sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

centésimo segundo capítulo [102º]

TERÇA-FEIRA: 28 de Dezembro de 2010


Acordei super fraca, o David já saíra há algum tempo, presumi. Fui tomar um banho para ver se isto era tudo sono. Coloquei-me debaixo do chuveiro e estremeci no primeiro jacto de água fria, saí do banho e comecei a ver tudo à roda. Ignorei o facto e comecei a vestir-me.

~Home Sweet Home~


                                                                                
Desci as escadas amarrada ao corrimão, agora, estava a ver as coisas todas à roda, mas a velocidade era muito diferente. Fechei os olhos e as coisas pouco melhoraram, entrei na cozinha e peguei numa fatia de bolo de chocolate, que tinha feito no dia anterior enquanto o David estava no treino. Coloquei-a num prato, tirei um garfo e comecei a comer.

Não notei melhoras, aliás, uma dor de cabeça enorme instalou-se na minha cabeça. Sentei-me no sofá, tentei adormecer, não consegui, voltei a levantar-me e tirei um analgésico do armário. Tomei-o com agua e voltei a sentar-me no sofá, esperando que o David chegasse.


- Meu amor! – quase gritou assim que entrou.

- Olá… Eu vou já fazer o almoço.



Ele aproximou-se de mim e beijou-me. Mas eu não estava com disposição para grande coisa, e cortei o beijo pouco depois.


- Que se passa, meu anjo?

- Sinto-me mal, acordei com tonturas, dores de cabeça…

- Já comeu? Deve estar fraca, cê tá mais magrinha…

- Já.. Comi uma fatia de bolo, e tomei comprimido, passou, mas está a voltar novamente…

- Então eu faço o almoço para nós, e se não passar vai ao médico…

- Pode ser gripe, amor. Não vou entupir hospitais.

- Não fala bobagem, quero você bem. – beijou-me na testa.

- Se ainda tiver mal, amanhã, eu vou…

- Está bem, mas vai mesmo! Eu vou fazer o macarrão, venho já..

- Eu vou pôr a mesa. – disse prontamente.

- Vai quê?

- Pôr a mesa…

- Deixa tár sentadinha no sofá, que eu trato disso, tá bem? – beijou-me.

- Amo-te, David. – disse ao arrastar a voz.

- Cê é tão fofa, sabia? Me deixa maluco.

- Não digas isso, vai lá. – disse envergonhada.

- Shiu. – beijou-me novamente. – Te amo, muito!


Ele entrou na cozinha e eu continuei sentada no sofá. Liguei a televisão, mas depressa baixei o som porque a dor de cabeça aumentou. O David chegou pouco depois com as suas tradicionais “taçonas” de macarrão.


- Espero que goste meu anjo. – beijou-me na testa. – Tá se sentindo melhô?

- Não… Está a piorar cada vez mais.

- É melhor irmos ao hospital hoje…

- Não! Eu depois disso vou já para a cama, e melhoro, vai ver!

- Me dói ver você doente…

- Tontinho! – sorri. – A massa tá tão boaaaaaa!

- Ainda bem que gosta, fiz à pressa…

- Foi feita com carinho?

- E amor…

- Então é esse o segredo! – pisquei-lhe o olho.

- Cê até doente é linda… - eu corei e não lhe respondi. – É verdade, não fica envergonhada, não…

- Não digas disparates, David Marinho.

- Você se apaixonaria por um cara que não diz disparates?

- Bem pensado! – ri-me.

- Então não pode resmungar, não!

- Peço desculpa! – disse e sorri. – Vou pousar a loiça na cozinha, venho já. – disse enquanto me levantava.

- Ei, ei! Cê não vai a lado nenhum! Senta aí que eu venho já!

- Eu não sou nenhuma inválida, óh!

- Mas é minha princesa, por isso…


Ele levou a loiça e pelo barulho colocou-a na máquina de lavar loiça. Voltou para a sala rapidamente e começou a pegar em mim ao colo.


- O que estás a fazer? – perguntei imediatamente.

- A levar-te para cima, gatinha.

- Eu ainda tenho pernas…

- Sim, mas enquanto eu poder, irei levar vocêêê!

- És um mono, David. Sabias?

- A mesma pessoa que o afirmou casou comigo, por isso, é numa boa.

- Numa boa? – imitei o seu sotaque.

- Sim, cê vai ficá aqui e eu vou po treino, mas volto logo, tá?

- Está bem…

- Te amo, gata. Não saia da cama, só para ir na casa de banho.

- Ok… pai.

- Ei, eu digo a você que te amo, e que é uma gata e cê me chama de pai? – amuou.

- Adoro ver-te assim, adoro, adoro, adoro!

- Tá bom, vou indo…

- Anda cá. – puxei-lhe o braço. – Também te amo muito, amor da minha vida. – beijei-o. - Tá bom assim? – perguntei.

- Muito, e se põe boa, que tou louco que chegue a sobremesa.

- Tu já és louco!

- Por você né… Vá, tenho que ir, que o mister me mata. Venho logo, me liga se acontecer algo!


- Não te preocupes, amor. Vai lá.


A dor de cabeça foi abrandando e, quando o David estava prestes a chegar já suportava ver TV. Ouvi a porta a abrir e a bater e o barulho de alguém a subir as escadas.

- Tá melhor, Paulinha?

- A dor de cabeça está a desaparecer, mas ainda me sinto fraca.

- Trouxe o jantar para nós! – sorriu e tirou de trás das costas uma embalagem do meu restaurante preferido. – Já só tinham arroz de pato…

- Perfeito, perfeito. Digo, tu és perfeito! – beijei-o.

- Cê é que é… - beijou-me de volta e começamos a comer.

- Estou tão cansada para te dar a sobremesa, amor.

- Deixa para lá…

- Oh…

- Cê pensa que não é gostoso dormir amarrado a você?

- Se for tão bom para ti como é para mim… É uma das melhores coisas da minha vida, sinto-me tão protegida por ti… Aliás, sinto-me protegida só por estar na mesma divisão que tu, é inexplicável. Sinto-o desde a primeira noite que passei contigo.

