terça-feira, 7 de setembro de 2010

décimo oitavo capítulo

Acordei de manhã com o despertador a tocar. Ainda tinha sono, então a temperatura da água não foi a mais agradável. Não sabia bem o que vestir, então escolhi algo que quanto a mim era óptimo para esta ocasião, peguei numa saia de cintura alta justa preta e numa t-shirt cor-de-rosa, uns botins em tons de preto e rosa, num blazer e numa mala preta. Deixei o cabelo natural.

Antes de sair comi um iogurte e uns cereais, mas, como não queria chegar atrasada, tentei comer rápido e, dirigi à clinica. Ouvi o telemóvel tocar e quando vi que era o David atendi de imediato.

- "Oi, pronta para hoje?"

- Não sei, estou um bocadinho nervosa, mas acho que é normal, já estou à porta do edifício.

- "Vai correr tudo bem, vou torcer por você."

- Eu sei, acho que vou entrar. Beijo!

- "Beijo."

Entrei no edifício e como não sabia onde era o meu consultório dirigi-me ao balcão informativo.

- Boa tarde, eu vou começar hoje a trabalhar aqui como psicóloga...

- Boa tarde menina, pode dizer-me o seu primeiro nome?

- Paula.

- Hum... É a nova grande aposta da clínica, acompanhe-me, por favor. - levantou-se e foi para dirigiu-se ao elevador. - Vai trabalhar no piso 3, que é o piso da psicologia.

- Ok...

Chegámos a um piso super elegante, havia outro balcão, que era muito provavelmente a secretaria de psicologia.

- Aqui é a sala de espera e a secretaria, - disse-me. - Esta é a Cristina, a sua nova secretária.

- Bom dia, - disse-lhe.

- Bom dia Doutora Paula. - disse-me.

Tentei dizer-lhe para me chamar apenas Paula, mas a senhora que me fazia a visita guiada continuou a falar.

Entrou num consultório grande, e moderno, tinha algumas peças vintage, e conclusão, magnífico.

- A partir de hoje, este é o seu consultório. O seu horário é das flexível, como acordou com a direcção, é a mesma que vai marcar as horas das consultas com a Cristina. Mas trabalhará uma média de 15 horas semanais, e o salário será de 1000 € por semana.

Isso foi o que me fez aceitar prontamente o trabalho aqui, pensei. Trabalho muito menos do que a maior parte dos portugueses e ganho bastante bem. E a parte do trabalho ser flexível era uma mais valia! Assim poderia conjugar com o meu trabalho lá fora, e para além disso, se quisesse fazer uma pausa até 3 meses era-me permitido, mas não recebia ordenado como era óbvio.

- Hoje, não tem consultas, mas como já tem lista de espera, é dia para organizar o seu consultório se assim o desejar e de marcar consultas para o resto da semana. Assim que desejar pode marcar as consultas, eu sou a Juliana, se precisar de mais alguma coisa, disponha.

- Muito obrigada.

Olhei em redor do escritório e lembrei-me dos dias que me darão mais jeito, depois disso fui à Cristina e marquei as consultas, escolhi sexta como dia de folga, porque o David ia jogar a Guimarães, esta semana como ela me explicou não iria trabalhar 15 horas, mas 11h, então terça e quinta era das 9h15 à 13h15 e na quarta das 10h15 às 13h15, assim ficava com tempo para ir buscar o David ao aeroporto. Assim o fiz, depois organizei algumas coisas no consultório e saí.

Pensei em ir para a praia, mas nesta altura ainda devia estar cheia dos miúdos, pois a escola só começava para a semana. Então fui para casa e deitei-me na tenda branca que estava junto da piscina, era impossível ter melhores momentos de reflexão.

Li um livro nessa tarde.

---

No dia seguinte (terça-feira, 8/09), fui trabalhar, tive consultas e conheci pessoas fascinantes. Depois do trabalho, almocei junto à praia.

Já de tarde, sentei-me no sofá com um balde de pipocas, para ver o jogo do David, ele ligou-me pouco antes e ia ser titular, mas achava que não jogava os 90', porque como era normal num jogo treino, o mister quer experimentar todos os jogadores. O David fez uns óptimos 45' minutos e no final do jogo, o Brasil ganhou sem grandes surpresas.

