domingo, 19 de junho de 2011

centésimo trigésimo capítulo [130º]


- O que é que estás a fazer no meu camarim? Importas-te de sair? Preciso de me vestir, David!

- Calma, mó… Só tava aqui com nossa filha linda… É igual a você…

- David, em primeiro lugar não me chamas isso, em segundo sai daqui! Vá, que eu tenho que me vestir…

- Não me fala assim, Pauwinha…

- Queres que fale como? És o maior cabrão que eu conheço, David! O homem que mais me magoou! A pessoa que mais me desiludiu…! Eu, eu… Eu…

- Cê me odeia, não é?

- Não! O problema é que eu tenho nojo de mim por não te odiar!

- Oh amó… - ele estava com os olhos rasos

- Vai chamar amor à outra, David! Tu deixa-me em paz! Sai daqui, tenho que me vestir!

- A Juliana e eu não temos mais nada…

- Não quero saber! Sai! – gritei e a pequenina começou a chorar – Merda! Sai, David, por favor! – peguei na minha filha e aconcheguei nos meus braços – Depois digo-te para veres a bebé…

- Está bom… Posso dar um beijinho nela? – ele pediu com os olhos rasos


Eu amava o David, queria-o muito e queria esquecer tudo o que passei e voltar para ele, mas foi como uma traição… E deixou-me só com a bebé na barriga… Que tipo de homem faz isso à mulher que gosta? Nenhum, e talvez por isso é que duvido do seu amor por mim… Duvido daquelas palavras carinhosas e românticas a que ele me habituou.
Mas vê-lo assim, fazia-me lembrar do meu David… Do David que fazia com que a minha vida era um conto de fadas e ver o meu David com os olhos rasos fazia-me vacilar, partia-me mais um pouco o coração, em mais um bocadinho pequenino dos que já se tinham partido antes, vezes sem conta.


- Podes, vem cá… - sorri e olhei para a minha bebé – Diz olá ao papá, Yas, diz… - dei-lhe uma carícia na testa, e ela assim que sentiu o toque de David soltou um riso quase perfeito – Parece que gostou do papá…

- É tô vendo que sim… - uma lágrima caiu-lhe pelo rosto e ele parecia que nem notou

- Podes passar esta noite com ela… - enxuguei-lhe as lágrimas

- Desculpa não notei disso, não… - riu-se timidamente – Cê vai ficá cá?

- Só três noites e depois volto para Madrid!

- Hum, posso ficá mesmo com ela esta noite?

- Podes, podes passar com ela mais tempo, até… Se quiseres enquanto eu estou nas sessões fotográficas e nas entrevistas… Só, por favor, não quero a Juliana a pegar nela…

- Já te falei que a Juliana e eu não temos mais nada, não…

- Não? – ergui a sobrencelha

- Não… Eu amo você, e eu sei que a realidade veio tarde, mas eu sempre soube… O antigo e verdadeiro Davi’ está de volta…

- Pena que o antigo David tenha que encarar uma nova realidade…

- Eu sei… - ele baixou a cabeça – Cê está perfeita, sua actuação foi maravilhosa…

- Obrigada… - sorri timidamente – Importas-te de sair, tenho que me vestir para a se receber algum prémio…

- Claro que não…

- David? – chamei quando ele ia a sair

- Sim…

- Estás lindo, esta noite… - disse corada

- Cê que tá gata, até já… - esboçou um, sorriso maravilhoso

- Até já… - sorri e comecei imediatamente a vestir-me


O cabelo manteve-se e na maquilhagem apenas removi o batom vermelhão e coloquei um mais nude, para não fazer “competição” com o vestido.


- Vais lá para dentro ou ficas com a Yas?

- Ela tem ama, aqui?

- Sim…

- Então vou lá para dentro te vé…

- Vamos… - a ama rapidamente voltou para dentro do meu camarim e nós fomos para os nossos lugares, que eram relativamente perto um do outro


Acabei por ganhar um prémio de melhor artista ao vivo, dediquei-o inteiramente aos meus fãs e à minha bebé linda.
Voltei para o camarim depois de tirar as fotos com o prémio e rapidamente troquei de roupa para a minha actuação que era a última do espectáculo.