- Oh meu anjo, eu vivo para você, não imagina o quanto é bom ouvir isso, eu agradeço todos os dias a Deus, por me ter colocado você na minha vida, cê é a melhor pessoa que alguma vez tive a chance de conhecer, quando olho para você, vejo seus olhos, seus lábios, seu sorriso, fico louco, e penso que tou sonhando, daqueles sonhos de moleque, ou algo assim.

- Amo-te! – foi a única coisa que consegui dizer.

- Eu também, Paula. Te amo, mais que tudo o resto junto.

- És tão lindo, tão lindo…

- Não diga bobagem, cê é que é… Bem que me podia dar uma filhinha…

- Se eu hoje não tivesse tão cansada… Prometo que amanhã começamos a tentar. – beijei-o.

- Tá falando sério?

- Sim, ou achas que eu não quero?

- Te amo, tanto!

- Eu sei, que sou maravilhosa. Vá agora que já acabaste, anda para a minha beira.

- Eu vou, me deixa só vestir as calças, cê tá quente?

- Um pouco, deve-me tar a vir febre…

- Então durmo só de calças.

- Ui, gosto disso! – beijei-o.





Paula 
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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

centésimo primeiro capítulo [101º]

SEGUNDA-FEIRA: 27 de Dezembro de 2010


Ontem, almoçamos com a família dele e regressamos a Portugal, a viagem correu bem, mas foi muito cansativa e assim que chegamos a casa fomos logo dormir.

Acordei ao mesmo tempo que ele, mas este estava com tanta preguiça, e eu com vontade enorme de tomar um banho fresco que o beijei na testa e corri para o chuveiro.

Saí do banho e o David olhava-me, meti-lhe a língua de fora e comecei a vestir uma roupa quentinha.

Winter Wonderland


- Tô com um sono, meu amô.

- Dorme, mais. Assim ficas com mais energia para logo.

- Tá bom... Vai ficar em casa?

- Não, amor. Tava a pensar ir visitar a Mariana, a mãe dela ligou-me para passar lá por casa.

- Então tudo bem, me liga que eu depois vou ter com você e almoçamos em algum sítio, sim?

- Claro, macarrão! - aproximei-me dele e beijei-o.


Entrei no meu carro e comecei a conduzir até Cascais, para a casa dos pais dela. Trânsito era o que mais havia, e já suspeitava que iria demorar demasiado tempo. Parei o carro junto ao Tejo e fui tomar o pequeno-almoço a uma pastelaria.

Enquanto esperei pela comida, comi e esperei que o empregado viesse para eu pagar lembrei-me de alguns momentos que passei já em Lisboa.



LEMBRANÇA: 26 de Fevereiro 2007


Depois de uma manhã inteira de aulas e uma tarde a estudar, tomei banho e comecei a arranjar-me para sair com eles.



- Paula! - ouvi a voz da Mariana lá em baixo.

- Diz! - respondi-lhe.

- Já tás pronta?

- Sim!

- Então desce!


Desci e ela também já estava pronta, sentada no sofá a acabar de pintar as unhas.



Dress Like Lauren Conrad


- Vens comigo, ou o Rúben passa por aqui?

- Posso ir contigo? É que o Rúben teve treino, e escusava de vir...

- Claro! Melhor para mim! Vamos então, que o Marco já deve estar lá, e eu já tenho saudades dele.

- Ele já veio?

- Veio ontem, mas tinha frequência hoje, e achei melhor não o distrair.

- Muito estranho, vocês não se largam!

- Shiu, vamos lá!


Saímos do carro e eu conduzi até ao local do restaurante. Quando lá cheguei o Porshe Carrera dele estava estacionado cá fora, entrei antes da Mariana, que ficou lá fora até ao Rúben chegar.

O Marco estava virado para a porta e assim que entrei na sala, o olhar dele ficou vidrado em mim, e começou a aproximar-se. Quando me alcançou beijou-me e abraçou-me de seguida.


- Não volto a Madrid sem ti!

- Ainda bem. - disse-lhe. - Odeio ficar longe de ti, Marco...

- Eu também, amor. Eu prometo que não volto sem ti!

- Como correu? - perguntei ao mesmo tempo que nos sentávamos.

- Mal... O meu pai é um teimoso! Ele sabe que daqui a poucos anos os Emiratos Árabes Unidos serão uma potência, e ele não quer investir! E eu que devia tár a estudar e tive a perder tempo.

- O teu pai confia em ti, vai acabar por ceder.

- Espero que sim, mas não vou falar sobre isso, agora! Quero aproveitar! - beijou-me. - Ficaste bem, aqui?

- Claro... A Mariana e o Rúben não me largaram, e os rapazes almoçavam comigo todos os dias. Ficas comigo esta noite?

- Tens que vir para minha casa... A Marta tá sozinha. Está bem?

- Oh, deixaste-a sozinha?

- Não, uma amiga foi lá jantar, mas não vai ficar com ela.

- Ok, por mim tudo bem, assim a Mari fica com a casa só para ela e para o Rúben, e não precisam de ir para casa da mãe dele.

- Sabes o que ando a reparar, linda?

- Diz...

- Estás mais bonita a cada dia que passa.

- Oh! - beijei-o. - Amo-te!

- Eu também!


---


Paguei e conduzi para Cascais.


- Paula! - disse-me a mãe da M. assim que me viu. - Estás tão bonita!

- Obrigada! E obrigada pelo convite, também.

- Não tens que agradecer, já és da família...

- É sempre bom ouvir isso!


Entramos e estava no sofá a Mariana, o Rúben e a Inês. Cumprimentei-os a todos e peguei na Inês.


- A minha filha é linda não é? - perguntou o Rúben.

- Muito!

- Pois... sai ao pai. - riu-se - Se na cama for tão louca como eu e a mãe, quem a tiver vai vem servida.

- Rúben! Cála-te com isso, a minha mãe ainda tem um ataque.

- Eu acho que a tua mãe te conhece minimamente, amor...


Eu olhei-os estranhamente e ambos se riram.


