sábado, 23 de julho de 2011

centésimo trigésimo quarto capítulo [134º] ♥




Acordei passadas umas horas e um pouco confusa, tinha-me fartado de sonhar, mas não me recordava de nada.
Ouvi um barulho vindo de fora, e um cheiro que me trazia memórias percorreu-me nas narinas,  ele devia estar a cozinhar.
Levantei-me e tirei a roupa, tinha dormido com o vestido, e vesti um pijama bem quentinho.
                         

Sai do quarto e fui até à cozinha, onde lá estava ele, agora sem o hoddie e com a t-shirt a cozinhar para mim. Identifiquei logo a comida que ele estava a preparar, macarrão com atum, um dos primeiros pratos que ele preparou para mim, no Inverno gelado de Lisboa.


- Hum, Boa Noite… - disse ainda embalada no sono

- Boa Noite, dorminhoca… - ele virou-se e sorriu – Dormiu bem, pequenina?

- Dormi, Vi… - beijei-o nos lábios – Foi muita seca sem mim?

- Não… Tive vendo televisão… E seus pais ligaram a dizé que iam comé nos seus tios e vêm tarde, então fui preparando a comida…

- Oh, não precisavas… - disse sem jeito

- Claro que precisava… Amô, me dá as taças para a massa? Já mexi bastante…

- Podes mexer… Mas estão aqui! – ela meteu-as na banca e ele encheu de massa

- Coloquei as coisas na sala, assim tá a lareira e tá mais confortável…

- Obrigada… - disse sincera e olhei-o nos olhos

- De nada, meu amô… - ele esboçou um sorriso lindo e beijou-me na testa – Vem… - ele deu-me a mão e sentámo-nos a comer no sofá


O serão foi agradável, tenho de admitir, o David foi super querido e não deixou que em algum momento me lembra-se da minha avó e ficasse mais triste.

**

- Hum, amô… Amô… - ouvi o David, mas a sua voz parecia distante

- Hum…

- Acorda só um pouquinho…

- Para quê?

- Para se deitá, que eu tenho que ir embora… Seus pais já chegaram…

- Fica comigo, Vi… Fica… - pedi inconsciente

- Hã?

- Dorme comigo… Deita-me na cama e não me deixes…

- Cê qué?

- Quero! Muito, Vi…


Senti-o pegar em mim, deitou-me na cama e lembro que pedi para que ele me abraçasse… Adormeci rapidamente e muito quentinha, nos braços do homem que amava, mesmo depois de ter sido trocada.



Paula 
Todos os direitos reservados ®


(meninas, não se esqueçam de seguir o blog, assim que atingir 100 seguidores, irei escolher aleatoriamente, pelo random, um miminho! :b )

quinta-feira, 14 de julho de 2011

centésimo trigésimo terceiro capítulo [133º] ♥


- Boa noite… - um médico veio ter connosco

- Boa noite, doutor… Novidades sobre o estado médico da minha mãe? – disse o meu tio nervoso levantando-se

- Lamento imenso… Ela não conseguiu resistir…


Foram apenas precisas essas palavras para nos deixar todos mais em baixo ainda. Eu, acompanhada com os meus primos, sentamo-nos no chão a chorar, enquanto o meu pai e os irmãos estavam de pé, abraçados e conformados.

**
QUARTA-FEIRA: 10 de Fevereiro de 2012

Era o dia do funeral, a última despedida.
Esta muito frio e o céu indicava que ia começar a chover torrencialmente. Não comia desde que cheguei de Madrid, não conseguia. Tomei um duche quando me levantei e vesti uma roupa quente e de luto, obviamente.




**

Chegámos à aldeia onde iria ser a missa de despedida e depois o funeral. Estava um “frio de rachar” e o ambiente estava tão mau que eu não aguentei e saí para chorar cá fora à vontade, e assim o fiz.
Uma mão quente pousou-se no meu ombro e senti um respirar calmo junto ao meu ouvido. O meu coração disparou a mil e voltei-me para ver quem era.
Era ele, o homem da minha vida.


- David… - disse com os olhos rasos de lágrimas

- Shiu… Vem cá, muleca… - ele abraçou-me e eu chorei como uma bebé

- Vieste, David… Vieste…

- Claro que vim… Tenho que cuidá da minha vida… E minha vida é você… Eu te amo, Paula…

- E eu a ti… Apesar de tudo!

- Agora vamos cuidá de você… Quer ir lá dentro ou prefere ficá aqui?

