavelmente

- Muito obrigada! – sorri também e subi, batendo à porta do quarto dele

- Sim…

- Sou eu, amor! – disse assim que abri a porta e me aproximei dele para o beijar

- Oi… - fez um sorriso lindo e beijou-me – Como estás? – acariciou-me

- Bem e tu? – sentei-me no colo dele

- Também, amor… Está a chover e frio?

- Muito frio e muita chuva!

- Estamos sozinhos em casa… Dispensei os empregados para depois da tua chegada…

- E pensas que vamos fazer o quê? Eu vim aqui para estudar, tarado! – ri-me

- Penso que vais tirar as botas, o casaco…

- Marco!

- E eu vou dar-te umas pantufas… Aqui não tens frio!

- Acho bem, amor! – ri-me

- Anda… Hoje o dia é nosso… Estudamos na sala em frente à lareira, eu faço o almoço para nós… - beijou-me

- É, Marquito? E hoje é o dia de alguma coisa especial?

- É mais um dia que sou feliz… Acho que só por isso é especial!

- Oh, és tão lindo, amor! – enchi-o de beijinhos enquanto descíamos as escadas


Acabámos por passar o dia todo assim, em frente à lareira, sentados no sofá e com muita comida à volta. Os intervalos para namorar eram super frequentes e há muito tempo que não me sabia tão bem uma tarde de Inverno em Lisboa.

Paula 
Todos os direitos reservados ªª





terça-feira, 10 de maio de 2011

uma pausa (pequena), assim espero

A fic vai ter que ter uma pausa, pelo menos de uma semana...

Há muitos testes pelo caminho e uma coisa muito pessoal que não me deixa capacidade emocional para escrever. Há uma coisa mais importante para lutar.



Espero que não vos desiludida, espero voltar rápido,
Obrigada por todo o apoio que me têm dado,
Beijinhos, Paula 

segunda-feira, 2 de maio de 2011

centésimo vigésimo sexto capítulo [126º]

- Claro! Sabes perfeitamente que sempre fui do Vermelhão! – disse o Marco

- Pois sei – sorri

- Como andas, largaste o teu marido para vir ver o Benfica?

- Quase ex-marido… - disse e ele mostrou uma expressão confusa – É complicado…

- Estás bem?

- Tenho de estar! Vou amanhã para Madrid… Arranjar emprego e fixar lá a minha vida. – sorri

- Ainda não tens trabalho lá?

- Não…

- Tens preferência na área?

- Trabalho… Desde que seja trabalho…

- Então não procures mais…

- Como assim?

- Os meus pais estão no Hotel em Milão, eu aqui no de Lisboa… E andávamos à procura de uma gerente para o Madrid, de confiança… Parece que encontramos…

- Não… Não posso aceitar… Nem sequer percebo nada disso…

- Claro que podes, amanhã eu ia lá e ia, por isso vamos e eu explico-te tudo o que há para explicar e apresento-te aos funcionários, para além disso falas muito bem espanhol…

- Oh… - disse com enorme vontade de aceitar

- Aceitas e acabou! Continuas com o mesmo número?

- Sim… - sorri

- Então eu amanhã ligo-te, vais no primeiro voo?

- Vou, e tu?

- Eu também, então vemo-nos lá! Até amanhã! – deu-me dois beijinhos e seguiu para o seu camarote.



Segui para o meu e vi o jogo atentamente, apesar da vitória o resultado não era nada favorável para o Benfica, pois um golo sofrido em casa, é do pior que pode acontecer…


**


QUINTA-FEIRA: 28 de Abril de 2011

Vesti uma roupa normal e despedi-me da Mariana, do Rúben e da minha afilhada.



Fui de táxi até ao aeroporto e encontrei o Marco já no avião.
Ele foi super querido e explicou-me tudo o que havia para eu saber e sentia-me à vontade naquele local, mesmo sabendo que ele tinha sido o meu ex-namorado, me tinha deixado, sempre soube que me amava, e se eu na altura também o amava, não deveria ter sentido a raiva e a revolta, se o amava, tinha de o deixar seguir o seu sonho. Por isso não sei se o amei, sei que comparado com o amor que sinto pelo David, o Marco foi simplesmente um amigo especial, porque o David é e sempre será, sem dúvida alguma, o homem da minha vida…

Instalei-me num apartamento que era providenciado pelo Hotel, ou ficava com a suite presidencial ou com um apartamento T2, no centro de Madrid, perto do Hotel, e preferi o apartamento, porque preciso de ter o meu espaço.

**


SEXTA-FEIRA: 29 de Abril de 2011

Levantei-me, e reparei que não tinha muito tempo para me arranjar, por isso tomei um banho, vesti uma roupa, que agora com este emprego era mais formal, arranjei o cabelo e maquilhei-me.







Não havia tempo para tomar o pequeno-almoço, chamei um táxi e fui ao Hotel.


- Bom dia! Será que me podem levar um capuccino ao meu gabinete? – perguntei àquela que seria a minha assistente

- Claro, Dr.ª Paula…

- Só Paula… - sorri

- Obrigada, o Dr. Marco não podia ter encontrado melhor…

- Eu é que agradeço… Bem, tenho que ir, estou com trabalho a mais! – ri-me e corri para o escritório

*
 Cheguei a casa depois de um dia de trabalho, que apesar de ser o primeiro, estava a adaptar-me super bem.
Vesti um pijama confortável e fiz um macarrão de atum, que comi enquanto via uma série espanhola que dava na televisão.

Tinha sono, mas sabia que não ia conseguir dormir, ainda assim, deitei-me, completamente aninhada, mexendo na minha barriga, no meu bebé, que era a única coisa que eu tinha como meu, neste momento, e ainda assim tinha que partilhar.

Sempre tivera medo da solidão… Sempre a temi, e já passei por ela várias vezes, mas desta vez era pior… 

Tinha tudo como garantido… Um marido que amava mais do que tudo, uma vida estabilizada que fazia o que mais gostava, vivíamos num recanto confortável, mas até podíamos viver numa cabana, porque era feliz à mesma. Depois do acidente e do afastamento voltei a engravidar, pensei que agora íamos ser muito felizes, e fui…

A verdade é que nunca fui tão feliz como fui desde que conheci o David… Nunca me senti tão amada, mimada, desejada… Ele fazia com que a minha baixa auto-estima desaparece… Fazia-me sentir a mulher mais sortuda por ter um homem que me amasse como ele, mas não seria tudo isso ilusão? Depois do que me aconteceu teria ainda motivos para acreditar que fui assim tão amada? Tão desejada?

Não tinha resposta para nenhuma dessas perguntas, aliás, não tinha resposta para nenhuma pergunta que me pudesse surgir.

Deixei-me adormecer passado umas horas, mais uma noite em que adormecia morta de cansaço, e com lágrimas a surgirem-me no meu rosto, lágrimas essas, que teimavam em não desaparecer, e já estava a começar a desesperar.



Paula 
Todos os direitos reservados ªª