- Almoças cá, certo? - perguntou a Mariana.

- Acho que não... Vou almoçar com o David, ele é que ficou a dormir...

- E então? - perguntou. - Almoçam aqui.

- Não, por amor de Deus isto é só uma visita à família.

- Então almoçam. Ponto final.

- Vou ligar-lhe, um segundo.


Marquei o número dele e sentei-me no sofá.


- David?

- "Oi meu anjo..."  - disse com voz de sono.

- Acordei-te?

- "Sim, mas não importa, tinha mesmo de o fazer."


- Amor, estou na casa dos pais da Mari, e eles convidaram para vires cá jantar.

- "Tudo bom... O Rúben, tá aí?" - perguntou.

- Tá...

- "Pronto me dá uma horita e tal e estarei aí. Beijo, te amo."


- Eu também.


..


- Oi gente! - ouvi a voz do David, e virei-me.

- Ó, manz! - disse o Rúben e o David tocou-lhe no cabelo. - Continuas gay, não é? - depois virou-se para mim, que me ria perdida. - Eu tentei avisar, Paula, mas pareces cega.


Ri-me da sua expressão séria.

- Tá calado, babaca! - e depois olhou para mim, que ainda me ria. - E cê tá mesmo rindo?? Pensava que tinha mais de motivos para não acreditar no que esse diz.

- E tenho. - pisquei o olho à Mari e esta riu-se.


O resto do dia correu super bem e acabamos por passá-lo todo em Cascais.




Paula 
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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

centésimo capítulo [100º]

- A tua mãe? - acabei por perguntar.

- Tá na cozinha, super estressada! Tem medo que não gostes da comida, e não te sintas bem... - riu-se.

- Oh Belle...! Eu vou lá ter com ela então, ainda não lhe dei um beijinho.

- Vai lá que ela vai ficar contente.


Sai da sala e depois de passar o enorme corredor cheguei à cozinha. A porta estava entreaberta, e a D. Regina estava à volta das panelas.


- Olá, D. Regina. - disse e ela voltou-se para mim.

- Olá, minha filha. Nem me tinha apercebido que tinham chegado. - sorriu. - Tou aqui à volta da comida...

- Precisa de ajuda? Está aqui sozinha...

- Não, obrigada, eu gosto de tratar da comida. O Davi?

- Está entreti...

- Estou aqui! - ouvi a voz do David atrás de mim, e este beijou-me na testa. - Então mamãe? Já tá cozinhando? Só jantamos à meia-noite...

- Eu sei... Minha filha? - disse dirigindo-se a mim. - Nós cá também comemos bacalhau... Mas é temperado de forma diferente... Cê gosta ou quer outra coisa, que eu faço?

- Gosto, D. Regina!

- Ainda bem, quero que se sinta em família...

- Eu sinto, pode acreditar que sinto! - sorri.

- Vão lá para a sala divertir-se que o Sr Ladislau vem já ajudar!

- Te amo, minha mãe! - disse o David e beijou-a na bochecha.


Deu-me a mão e levou-me para o alpendre. Era uma vista diferente de tudo aquilo que estava habituada a ver. Era uma mistura de campo e cidade, modernismo e ruralidade. O David colocou as mãos nos meus ombros e eu encostei-me a ele.


- Depois tens que explicar as vossas tradições, amor.

- Não temos muitas, isso era antigamente. Mas agora as pessoas não vão tanto ao culto e isto é mais uma festa de família... Para o ano passamos em Fafe, sim? - disse beijando-me.

- Sim! - sorri e beijei-o novamente.


..

-  Meninos, tem crianças nessa casa de família. - ouvi um senhor que não reconheci a voz.


O David cortou o beijo, e ambos olhamos na sua direcção.


- Tio Artur! - acabou por dizer, caminhou na direcção dele, e puxou-me juntamente. - Há quanto tempo! - abraçou-o.

- Mesmo! Então essa é sua garota... Muito prazer, vi algumas fotos suas, mas é ainda mais bonita ao vivo.

- Obrigada.  - disse. - O prazer é todo meu!


Ele entrou em casa e nós continuamos cá fora.


- David?

- Sim, meu anjo. - virou-se para mim.

- Dizes-me as horas...

- São nove e vinte, quer o telemóvel para ligar a seus pais?

- Sim, por favor.


Ele deu-me o telemóvel para a mão e eu marquei rapidamente o número da minha mãe. Esta atendeu ao primeiro toque.


- "Filha!"

- Oh mãe! Bom Natal... - a minha voz falhou e o David ficou a olhar para mim.

- "Para ti também... Como está a correr? A comida era boa? E o tempo?"

- Está a correr bem, Angra dos Reis é lindo... Está muito bom tempo, estou de vestido cai-cai e não tenho frio, por isso... Aqui no dia de Natal eles só jantam perto da meia-noite.

- "Sim, mas alimenta-te sim?"

- Sim... Não te preocupes. Onde passaste o Natal?

- "Jantamos em casa da Avó, mas agora estamos na casa da tia, estão os bebés todos, as primas..."

- Oh mãe... tenho saudades tuas! - uma lágrima teimava em cair, e o David observava-me ao longe.

- "Eu também, mas nós estamos sempre a pensar em ti! E, tu sabes que esta será sempre a tua casa."

- Eu sei! Mas tenho saudades na mesma! Eu vou passar o ano novo aí!

- "Asério?? Tu já não passas o ano-novo connosco há muito tempo, filha!"

- Eu sei, mas vou! - sorri. - Queres-me aí, certo?

- "Claro, claro! O David também bem?"

- Se tiver folga!

- "Ok, eu vou ter que desligar. Falamos depois... Beijo, adoro-te!" - desligou.


Pousei os meus braços no muro, e olhei profundamente para algo que não tinha, mas que procurava. Os meus olhos não tinham lágrimas e, a única que tinha caído no meu rosto já secara. Olhei para trás, o David olhava-me, e eu lancei-lhe um sorriso, ele compreendia-me muito bem, e percebeu, que eu queria que ele viesse abraçar-me. E foi o que fez, aproximou-se de mim, colocou uma madeixa do meu cabelo atrás da orelha e os seus braços apoiaram nos meus ombros de forma a abraçar-me, eu correspondi ao abraço e fi-lo com força. Ele manteve o silêncio durante muito tempo.