- Eu já me despedi dela… Não consigo entrar mais…

- Então ficamos aqui a cuidá de você… - ele apertou-me mais para ele e eu tremi durante o soluçar

- Está com frio?

- Não… - sorri levemente


Na verdade tinha estremecido pela proximidade dos nossos corpos. Apesar de tudo, era ele quem eu amava, era aquele homem que sempre apareceu nos meus sonhos, e aquela proximidade novamente,  deixava-me nervosa.


- Mas tremeu… - ele disse calmamente

- Já passou… - voltei a sorrir e amarrei-me mais a ele

- Vai ficá tudo bem, amô…  Eu vou te apoiá sempre…

- Não imaginas como tem sido difícil sem ti… - disse com os meus olhos rasos de lágrimas

- Nós te… - ele foi interrompido

- Paulinha… Vamos para o cemitério, vens? – disse uma senhora da aldeia

- Vou sim! Eu vou já! – ela voltou a entrar pela igreja, eles saíam pela porta de trás – Vens, Vi?

- Vou… - ele sorriu levemente e juntou-me a ele

**

Caminhámos abraçados até ao cemitério, sob o olhar de toda a gente que ficou surpresa por vê-lo ali (ele só tinha ido uma vez àquela aldeia),  depois de tudo e além disso, ver-me “bem” com ele, novamente.

O funeral e o ambiente no cemitério tornou-se um dos momentos mais dolorosos da minha vida, ali não estava só eu a sofrer, estavam também pessoas que eu amava, a minha família.

**

- David… - disse baixinho e ele veio ter comigo – Vou ficar aqui um dia, e só depois é que vou para Madrid para a nossa filha…

- Eu fico no hotel e depois vou para Madrid com você…

- E o Chelsea? – perguntei

- Tenho jogo no domingo, só preciso de ir lá sábado à noite, já falei com o mister…

- Obrigada, David… Obrigada… - abracei-o e chorei durante algum tempo, enquanto ele balançava o corpo para me acalmar

- Não vás para o hotel… Fica em casa dos meus pais…

- Depois de tudo o que eu fiz a você eles não iam gostá da minha visita, Pauwinha…

- Eles sabem que eu preciso de ti, comigo… Fica, por favor… - os meus lábios acabaram por formar um beicinho perfeito enquanto os meus olhos estavam completamente cheios de lágrimas

- Fico, não chora… - ele beijou-me nas pálpebras – Quer que eu te leve a casa? Precisa descansá um pouco… - acariciou-me

- Sim… Os meus pais só vão lá mesmo de noite…

- Então se despede das pessoas que eu tenho um carro alugado e te levo…

- Venho já, amor… - beijei-o no canto da boca e fui despedir-me das pessoas, regressando rapidamente – Aqui estou eu! -  sorri

- Vamo, princesa?

- Vamos…


Entramos num carro óptimo, que nem parecia ser alugado e depois de colocar o cinto e de ele arrancar rumo à casa dos meus pais, senti a mão dele na minha perna. Acariciei-a primeiro e depois uni-a à minha.


- Que saudadji… - ele disse suspirando

- Eu também tinha muitas… - tirei o cinto e fiquei amarradinha a ele, pelo seu braço direito

- Vai come algo e dormi, amô…

- Não me deixas, David? Não vais embora? – perguntei cheia de medo, que ele fizesse a mesma coisa que já fez no passado

- Não te deixo nem vou embora… Só no sábado que vou para Madri…

- Desculpa ter deixado a nossa filha em Madrid… - disse pois prometi que não a ia largar um segundo

- Deixou com gentji de confiança, certo? Então não pede desculpa, bobinha! – ele deu-me um beijinho na testa

**

Chegámos a casa rapidamente, ele aqueceu-me arroz de pato que os meus pais tinham no forno e “obrigou-me” a comer tudo o que estava no prato.
Pela primeira vez depois de ele ter partido e mesmo a minha avó ter partido mesmo agora, sentia-me segura, confortável… Mas o medo de ser deixada e de o passado voltar invadia-me, e isso não podia negar.


Paula 
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domingo, 10 de julho de 2011

centésimo trigésimo segundo capítulo [132º] ♥



QUARTA-FEIRA: 8 de Fevereiro de 2012

Acordei cedo com o choro da minha pequenina, levantei-me e depois de lhe mudar a fralda e lhe dar de mamar, voltou a adormecer como um anjinho.
Como não ia conseguir adormecer novamente e estava cheia de fome, fui até à cozinha e comi uma fatia de bolo de laranja acompanhada com um sumo de laranja natural.