Para jantar fiz uma lasanha de espinafres, que me calhou super bem, e fui dormir super cedo, pois de madrugada tinha que ir buscar o David ao aeroporto.

décimo sétimo capítulo

Tomei banho e deixei o cabelo secar ao natural enquanto me vestia e maquilhava. Vesti umas calças pretas, uma t-shirt também preta que evidenciava os ombros e coloquei um lenço com padrão de leopardo, em tons de castanho e preto. Maquilhei-me de forma natural, peguei na minha bolsa e saí.



Pelo caminho parei numa pastelaria de excelente qualidade e comprei um para levar, tinha um bolo base de chocolate e claras em castanho e uma cobertura de natas gordas e framboesas. Havia muito trânsito à entrada da ponte 25 de Abril, o que me fez demorar bastante mais tempo do que contava.



A minha prima tinha uma casa grande com piscina, vivia com o marido e com os filhos, Miguel e Leonor, com 17 e 7 anos. Mas, tamném vinham almoçar, os meus tios de Corroios, e outra minha prima, o seu marido e os filhos, André, João e Margarida, de 10, 8 e 4 anos respectivamente.



Foi um almoço óptimo, a minha tia, preparou "Bacalhau com Natas". Conversei com eles durante bastante tempo, saí às quatro horas de lá.



Conduzi até casa, até porque estava super cansada e aterrei logo. Acordei com o meu telemóvel a tocar a música dos Radiohead às alturas. Olhei para o visor e era o Rúben.



- Oi, ... - disse-lhe.



- "Acordei-te?



- Sim, mas não faz mal, qué pasa?



- "Nada demais, eu e a Mari queremos convidár-te para vir jantar cá a casa, vêm os rapazes todos e estou a fazer uma churracada. "



- Hum... Que horas são? - não tinha noção do tempo que passei a dormir.



- "São sete e meia. Aparece quando quiseres."



- Ok, obrigada pelo convite, vou só tomar banho e apareço já aí, é preciso levar alguma coisa?



- "Não obrigada, só boa disposição."



- Ok, tj.



Tomei um banho rapidíssimo, vesti um vestido comprido, e calcei uns saltos altos, peguei num casaco para prevenir. No cabelo, fiz uma trança-tiara. Olhei o relógio e marcava '19:48', até estava surpreendida com a minha rapidez.



Conduzi até casa deles e estacionei à porta.



- Oi. - disse a Mari vindo na minha direcção.



- Estás linda! - disse-lhe, a Mari vestia um vestido comprido também que lhe realçava a barriguinha de grávida, estava com o cabelo solto e liso super bem tratado.



- Obrigada.



No jantar estavam presentes alguns jogadores do Benfica, o Javi, o Saviola, o Salvio, o Roberto, o Luisão e Cardozo, todos com as suas esposas e companheiras ao lado, menos o Salvio e todas bonitas e vistosas. Eram todas super simpáticas, mas 95% do tema de conversa era moda, maquilhagem, cabelos, e blablabla, de todas elas eu dáva-me melhor com as namoradas do Javi e do Roberto. O telemóvel tocou e eu atendi.



- "Amoor!" - disse a voz mais querida do mundo.

- Oi, como foi o dia?

- "Foi bom, sempre treinando! Tá em casa da Mariana?"

- Tou, com eles.

- "Daviiiid - ouvi uma voz ao longe a falar - Anda cá! - e depois ouvi a resposta dele. - Já vou!"

- Vai lá, - disse-lhe. - Pode ser importante.

- "Ouviste? - riu. - Não é muito importante, mas você sabe que eu sou o rei a jogar playstation. Não se importa que eu vá?"

- Não, vai lá, daqui a pouco também me vou embora.

- "Amanhã a que horas entras?"

- Saio de casa às 8h30, entro às 9h15.

- Ok, eu te ligo antes, tá bem? Beijo, te amo meu anjo.

- Eu também, beijo.

Pouco depois despedi-me de todos e fui para casa, ainda era cedo, mas estava cansada, adormeci logo que me deitei.


Paula
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décimo sexto capítulo

Tinha combinado ir ter com eles ao bar da praia em Cascais, o mesmo onde eu actuava à uns tempos.

Havia pouco trânsito, então, consegui chegar mais cedo do que o habitual. Estacionei o carro no novo parque de estacionamento da praia, e escolhi o sítio vago mais perto do edifício. Entrei no bar pela porta da frente e estavam lá todos, o Guilherme, o Marco, a Manuela, a Luísa, a Carina, e o Diogo.

- Heeeeeeeey! Que saudades, gata! - disse o Marco, levantando-se para me abraçar.

- Também já tinha saudades, - sorri. - de todos!

- Bem, estás uma brasa! - disse-me a Manu.