- Eu te amo. - disse baixinho e duma forma calma ao meu ouvido.

- Eu sei, meu anjo. Eu amo-te, também... - disse-lhe.

- Tô me sentindo culpado agora...

- Culpado, porquê?

- Porque você precisa de momentos a sós... E deixou isso, porque... eu nem sei, só te queria ver feliz.

- Acredita em mim: Estou muito feliz contigo, aqui, agora! Sou parte de ti, és parte de mim. Logo, a única coisa que me importa é que te amo, e estás comigo...

- Eu sei o quanto a família é importante para ti...

- E para ti também! Por isso, não te preocupes, estou bem! - beijei-o. - Vamos para dentro?

- Vamos.  - beijou-me na testa e entramos.


Esperamos até o jantar estar pronto e, eu fui ajudar a D. Regina a pôr a mesa. O jantar correu super bem e, depois das pessoas se irem todas embora, eu e o David ficamos a passar a nossa última noite no Brasil.


- Sabe o que sabe melhor em dormir nessa cama, novamente? - perguntou enquanto eu vestia a camisa.

- Não faço a mínima! - confessei.

- Saber que não vou passar a noite acompanhado, com uma mulher dessas.

- Olha a linguagem, David Marinho.

- Não fala disso e, vem cá, minha mulher! - beijou-me.




Paula 

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domingo, 26 de dezembro de 2010

nonagésimo nono capítulo [99º]

QUINTA-FEIRA: 23 de Dezembro de 2010


Passamos o dia inteiro na praia, não era propriamente o sítio onde eu gostava mais de estar, mas o David estava super feliz e, ao vê-lo assim, eu ficava também.

De noite acabámos por adormecer cedo. Estávamos exaustos.



SEXTA-FEIRA: 24 de Dezembro de 2010


Pela primeira vez na nossa pequena lua de mel, acordei mais cedo do que o David. Olhei-o, dormia serenamente, os caracóis estavam com uma cor perfeita, que o sol lhe tinha presenteado. Ele amarrou-me na cintura com mais força e, eu beijei-o na maçã do rosto mais descoberta. Sabia que o amava e, era por isso, que fazia o sacrifício de passar o Natal longe da minha família, e do meu país.


- Oi, já tá acordada? - ouvi a voz dele, mas os seus olhos ainda estavam fechados.

- Dorme, macarrão... - disse instantaneamente.

- Macarrão? Cê não imagina à quanto tempo ninguém me chamava isso.

- Ai é?

- Sim, me lembra do tempo gostoso que passei no Brasiiiiiu.

- Nunca me falaste muito do teu tempo de jovem, cá...

- Tive vivências muito diferentes da sua, meu amor. - eu não disse nada e continuei a ouvi-lo. - Os meus pais não tiveram sempre presentes, porque eu tava longe de casa, então isso, fez com que eu esquecesse de meus princípios, meu anjo. Fiz algumas loucuras, mas foi isso que me fez o homem que sou hoje.

- E que homem...

- Te amo! - beijou-me. - Você é tão linda...

- Não digas isso. - senti a minha cara a queimar.

- Digo, sim. Tem que saber que é a mulher mais linda que eu já vi nessa vida, e sei que nunca ninguém vai chegar nem perto dessa beleza.

- Pronto... Temos que ver a que horas vamos para Juíz de Fora... - mudei de conversa.

- Não muda de conversa não! Vamos tarde, gatinha.

- Mas eu quero ajudar a tua mãe, não quero que ela faça tudo sozinha...

- Ela tem as tias, é na boa, a sério! Nem a Belle ajuda.

- Mas eu não me sinto bem. - confessei. - Ir, e nem ajudar...!

- Vai comigo, o rei da casa... - riu.

- És pouco convencido, és!

- Posso ser, não posso?

- Podes tudo o que quiseres. - beijei-o. - Mas hoje não vamos para a praia, está bem?

- Sim, vamos dar uma passeada.

- Então vou tomar banho, deixo-te ficar mais um bocadinho na cama, e depois vais tu, sim?

- Siiiiiiim!


Tomei um banho quentinho (porque apesar do calor, não dispenso água quente no banho) e comecei a vestir-me.


Kristin Cavallari

Fizemos as malas,, fomos almoçar a um restaurante ainda em Angra e depois apanhamos o barco para o continente.


- É a Belle que nos vem buscar, ou vamos de táxi, amor? - perguntei.

- Vamo de táxi... - beijou-me na testa. - Assim dá pra namorar mais um pouco.

- Adoro isso.  - beijei-o. - Sabes? Estou-me nas tintas para que alguém tire fotografias nossas, afinal, se não aproveitarmos agora, nunca iremos fazê-lo.


Ele separou as nossas bocas ao fim de algum tempo.


- Cê tá doidona! Me deixa sem folgo!

- Gostas? - perguntei.

- Amo. - respondeu-me e eu abracei-o.


Chegámos a Juíz de Fora às 19h, da tarde, o portão estava aberto, e a coisa que mais se ouvia eram pessoas a falar.


- Já chegaram! - disse a Belle enquanto caminhava rapidamente junto a nós.

- Até parece que tinha saudade!

- Oh, nunca te vejo, Davi...

- Eu sei, maninha.

- E você, Paula...! Tá sempre linda, e já tá morena!

- O teu irmão obriga-me a ir para a praia. - ri-me.

- É linda de todas as maneiras... Né, Belle?

- É mesmo! Venham, que tem ali pessoas mortas por vos verem.


A casa dele era a mesma desde o ano passado, e nada se alterou que eu tenha notado. Era uma casa de família humilde, muito bonita. Caminhei de mão dada a ele até à sala, onde estava a família toda reunida.


- Oi! - disse o David assim que entramos.

- David! - disse um rapaz que me era desconhecido que correu para ele e o David abraçou.