Os aplausos foram super entusiastas, a minha espinha tremeu toda e os meus olhos encheram-se de lágrimas. Voltei para o camarim, estive com o David um segundo para lhe entregar a bebé e coloquei-me num táxi para ir para o Hotel, o meu corpo reclamava muito cansaço…





Paula 
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sexta-feira, 10 de junho de 2011

centésimo vigésimo nono capítulo [129º] ♥




QUINTA-FEIRA: 8 de Dezembro de 2011


Os últimos 6 meses foram os mais difíceis da minha vida. O David oficializou a relação com a Juliana aos fãs e a Mariana foi com eles, foi a maior facada que pudera fazer.
A Adriana tinha-se tornado a melhor amiga do Mundo e não me largou nem um segundo que fosse.
Os meus fãs tiveram sempre comigo! O que fez com que as sessões fotográficas e até os concertos não parassem, e por falta de tempo, larguei o Hotel do Marco.
Apesar da minha infelicidade toda, a gravidez foi calma, e tudo o que eu mais queria agora era ver a minha Yasmin, um nome brasileiro que significa “flor branca. Nasceu para conhecer o sucesso e ser feliz. Transpõe todas as barreiras.”.

Hoje era o grande dia, acordei, vesti uma roupinha bonita com um casacão em cima para combater o frio.






O parto foi calmo e demorou apenas 20 minutos.
Sim sofri, doeu muito, e não tinha o David para me apertar a mão e por opção, mais ninguém ali estaria.
Os meus olhos encheram-se de lágrimas quando ouvi o choro da minha Yas e, depois de lhe darem o banhinho ela veio para os meus braços, onde pude comprovar que para além de perfeita era linda e cabeluda, muito cabelo loirinho.


- Oh minha princesinha linda… Oh amorzinho da mamã! – enchi-a de beijinhos – Quem é a coisa boa da mamã, quem é? – mergulhei-me na sua barriga e os meus beijinhos fizeram que ela se ri-se.

- Menina, vamos ter que levar a bebé para fazer exames, mas se tudo correr bem amanhã já está em casa!

***

SEXTA-FEIRA: 9 de Dezembro de 2011

Regressei a casa e desde logo comecei a cuidar da minha filhinha linda, descobri que nada me pode fazer desistir da vida com ela a meu lado, com uma filha linda, que saiu de mim, que se alimenta de mim e que mais do que nunca, precisa de mim para estar bem.
O telemóvel deu um bip de mensagem e eu abri-a assim que o alcancei.

“Oi, Paula, recebi sua mensagem avisando da nossa menina. Estou acabado de chegar a Madrid para ver ela, onde acha que posso fazê-lo? Beijo, Vi”

“Em minha casa, na rua xxxxxxxxxx. Toca à campainha, que no quarto da bebé não se ouve. ”

- Paulinha, a bebé acabou de adormecer. – disse o Marca acabado de vir do quarto dela

- Obrigado, amor… - sorri – Olha, o David vem cá, mas não te incomodes, és-me muito mais que ele…

- Eu sei, coisas de melhores amigos! – beijou-me na testa

- Isso mesmo, Marquito!


Ficámos algum tempo a conversar e depois quando tocaram à campainha, pedi ao Marco para abrir, pois eu já tinha a bebé no meu colo.


-  VISÃO DO DAVID  -

Toquei na campainha do apartamento que ela me tinha mandado por mensagem. Dentro de mim havia uma sensação estranha, uma neném que tinha sido fruto do meu amor com a Paulinha. Tinha saudades delas, mas a Ju me matava se eu lhe ligasse, mesmo que fosse para a minha filhinha. A Ju veio comigo, fez questão e apesar de eu não querer, estava com ela agora, não lhe podia fazer uma coisa destas.


- Olá, boa tarde, entrem… - o Marco apareceu na porta e o meu coração desmoronou 


Será que eles estão juntos, agora? Oh meu Deus! Perdi ela de vez!


- Oi… - ele sorriu e entrou, deixando Juliana para trás

- Olá, David… - Paula sorriu forçosamente

- Oi, Pawinha…

- Queres pegar na bebé?