- Gracías! - disse-lhe piscando o olho e mandando-lhe um beijo.

Sentei-me, bebi um café e estivemos a conversar durante bastante vezes, por vezes era-mos interrompidos por pessoas que queriam autógrafos e fotografias, e pediam para mandar beijinhos ao David. Eu tentava ser super simpática, porque também já andei à caça de autógrafos.

Eram 23:49 e senti o meu telemóvel a vibrar tirei-o da minha bolsa e vi no visor a foto do David, era ele que me estava a ligar, atendi, mas sem me levantar da mesa.

- Estou? - disse-lhe.

- "Oi, não te estou ouvindo bem, muito ruído. Onde estás?"

- Estou em Cascais, num bar. - levantei-me e disse-lhes que voltava já, dirigi-me para fora do edifício. - Agora ouves melhor?

- "Sim, perfeitamente. Estás com a Mariana?"

- Não, estou com o pessoal de Cascais. Mais informações?

- "Desculpa, fui muito parvo de manhã. Tava muito preocupado com você, com o que poderia ter acontecido." - senti a voz dele falhar.

- Eu sei David, está tudo bem. Mas isso não te dá ao direito de me falares com aquele tom de voz, não dá.

- "Eu sei, eu te amo, estou super arrependido, eu te amo, asério. Desculpa."

- Eu também David, tu sabes.

- "Não fica brava comigo."

- Tá bem, vou voltar para dentro, beijos. - desliguei a chamada antes de ele ter oportunidade de responder.

Voltei para dentro e ficámos mais uma hora a conversar, depois fomos para uma discoteca e santo cristo! As saudades que eu tinha destas noitadas sem qualquer preocupações, apenas a divertir-me, o Pedro fazia algumas noites de DJ, e esta era uma delas. Fomos os últimos a sair, deviam ser umas oito da manhã.

- Ficas bem? - perguntou-me o Marco.

- Óptima, adorei a noite de hoje! - abracei-o. - Obrigada!

Entrei no carro e conduzi até uma pastelaria.

- Bom dia, o que vai desejar? - disse uma rapariga super bonita.

- Bom dia, pode ser um capuccino e um pão com manteiga.

Tirei da minha bolsa o telemóvel e tinha uma sms do David.

"Bom dia amor!
Espero que a noite de ontem tenha corrido bem, e que não esteja brava comigo, te amo."

Respondi de imediato.

"Correu muito bem, tou a sair da discoteca agora, LOL, já passou, beijo."

Dei alguns autógrafos e tirei fotos, e depois de pagar fui para casa, não ia dormir. Tomava um banho e arranjava-me e ia almoçar a casa da minha prima na Caparica, e foi o que fiz.


Paula

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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

décimo quinto capítulo

Acordei várias vezes de noite, e só dormi descansada quando já era de dia, quando acordei já tinha passado até da hora de almoço. Olhei para o telemóvel e tinha 4 chamadas e 2 mensagens escritas. Abri as "Chamadas Perdidas", tinha uma do David e três da Mariana, e antes de lhes ligar fui ver as mensagens; duas do David e duas da Mari, abri-as.

"Bom dia gata, dormiu bem? Sonhei com você, vou treinar agora, logo falamos melhor, beijo, amo você, David." datava as 9h

"Amor, está tudo bem? A esta hora já era normal estar acordada, me liga assim que puder, David." 12h

"Paula, o David ligou-me, estás bem? Precisas de falar? Mari*" 12:35

"Estou a ficar super preocupada, por favor, manda-me uma sms, a dizer se estás bem, ao menos. M." 14 : 45

Eram 15:15h, e eu compreendia a preocupação, ontem à noite a voz falhou, e já é tarde e não dou sinais de vida, marquei o número do David, depois ligava à Mari. Ele atendeu ao primeiro toque.

- "Paula, ai meu deus... O que aconteceu?"

- Não aconteceu nada, ontem não conseguia dormir bem, acordei montes de vezes, e acordei de manhãzinha, estava super cansada então voltei a dormir, acordei mesmo agora... Desculpa se te preocupei.

- "Eu estava preocupado, asério. - a voz dele estava tensa e num tom altíssimo. - Eu vou ter que desligar, beijo!"

Desligou, antes que eu pudesse responder. Não pensei muito nisso e liguei à Mari.

- Antes que comeces a berrar, eu estava a dormir, não foi por mal! - agora sim a minha voz falhou e senti algumas lágrimas caírem-me pela face.

- "Paula! Estás bem? Eu vou já para aí!"