- Oi Gabriel, cê tá crescido! Quantos anos já fez?

- Catorze... - disse envergonhado.

- Sério? Tá parecendo um homem, já!


O rapaz estava super envergonhado e vermelhinho. Olhou para mim e eu sorri-lhe.


- Então? Sorrindo prá minha mulher? - ele assentiu envergonhado. - Deixa eu apresentar! Paula, esse é meu primão Gabriel, Gabriel, essa é minha esposa linda.

- Olá! - disse-lhe.

- Oi... - acabou por dizer envergonhado.

- Então minha gente...! Tá um calorzão por aqui! Minha mãe entregou as coisas que mandei de Portugal?

- Entregou, mas agora queremos autografadas, agora que tá cá! - disse a tia Manoela.

- Com certeza!


Enquanto ele deu autógrafos e tirou fotografias com a família, eu sentei-me e comecei a falar com a Belle. Sinceramente, sentia-me estranhamente em casa.



Paula 

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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

nonagésimo oitavo capítulo [98º]

QUARTA-FEIRA: 22 de Dezembro de 2010


Acordei com o David a mexer-se da cama. Devia ser umas 8h da manhã, ou até mais cedo, porque estava com uma dificuldade enorme em abrir os olhos. Fiquei a insistir e quando finalmente consegui, vi o David em grande plano. Sorria, e olhava-me muito serenamente.


- Então? Que forma de começar o dia...

- Ãh?

- Olhar para a minha cara, não te assustas, gatinho?

- Não seja boba, sim? É a melhor forma de começar meu dia, melhor que tomar pequeno-almoço, cê me dá energia.

- E eu é que sou boba?

- Muito! - roubou-me um beijo. - Vai uma prainha?

- Nem imaginas o sono com que eu estou...

- Dorme na praia. - beijou-me na testa. - Agora é que é bom...

- Que horas são mesmo? - perguntei.

- Quase oito...


Os meus olhos arregalaram-se e, ele partiu-se a rir.


- Tás-te a rir do que, óh?

- Da sua expressão. - continuou-se a rir.

- Ao que uma pessoa se sujeita a casar com um brasuca. - murmurei e voltei a colocar-me debaixo dos lençóis.

- Ei, brasuca? E que belo brasuca!

- Sim...

- Vem prá praia. Vem, por favor.


Levantei-me da cama e vesti-me rapidamente.


This is for summer



Ele olhava-me, aliás, tinha o seu olhar colado no meu corpo.


- Não querias ir? - perguntei. - Vamos, então. - dei-lhe a mão e seguimos para a praia.


Eram oito da manhã e a areia já queimava. Estendi a toalha ao lado da do David.


- Me mete creme, meu anjo, que depois eu meto a você?

- Claro amor. - respondi, beijei-o e coloquei o creme.


Coloquei o creme na parte da frente do meu corpo, e até aos sítios que eu conseguia chegar sem me esticar toda e entreguei-lhe a embalagem, ele colocou suavemente no meu corpo e no final, deu-me um beijo na bochecha.


- Obrigada, coração. - disse.

- De nada, meu anjo.


Fechei os olhos e relaxei finalmente. O meu pensamento além de atravessar o passado, atravessou também o Atlântico.



LEMBRANÇA: 20 de Março de 2009


Saí da sessão fotográfica directamente para o jantar com a Mariana e os rapazes.
Estava maquilhada, como para as fotografias, e não ia conseguir retirar a maquilhagem por completo, por isso preferi deixá-la assim.
Tinha um vestido floral e uns lindos sapatos altos, o tempo bom estava a aparecer e adorava a sensação de poder sair de casaco, mas amanhã já estaria cheia de vontade que o Inverno regressasse.

4/20 Daisy Lowe


Lembrei-me que o Luís precisava de boleia, pois estava na faculdade. Conduzi freneticamente, pois a hora do jantar já tinha chegado e ainda me faltavam uns 30 minutos para poder chegar lá, a um sábado à hora de jantar.

Ele esperava-me, e assim que viu o meu carro chegar, aproximou-se rapidamente. Abriu a porta e sentou-se.


- Oi! - disse-lhe e ele deu-me um beijinho na bochecha.

- Tiveste sessão? - disse após eu arrancar.

- Sim, foi marcada à última da hora... Se não vos tivesse dito que vinha, tinha ido para casa dormir.

- Nós saímos cedo do jantar, não há problema.

- Não, quero que aproveites!



Chegamos ao restaurante mais rápido do que pensava e já estavamos a entrar na sala onde eles jantavam.


- Quero que te animes, Paulinha! - disse-me.

- Então anima-me. - ri-me.

- Sabes porque é que a galinha vai à igreja? - perguntou.

- Não. - fiquei perpelexa a olhá-lo.

- Para assistir à missa do galo. - partiu-se a rir e não me contive e ri-me também.



Todos na mesa nos olharam.


- Boa noite! - disse divertida. - Desculpem o atraso.


Dei dois beijinhos a cada um, a última foi a Mariana, e sentei-me a seu lado.


- Tiveste a trabalhar? - perguntou-me.

- Sim, tive a fazer a sessão para a Vogue Italiana.

- Asério? Não achas que devias descansar? Ontem tiveste no bar, imagino que até tarde, hoje o dia todo a fotografar...

- Tenho contas para pagar. - disse-lhe.

- E um mestrado para fazer.

- Eu sei, mas, tenho que trabalhar, é uma fase complicada para os meus pais, e, eles já me pagam a universidade e, eu eu não lhes posso pedir mais nada...

- Mas podes pedir-me a mim, tu sabes que se precisares de dinheiro...

- E tu sabes, que enquanto eu tiver mãozinhas, pernas e cabeça para trabalhar, irei fazê-lo...

- Não sejas teimosa! Se não aceitares dinheiro, deixa a casa, e vem viver comigo e com o Rúben. - neste momento toda a gente nos olhava.

- Olha que era bem porreiro, era da maneira, que a Mari te perguntava o que vestir e não a mim! - interferiu o Rúben, sorrindo.