- Sim, por favó! – ela estendeu-me e a neném tinha tudo igual à Paula, os olhinhos grandes, as bochechas com uma covinha linda, muito cabeluda, uns lábios fininhos e perfeitos, de mim, só tinha a cor de cabelo, e muito provavelmente a cor dos olhos, estava emocionado e aposto até que devo ter ficado com os olhos rasos de lágrimas – É tão linda… Que nome cê escolheu?

- Yasmin. Vocês querem beber alguma coisa, ou assim?

- Pode sé um café para mim! – Juliana disse prontamente – Dois, porque o Davi’ me acompanha sempre! – ela me beijou

VISÃO DA PAULA

- Eu vou buscar, ajudas-me Marco?

- Claro, amor… - ele seguiu logo atrás de mim para a cozinha – Calma, sim? – ele deu-me a mão

- Sim, mas eu odeio tanto, Marco, tanto, tanto!

- Calma…

- Como é que ele tem coragem de dar notícias passado mais de meio ano, chamar-me Paulinha e vir com a outra ver a bebé?

- Indiferença é o melhor remédio para ele… - ele piscou-lhe o olho e tirou os cafés – Vamos…


Fomos para a sala e o ambiente entre David e Juliana estava tenso, nem amigos pareciam quanto mais namorados… Mas também já não queria saber, já não era da minha conta e o que eu agora queria era seguir em frente, ser feliz, finalmente.


- Cê fica tomando dela? Temos que falá sobre os fim-de-semanas e assim…

- Sim, eu fico com ela, fui eu que fiquei com ela a gravidez inteira… Se quiseres dias contacta o meu advogado…

- Tudo bem… Cê tá pensando ir a Londres, proximamente?

- Na próxima semana… Para os Grammys… Tu vais…? – sorri, mas a realidade veio ao de cima – Vocês vão?

- Só eu… - respondeu David prontamente – Vou com um colega do clube…

- Então vês a Yas lá, nos camarins… - sorri


A conversa fluiu, eu e David trocamos olhares que só nós conhecíamos… Uns “Amo-te…”, “Eu também…”, “Tenho saudades…”, “Mas tu tens outra agora…”, rematado com um sorriso irónico, eles voltaram para Londres passadas umas horas e eu fiquei só com a minha bebé em casa.


- Então, pequenina? Vamos papar, para depois dormires e deixares a mamã descansar um bocadinho, vamos? – disse tocando com os meus lábios no nariz dela, dando ao surgimento de uma gargalhada

**

Cada momento foi vivido com intensidade naquela noite e nos dias que se seguiram, podia doer-me sempre que a Yasmin amamentava, mas era das coisas mais mágicas que vivi e estou a viver na minha vida.



DOMINGO: 18 de Dezembro de 2011

Tinha chegado a Londres à 4 horas, obviamente tinha que levar a minha bebé, e apesar de não ser tão aconselhado viajar com tão pouco tempo o meu médico disse que a saúde dela estava assegurada.

Levei-a para o camarim que tinha, era eu que ia abrir e encerrar a gala com actuações. Depois, preparei-me, vesti uma roupa muito simples, mas que contrastava muito com a minha pele super morena. Estiquei o meu cabelo e, na maquilhagem destaquei apenas os olhos, que ficariam depois ainda mais perfeitos usados com a roupa da primeira actuação.




Chegada a hora fui para a passadeira vermelha, onde já não estava à muito tempo, e fotografei, mas recusei falar aos jornalistas.
Vi-o ao fundo, lindo de morrer (como sempre!!) e com o amigo que ele falara, antes que ele me visse desviei o olhar e continuei a falar com as pessoas ao meu redor.

**

A hora do começo da cerimónia chegou rapidamente, assim como a mudança para uma roupa mais provocadora.


A actuação foi toda provocadora e tentei descarregar toda a minha raiva, a imagem do David e da Juliana não me saiu da cabeça nem durante um segundo. No final, antes de me dirigir aos camarins fui tirar fotografias oficiais com aquela roupa, o que me fez demorar algum tempo e deparar-me com uma imagem que não esperava quando lá cheguei.

Paula 
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