- Não precisas, não foi nada...

- Preciso sim, espera por mim, e come qualquer coisa.

Não sabia porque razão estava a chorar, mas odiei o tom de voz que ele falou comigo, lavei a cara e fui à cozinha para comer algo, peguei num iogurte e sentei-me no jardim, senti mais lágrimas a correr o rosto, desta vez não as limpei. Ouvi a campainha tocar, e fui abrir o portão, era a M.

- Heey, - deu-me um abraço demorado - Queres conversar?

- Não...

- Não precisas, anda, vamos para o sofá. Trouxe-te comida. - tirou de um saco um recipiente com arroz de pato, do meu restaurante preferido.

- Não era preciso...

- Claro que era, tonta!

- Obrigada, por tudo!

- Come! - sorriu.

A verdade é que comi tudo super rápido, estava cheia de fome, e a comida estava óptima.

- O que é que se passou para chorares? Alguém te fez mal?

- Não... - ela olhou para mim e eu continuei. - Ontem à noite, sentia-me super sozinha, então não consegui dormir bem, só adormeci descansada quando já era de manhã, e à pouco, quando acordei, e vi todas aquelas chamadas e mensagens, liguei logo para o David, para ele não se preocupar, e ele falou-me com um tom de voz tão autoritário, que... - senti uma lágrima a tentar sair, mas fiz força para não dár parte fraca. - ... eu senti-me impotente. Ele não tem o direito de me tratar assim, eu toda a minha maioridade fui independente! Eu cantava no bar da praia, para pagar a renda, às vezes ia para a rua, e quando fiz o meu primeiro anúncio, disse aos meus pais que pagava as propinas, eu não vou deixar que ele pense que eu sou a um brinquedo!

- Ele estava preocupado, ele disse-me que tu não tavas bem ontem à noite e pensou no pior.

- Pensou no quê? Que eu me afoguei na piscina? Eu me atirei da ponte? Por amor de Deus.

- Não fiques assim, vamos sair, vai tomar banho, veste-te e vamos às compras, e se quiseres eu passo a noite aqui contigo.

- Hum... - olhei-a e esperei um tempo. - Podemos ir às compras, mas logo à noite, eu vou sair, vou com o Marco, larguei tanta coisa... e sim, eu sem que não foi em vão. Eu amo o David, mas eu também tenho que ser feliz.

Passámos a tarde às compras no Vasco da Gama, jantámos também juntas num restaurante, e depois saí para ir ter com o Marco e com o resto do pessoal.

Paula

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Uma pausa

Olá!

O meu ecrã do meu portátil deixou de funcionar esta manhã, pelo qual não vou estár tão presente no chat nem aqui no blog, vou continuar a escrever, mas à mão, e então não vou poder cumprir os prazos de visitas, quarta-feira ele deve ir para a garantia, e talvez esteja resolvido numa semana.
Atenção que eu vou continuar a vir aqui, mas pelo computador da minha irmã, logo não vou ter a mesma disponibilidade.

Espero que compreendem,

Beijinhos,

Paula ;)

domingo, 5 de setembro de 2010

décimo quarto capítulo

Estacionei o carro no parque do ipo, e entrei no edifício.

- Boa tarde, será que posso fazer uma visita? - perguntei a uma senhora na secretaria da pediatria.

- Boa tarde, menina, é familiar de alguma das crianças?

- Não, venho cá às vezes fazer voluntariado e estar um bocadinho com eles.

- Deixe-me só chamar a Dr. Susana, peço imensa desculpa mas sou nova aqui, ... - exitou um momento e continuou. - A menina, não é aquela modelo e actriz, lá do estrangeiro.

- Não, sou apenas voluntária. - não considero que tenha mentido, porque eu própria não me considero nem modelo, nem actriz, apenas fiz uns trabalhitos.

- Peço desculpa, vou ligar à Dr. - pegou no telefone e começou a falar. - Dr, está aqui uma menina que diz que costuma fazer voluntariado aqui... sim... está bem. - desligou o telefone e olhou para mim. - A Dr. vem já cá, pode aguardar um momento?

- Sim, claro. - sorri.

- Paula! - ouvi pouco tempo depois, era a Dr. Susana. - Peço desculpa pelo incomodo, é uma honra receber-te aqui mais uma vez. - chegou perto de mim e cumprimentou-me.

- A honra é toda minha, estou com saudades dos meninos.

- Tenho a certeza que eles também estão com saudades tuas, adorava ficar contigo, mas tenho que ir tratar de um assunto ao escritório...