- Shiu, óh! - voltou-se para mim novamente. - Eu saí de casa, deixei-te sozinha, nem imaginas como me culpo por isto, ainda por cima nesta altura, aceita, por favor.

- Não... Eu estou bem, sempre trabalhei desde os 16 anos, e quando vim para Lisboa intensificou-se, é mais difícil estudar assim, é duro! Mas se eu não tivesse vindo para cá, não sabia o que era viver. E, se quero manter os mesmos luxos que tenho desde o ínicio, trabalho! - disse, acabando com a conversa e olhei para o empregado de mesa que se dirigia à nossa mesa. - Quero creme de marisco, por favor... e uma água.

- Só vais comer isso? - perguntou indignada.

- Mariana! Posso jantar descansada? Se me apetece creme, porque não posso comer?

- Porque estás a emagrecer a olhos vistos!

- É apenas do stress e, por favor. Deixa-me estar descansada.


A Mariana ficou chateada comigo e, não voltou a falar-me naquela noite. Regressei para casa, logo depois de deixar o Pedro e o Luís na residência universitária.

Depois de fechar a porta à chave nas três fechaduras, bebi um copo de leite e passei a noite em claro a estudar. Não me apetecia fazê-lo, mas se queria acabar o mestrado dentro de um ano, era o que me restava fazer.


---



Acordei com o David a colocar-me mais uma camada de creme. Olhei para ele e sorri-lhe.


- Já tá a dormir a algum tempo, meu anjo. Tá muito quente, não quer vir comigo ao mar? - perguntou-me numa expressão doce.

- Tens que dar um beijinho, antes. - disse-lhe e ele não demorou a conceder o meu pedido.


Levantei-me e segui abraçada a ele para o mar, a água a inicio, pareceu-me fria, mas era provavelmente por ter estado tanto tempo ao sol.

Não havia muita profundidade nestas águas, e afastei-me com o David da praia.


- Acho que aqui não há probabilidade de ninguém nos ver fazer disparates. - disse entre beijos.

- Mas não vai ser por isso que vamos fazê-lo. - ri-me.

- Porquê? - fez "beicinho".

- Porque para isso temos um quarto! - disse-lhe muito expressivamente.

- Isso não é justo!


Eu saltei e coloquei as minhas pernas à volta do seu cóxix e as mãos rodeavam o seu pescoço. Ele beijou-me apaixonadamente, as mãos dele, rodeavam a minha cinta e apalpavam-me.
Eu ri-me quando a barriga dele fez um enorme barulho.


- Fome, coração?

- Só se for fome de você!

- ÉÉ! Mesmo com a noite de ontem ainda te queixas? Tá bem, tá...

- Não... a noite de ontem, foi para te provar, como é a raça brasileira, e estar no Brasil com você, sozinho em Angra... huuuuuuum. Cê nem imagina a vontade que eu fico.

- Sim, sim. Vamos então, tirar este sal, num banhinho a dois.

- Então vamo! Tenho que aproveitar quando você quer momentos gostosos.



Nadamos até à superfície, tiramos as toalhas da areia e subimos rapidamente para o nosso quarto, ele preparou a banheira enquanto eu tirava a roupa e, quando eu cheguei, ele já lá estava.


- Seu pai deve me tar fuzilando...

- Deve?

- Sim, casei com a sua menininha, vim de lua de mel com ela pró Brasil, e tirei ela do Natal.

- Ou então está agradecido porque tás a fazer-me feliz, e no final de tudo, é isso que realmente lhe importa.

- Cê é tão queridinha...

- Hum... Não te esqueças que foste tu que me tornaste assim!

- É, admite, eu sou um autêntico Deus!

- És, mas és meu, não te partilharei com milhões de fiéis!

- Nem eu quero, até te deixo prender-me no quarto! Em regime, só para você...

- Hum. - beijei-o. - Amo-te!

- Eu também te amo, anjinho. Muito..

Paula 



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Deixei aqui uma prendinha, para vocês. Um capítulo bem grandinho!
Beijinhos, e sejam felizes!

Christmas Time!

Ora bem, quero desejar às minhas leitoras lindas um óptimo Natal, perto de quem mais gostam, que isso é mais importante do que as prendinhas!

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BOM NATAL!

Paula

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

nonagésimo sétimo capítulo [97º]

Dirigimo-nos ao aeroporto e, fizemos o check-in mesmo encima da hora, ou seja, o David, só iria saber para onde íamos já dentro do avião.

Sentamo-nos e o David beijou-me.


- Como se chama mesmo o sítio para onde vamos, amor? - perguntou.

- Presta atenção. - disse-lhe com um sorriso misterioso.

- "Voo Lisboa - Rio de Janeiro - 8 horas de duração previstas."




O David olhou-me e esboçou um sorriso surpreendente.


- Não... Não, meu amor. Eu não acredito. - beijou-me. - Eu te amo tanto! - disse isto com um tom mais elevado o que provocou olhares de pessoas.

- Gostas? - perguntei.

- Se gosto? Eu amooooo!

- Então, passamos 4 dias em Angra dos Reis, o Natal com seus pais, vamos um dia para o Rio e regressamos. - disse sorrindo.

- Porquê? Porque faz isso comigo? Eu não te consigo compensar...

- A minha recompensa é o teu amor... É a única coisa que eu quero.


Tomamos um comprimido para dormir, e acordamos pouco antes de o avião pousar. Ele deu-me a mão e seguimos de táxi. Estavam alguns jornalistas, e estes ficaram tão surpreendidos por nos ver, que conseguimos escapar rapidamente.

Deixamos as malas no quarto de hotel, e tomamos um banho em conjunto para nos despacharmos, e aproveitarmos um jantar com vista para o maravilhoso mar.


- Amor? - chamei antes de escolher a roupa.

- Sim... - sorriu.

- Como são as noites aqui, nesta altura?

- Quentes! Não diferem muito da temperatura dos dias, meu anjo.

- Se levar vestido de alcinhas, não tenho frio?

- Não... E se tivesse? Eu aquecia você... - aproximou-se e beijo-me.