I hope you're feeling happy now/ I see you feel no pain at all it seems/ I wonder what you're doin' now/ I wonder if you think of me at all/ Do you still play the same moves now/ or are those special moods/ for someone else/ I hope you're feeling happy now

O meu telemóvel tocou e eu apressei-me a atender. O visor indicou-me que era o meu pai, e apesar de ser estranho ligar-me tão cedo, atendi super animada.


- Papii! Que saudades! – disse super energética

- Bom dia, nós também temos muitas saudades vossas… - a voz dele estava rouca e falhou

- Que se passou? – disse rapidamente e num tom super preocupado

- Tem calma, sim? Eu só liguei porque a tua irmã insistiu…

- Pai, podes dizer-me o que se passou?

- A tua avó…

- O que é que aconteceu à ‘vó, pai? – disse já com lágrimas nos olhos

- Ela sentiu-se mal, está no hospital…

- Os médicos já disseram alguma coisa?

- Diagnosticaram-lhe cancro no fígado super avançado…

- Não… - o caí no chão e solucei

- Decerto é melhor não vires, por causa da menina…

- Não! Eu vou! Eu vou! Pai…Ela está onde?

- No distrital…

- Em duas, três horas estou aí! – disse rapidamente – Calma, pai… Amo-te muito!

- Eu também… Tem cuidado na viagem…

- Tenho sempre… - desliguei a chamada


Não tive tempo de parar e começar a chorar, não tive tempo de pensar em nada. Só tive tempo de ligar à minha agente que me marcou viagem dali a uma hora para o Porto. E agora, com quem é que a minha menina ficava? Só me veio à cabeça o nome de Adriana, a minha melhor amiga, que vivia a 5 minutos da minha casa. Marquei o número dela, e os 30 segundos que ela demorou a atender, pareceram-me uma eternidade.


- Amor?

- Oioi, amorzão! – ela disse super bem disposta

- Preciso de um favor teu…

- Diz-me, meu amor!

- Tenho de ir para Portugal, amor… A minha avó está no hospital… Ficas-me uns dias com a Yas? Eu tenho leite do meu, preparo-te a roupinha… Deixo-te tudo pronto…

- Claro, amor! E vais sozinha?

- Vou, amor… A minha família está lá toda…

- Estou aí em 5 minutos para pegar na menina e te levar ao aeroporto…

- Não precisas de me levar, amor…

- Claro que preciso! És a minha melhor amiga! Nunca irias sozinha! 5 minutos!

- Obrigada, amor! Amo-te muito!

- Shiiiiu, eu também, princesinha! – desliguei a chamada


Fui até ao quarto, beijei a minha filha e fiz a mala dela, com tudo o que era necessário. Depois, peguei numa mala e coloquei roupa e as minhas coisas, não para muito tempo, poderia voltar para vir buscar mais coisas, dependendo do tempo, mas tinha a minha filha e não podia ficar longe durante muitos dias. Vesti uma roupa super simples e apanhei o cabelo.



Ouvi a campainha tocar, abri a porta e lá estava ela… Abraçou-me e durante aquele tempo chorei tudo que engoli depois do telefonema do meu pai. Com ela, apesar de tudo, sentia-me bem, segura, e sei que nunca me deixaria cair, por mais voltas que a vida desse.


- Bem, vamos lá que isto não é vida! – ri-me levemente e limpei as lágrimas

- Vou cuidar da tua filha, melhor que ninguém!

- Oh, isso não duvido, pequenina! – beijei-a na bochecha e fui ao quarto onde ela dormia, beijei muito a pequenina e dei muitos miminhos, colocando-a no ovo – Prontinha para ir à casa da tia Drica!

- Bem, Adriana, se faz favor! Drica é que não! – resmungou

- Shiu, óh! Eu é que sei! Respeitinho!

- Vou pensar se to dou! – riu-se

- Bem! – impinei o nariz e peguei na minha mala – Estou pronta!

- Vamos, amor!


E assim foi, ela levou-me ao aeroporto e o mais doloroso foi mesmo a despedida da minha Yasmin.
Assim que aterrei em Portugal, tinha o Pedro à minha espera, que me deu um abraço reconfortante e me deu muita força.
A chegada ao Hospital foi das piores entradas num edifício da minha vida. Era a parte dos cuidados intensivos, tudo chorava e finalmente vi a minha família ao fundo, estavam lá todos: os meus pais, a minha irmã e o marido, os meus tios, os meus primos, os meus tios-avós e também alguns vizinhos da minha avô, que viviam na aldeia onde ela estava.
As lágrimas corriam-me pelo rosto, e assim que pude, abracei o meu pai fortemente, abafando o choro desesperado no ombro dele.