- Então vá, vou vestir-me, rapidamente. - beijei-o de novo.


Vesti-me, maquilhei-me, alisei ligeiramente o meu cabelo e coloquei uma tiara nele.

Lauren Conrad

- Estou bem, assim? - perguntei, e ele desviou o olhar da televisão.

- Tá linda! - olhou de cima a baixo. - Aliás, se eu não tivesse casado com você, não deixava sair de casa não!

- Não sejas tonto... Tou mesmo bem?

- Tá, qual é a dúvida? - perguntou e levantou-se. - Quer uma prova?


Eu limitei-me a assentir com a cabeça. Ele aproximou-se de mim e colocou as suas mãos na minha cintura, começou por beijar-me na bochecha e só depois a sua língua invadiu a minha boca, e o sabor dele intensificou-se ainda mais.


- Amo-te! - disse assim que as bocas se separaram. - Muito! Maridão da minha vida.

- Cê não sabe como sabe bem ouvir isso! -  deu-me a mão. - Vamo?

- Sim. - disse sorrindo.


Descemos as escadas e jantamos na esplanada do hotel. Era em cima da praia, com uma vista linda, linda! E, a cor do mar, era extraordinária. Serviram-nos marisco, esta super bom. E, ao mesmo tempo que jantávamos  cantavam pagode, coisa que não gosto muito, mas o David estava feliz, e isso fazia com que eu estivesse também.


- Sabe o que eu queria? - perguntou ele envergonhado.


Estávamos a contemplar o mar, ele abraçava-me por trás e dava-me beijinhos no pescoço.


- O quê? - perguntei curiosa.

- Ir ali a uma festa de pagode...

- Queres mesmo?

- Sim... - fez uma pausa. - Mas eu compreendo que você não queira, não gosta disso.

- Se tu queres, vamos.

- Não... Cê tá falando a verdade?

- Estou, bobinho! Vamo nessa! - falei com um sotaque português do Brasil.

- Obrigada, meu amor!

- Não tens que agradecer, tudo por ti. - beijei-o.



Fomos para a festa, muita música brasileira, e muita gente a sambar.


- Vem dançar, vou te ensinar a sambar... - puxou-me para a pista.

- Eu não sei sambar, nem tentes! - disse corada.

- Agora não pode fugir.


Começou a sambar e eu fiquei parada a olhar para ele. Ele notou que não queria mesmo, e amarrou-se a mim.


- Isto é mais kizomba, David Marinho. - segredei-lhe.

- Ué, fazê o quê? Você não samba, me agarro a você!

- E amarras muito bem, meu amor.



Depois de uma hora a dançar, voltamos ao hotel. Os meus pés estavam num estado lastimável, tantas horas de tacões resultavam isto. Mas nem por isso, deixamos de ter uma bela noite!



Paula 


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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

nonagésimo sexto capítulo [96º] ESPECIAL - O CASAMENTO, parte 5

Paula:


- Amo-te! Amo-te! Amo-te! - beijei-o, mais uma vez. - Eu quero-te tanto, meu marido!

- Você me deixa louco! - amarrou-me. - Cê sabe que me tornou o homem mais feliz do mundo?

- Não... - confessei envergonhada. - Mas sei que tu também me tornaste a mulher mais feliz e mais sortuda por te ter comigo, agora para sempre!


Pousei a cabeça no seu ombro e seguimos viagem para a praia onde íamos tirar algumas fotografias. Escolhemos a praia dele, pois os acessos eram reduzidos e havia menos probabilidade de intrusos.

Tiramos algumas fotos, e nenhum de nós conseguia parar de sorrir ou separar as nossas mãos. Sentia-me num sonho, porque estava casada com o melhor ser da Terra.

Quando nos dirigimos ao local do copo de água, uma quinta linda, sobre o Tejo. Olhei à minha volta, ainda com a mão do David presa na minha, vi os jogadores do Benfica e, alguns que já o foram (como o Angel), os meus amigos da faculdade e alguns de infância, a família do David e a minha.


- Amor? - disse e ele olhou na minha direcção. - Vou ali só à minha família, está bem? - perguntei sorrindo.

- Claro, gatinha. - deu-me um beijo na testa. - Eu vou ali ter com os rapazes, se quiser depois vem ter connosco.

- Com certeza.


Caminhei calmamente até à minha família, sendo mais específica, a um dos sítios onde os meus primos rapazes se encontravam, é o que faz ter 50 primos (!), e o Miguel levantou o braço e eu encaixei-me debaixo dele.


- Estás linda... - disse baixinho.

- Tu também! Adoro-te.  - disse-lhe.


Estive bastante tempo a conversar com eles e depois voltei para junto do David, e dos rapazes, que me davam conselhos a como o aturar nas suas fases mais críticas, e eu, não aguentava e só me ria.



-



A festa correu sempre bem, e o David fez-me surpresas maravilhosas, saímos da quinta eram umas cinco da manhã.


- Ventaja de la noche. - disse-me o Javi ao ouvido.

- Podes ter a certeza que sim! - disse-lhe sorrindo.

- Nunca había visto David tan feliz cómo hoy!

- É o melhor dia das nossas vidas.

- Entonces, va lá. Te veo después! - abraçou-me.


Abracei também a Elena e agradeci-lhe por estar estado presente neste dia.

Corri para o carro, e para junto do David, e o motorista levou-nos rapidamente para casa.


Enquanto colocava a chave na porta e a abriu o David começou a beijar-me no pescoço, o que fez com que o meu corpo ficasse todo arrepiado. Abri a porta o mais rápido que consegui e assim que a fechei correspondi ao beijo.

A casa tinha pétalas de rosas por todo o lado, e em cada canto havia champanhe, morangos e chocolates, voltei a virar-me apenas para o David, que pegou em mim e levou-me para o quarto, ao mesmo tempo que me beijava, ele já tinha tirado o seu casaco, e eu comecei a tirar-lhe a gravata, e depois a camisa, ele desapertou-me rapidamente o vestido, e eu fiquei apenas em lingerie. Tirei-lhe o cinco e atirei-o para o fundo da cama, senti-o mais excitado e ajudou-me a tirar as calças, e os boxers, ele tirou tudo o que eu tinha no corpo, e aí, colocou-se sob mim.

Ele uniu os nossos corpos num só com grande velocidade, eu gemi alto, e ele também.

Fizémo-o durante bastante tempo, e adormeci exausta, nos seus braços.




TERÇA-FEIRA: 21 de Dezembro de 2010


Acordei já devia ser hora de almoço, o David não estava ao meu lado, desci as escadas e ele tinha o pequeno almoço todo na mesa, mas não estava lá.

Entrei na cozinha, e ele estava a fazer sumo.


- Bom dia, meu amor. - disse.

- Oi, já acordou, dorminhoca?

- Pelos vistos. - ri-me.


Ele limpou as mãos a um pano, e aproximou-se de mim. As suas mãos assentaram na minha cintura e beijou-me suavemente.


- Fiz pequeno almoço. - disse com um enorme sorriso. - Vamos?

- Sim amor, mas...

- Que se passa?

- O aeroporto da Noruega tá fechado... Eu mandei mensagem para a Louise e ela me mandou mensagem para um ilha no Pacífico, é calor, mas é o que há... Não te importas?

- Claro que não, desde que esteja com você! - beijou-me.

- Amo-te! - disse-lhe de uma forma sincera.

- Eu também, meu amor!


Tomamos o pequeno almoço calmamente e depois subimos para fazer as malas, para este clima. Eu já planeava isto, desde há dois dias quando ouvi que o aeroporto estava fechado, e, estava a correr muito bem...



Paula 


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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

nonagésimo quinto capítulo [95º] ESPECIAL - O CASAMENTO, parte 4

VISÃO DO DAVID:


Estava entrando em paranóia, o Rúben já tinha mandado mensagem à Paula à muito tempo, e nem rasto dela. Sentei-me junto da minha mãe. (D. Regina)

Esperei no mínimo uns quarenta e cinco minutos. Vi que a mãe dela vinha na minha direcção e eu sorri. Estava super bonita e elegante, ninguém diria que tinha passado dos quarenta quando mais dos cinquenta. (D. Fátima)


- Ela está mesmo a chegar...

- Graça' Deus! - suspirei.

- Estou muito orgulhosa da escolha da minha filha, David.


Fiquei muito surpreendido com as palavras dela.


- Obrigado, eu sou um sortudo por ter ela comigo!

- Tu mudaste-a e, isso é notório, porque ela só muda quando ama muito uma pessoa. E eu estarei-te eternamente grata por isso. Eternamente...


Eu fiquei emocionado com suas palavras e abracei ela.

Pouco depois começou o burburinho das pessoas dizendo que a Paula estava chegando, o nervosismo me matava.

A música já tocava, e pouco depois a porta abriu. Ela entrou de braço dado com o seu pai, e as criancinhas atrás. Olhei apenas para ela, aliás, o meu olhar estava colado.

Que era a mulher mais bonita do mundo, eu já sabia. Que era minha deusa, também. Mas caramba...! Aquele vestido ficava-lhe super bem, e as suas curvas estavam evidentes, mas numa forma simples. O seu sorriso era lindo, e fazia-me feliz. Andou de um jeito lindo, muito cuidadosa, o seu olhar tinha uma lágrima, e o meu formou outra.

Ela aproximou-se, cumprimentei o seu pai, e depois, peguei-lhe na mão, esta suave, que tocava calmamente na minha. Beijei ela na testa e nos sentámos para ouvir o padre.

Os votos decorreram rapidamente e, não consegui largar ela durante um segundo, com medo que mudasse de ideia e fosse embora.

Saímos da igreja e tava muita gente, mas muita mesmo cá fora aos gritos. Os nossos amigos e familiares atiraram pétalas de rosas p'rá gente. Entrámos no Bentley e ela me beijou. Irei guardar para sempre esse beijo, o segundo desde que somos casados.


Paula 


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nonagésimo quarto capítulo [94º] ESPECIAL - O CASAMENTO, parte 3

Visão da Paula


O Rúben já me tinha enviado uma mensagem à 30 minutos a dizer que já lá estava toda a gente. Elas entretanto foram indo para a igreja e já só restavam eu, o meu pai, os meninos de alianças e o motorista do Bentley.

Coloquei um batom bastante discreto e disse ao meu pai que estava pronta e poderíamos ir. Estava nervosa, aliás acho que nunca estive tanto em toda a minha existência, agora sabia que aquela calma que tentava transmitir à Mariana no dia do seu casamento não resultava.

Entrei no carro, com eles, encostei a cabeça no ombro do meu pai, e só a levantei depois da longa viagem à igreja, estavam muitos populares à porta, olhei e sorri, não me incomodaram em nada. Haviam seguranças, porque apesar de ser uma igreja em Lisboa, pertencia à família da Mariana, e ela poderia fechá-la se assim o entendesse.

Esperei uns segundos para sair do carro, mas estes pareceram eternas horas. O meu coração batia com uma intensidade que nunca antes sentira.

Quando saí do carro, os flashes dispararam, não olhei na direcção deles e acenei às pessoas que ali estavam.

Ouvi a música a tocar lá dentro, e o burburinho das pessoas que estavam lá.



;(como imagino a música)


A porta abriu-se e assim que as pessoas me viram começaram a levantar-se, eu continuei de braço dado com o meu pai, caminhámos lentamente e eu sorria. O meu olhar focou-se nele, e como estava bonito. Ele também me olhava e ambos estávamos com a "lagriminha" no olho. Desviei o olhar e vi as nossas mães também com a lágrima, e a Mariana não disfarçava e já tinha várias no rosto. Durante o percurso a minha mente encontrou inúmeras memórias.

Alcancei o David, ele cumprimentou o meu pai, deu-me a mão e beijou-me na testa.

A cerimónia decorreu rapidamente, e o David não me largou a mão nem no momento de assinarmos.

Saímos da igreja e depois dos gritos das pessoas, e as rosas dos populares entramos no Bentley.




Paula 


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