- Eu quero vê-la, pai… - solucei

- Já ninguém a pode ver, Paulinha… Só os filhos puderam, e está nas últimas…

- Não, pai! Não podem atirar a toalha ao chão!

- Temos que esperar, mas temos de esperar o pior…

- Ai… - voltei ao meu choro desesperado

- A bebé?

- Ficou com a Adriana, pai…

- Ao menos está em boas mãos…


E assim foi, ficámos cerca de 3 horas sem nenhuma notícia, num choro desesperado, mas com a esperança que caracterizava a minha família. Só nos restava esperar e rezar e unir-nos.


Paula 
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sexta-feira, 1 de julho de 2011

centésimo trigésimo primeiro capítulo [131º]


SEGUNDA-FEIRA: 19 de Dezembro de 2011

Acordei depois da hora de almoço com uma dor de cabeça, levantei-me devagarinho e fui tomar um banho. Hoje tinha uma entrevista para a VOGUE britânica, os dois dias seguintes eram destinados à sessão fotográfica, cujas fotos iriam acompanhar a entrevista.
O banho foi relaxante e depois disso vesti uma roupa super quentinha, pois para além de estar um dia gelado, estava também muita neve.



***

Correu tudo lindamente, e como previ que ia estar cansada o resto dos dias deixei que o David ficasse com a Yas, mas também porque tudo o que eu menos queria era dar novamente de “caras” com ele.

***

QUARTA-FEIRA: 21 de Dezembro de 2011

Saí da sessão fotográfica já muito tarde, mas como no carro da minha agente já tinha as malas e faltavam 4 horas para o voo, decidi ir logo buscar a minha pequenina linda.

“Prepara a menina que daqui a pouco passo aí para a ir buscar.”

“Ok, só vou vestir ela, toca na campainha…”

“Tudo bem.”


Assim o fiz, mal o carro parou em frente à casa, que outrora também fora minha, toquei à campainha.


- Entra! – David abriu a porta sorridente

- Obrigada… - entrei


Tudo na casa estava igual desde que eu a deixei, não encontrei um único apontamento diferente. As memórias vieram rapidamente, todas misturadas e as boas recordações que aquela casa me trazia, todas as juras de amor, todos os sorrisos, as gargalhadas e os olhares cúmplices.


- Vou buscá ela lá acima, esteja à vontade! – a voz do David interrompeu-me o pensamento e esperei de pé, exactamente no mesmo lugar, junto à porta, mas esta já fechada – Aqui está nossa princesa… - ele estava com um sorriso radiante


Assim que ele me deu a bebé para os braços olhei e apertei-a para mim, estava a morrer de saudades.


- Oh coisa boa da mamã, oh minha pequenina linda! – enchi-a de beijinhos e ela riu-se muito – Sabe bem, é, bichinha?

- Ela estava cheia de saudadji sua… - David olhava-nos

- Também eu dela… Nós vamos indo, David… Dá-lhe um beijinho e vamos…


Ele deu-lhe um beijinho.


- Adeus, David… - abri a porta para sair

- Bom Natal, Pauwinha…

- Igualmente… - saí

***

O Natal foi passado no norte do país com a minha família, deu para matar saudades dos meus pais, dos meus tios, primos, da minha irmã, do meu afilhadinho, e para toda a família conhecer a minha Yasmin.

***

SÁBADO:  31 de Dezembro de 2011

Último dia de um ano completamente louco! O Marco fez uma festa calminha em casa dele e eu decidi ir mais a Yasmin, o ambiente era muito familiar e queria que ela se habitua-se a precisamente isso…
Vesti um vestido lindo e deixei o meu cabelo um pouco mais liso do que o costume.



Conduzi para casa dele, e as últimas horas da noite foram bem divertidas.
A certa altura o telemóvel deu bip de mensagem e eu abri-a assim que o alcancei.

“Bom ano novo, meu anjo… Te desejo tudo de bom e muita felicidade. Beijo, Vi”

Respondi friamente.

“Para ti também. Paula”

Voltei para a festa onde aproveitei muito e mimei também a minha bebé linda.

**

O David não parou de mandar mensagens, mas depois de tudo o que ele me fez, tornara-me difícil, não só para ele, para todos os rapazes.
Passaram-se dois meses e na minha vida estava exactamente igual, menos a Yas que estava maiorzinha…




Paula 
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