- Claro, eu compreendo.

- Foi um prazer ver-te novamente. - disse e eu sorri-lhe.

Passei uma hora e meia com elas, mas a mim pareceu-me pouco tempo. Eram crianças cheias de esperança e vontade de viver, sempre com um sorriso na cara e com disposição para brincar, os abraços delas enchiam-me de força, davam-me vontade de viver.

Dirigi para casa, quando cheguei preparei uma deliciosa massa de marisco, demorava um bocadinho, mas depois sabia lindamente. Fui comer para a sala, sentada no sofá e coloquei o dvd da série 'The OC', não sei quantas vezes já a vi, mas tinha sempre a sensação de primeira vez, e a série lembrava-me dos meus primeiros tempos em Lisboa. Ainda estava a comer quando recebi uma mensagem no telemóvel, abri e era do David.

"Amor, como correu seu dia?
Meu foi cansativo, muito treino, e pouco tempo para descansar, morro de saudades suas, logo à noite te ligo... beijo, te amo"

Também estava cheia de saudades, e o pior de viver nesta casa grande, era quando cá estava sozinha, às vezes nem me apetecia vir para dentro, e ir para o piso de cima era muito pior, mas se dormisse lá fora tinha a certeza que ficava doente, e dormir, lá em cima, numa cama também era mais confortável.

Peguei numa garrafa de água e em cereais e fui para o quarto, lá também tinha televisão, e assim não precisava de me deslocar quando já era muito tarde e escuro. Vesti uns calções e uma t-shirt, coloquei a água e os cereais na mesinha de cabeceira, assim caso me desse fome não tinha que descer as escadas e ir à cozinha durante a noite, coloquei também o telemóvel, porque o David disse que me ligava, fechei as persianas e deitei-me na cama, com os lençóis a aquecer-me.

Liguei a televisão, mas à sexta-feira à noite nunca dá nada de jeito, coloquei na televisão e vi o Portugal - Chipre, já estava 1-2, ou seja, Portugal a perder, mas sinceramente, a selecção não me andava a entusiasmar muito, com este Queiroz, e a quantidade (ou a falta de!) vergonhosa de jogadores do Benfica no plantel, e bem, ou o resultado mudava ou era a reflexão da crise que andava a correr. O David ligou como prometido.

- "Desculpa amor, só tive tempo pra ligar agora."

- Não tem mal, David, eu sei que tás a trabalhar. - a minha voz falhou, mas nem sequer percebi porque.

- Você tá bem, precisa de alguma coisa? Parece triste.

- Não preciso de nada, está tudo bem amor.

- É sério? Me fale a verdade.

- Está tudo bem, a sério, não te preocupes, David.

- Espero bem que sim, não quero ver você em baixo, eu te amo, tá bem? Terça ou Quinta já 'tou aí.

- Eu sei, eu também te amo, acho que são só saudades naturais. Como estão a correr os treinos, e o relacionamento com os outros?

- Está correndo tudo bem, é cansativo, mas tá correndo bem, estou aqui no quarto com o Rami, mas também 'tou cheio de saudades suas.

- Mas ambos sabemos que isso é super importante para a tua carreira, foca-te só na selecção, amor.

- Obrigado, é óptimo ouvir isso, você é super importante para mim, eu te amo.

- Eu sei, tu também és muito importante para mim.

- Eu nunca duvidei disso.

- Ainda bem que não, já não são horas de dormir? - ri-me.

- Por acaso... - também se riu. - Você tem a certeza que fica bem? - insistiu.

- Tenho, não te preocupes, dorme descansado. - ri-me. - Vá, beijo, amo-te.

- Beijo, dorme bem, amo-te - tentou dizer com sotaque de Portugal, e eu ri-me.

- Dorme bem, amor.

Eu ainda não tinha sono, vi um episídio da magnífica série 'Uma Família Moderna', era bem divertida e animada. Quando o episódio acabou, percebi que já acusava cansaço. Demorei bastante tempo a adormecer, tive até que colocar phones e ouvir música para me acalmar um pouco, estava cheia de saudades do David, e odiava dormir sozinha numa cama enorme e numa casa grandiosa.

Paula

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décimo terceiro capítulo

Acordei relativamente cedo, tomei banho, e comi a primeira coisa que encontrei no frigorífico, depois fui lá para fora e sentei-me num dos sofás brancos que tínhamos junto à piscina. Descontraí um pouco e depois ouvi uma música dentro da casa.


"I remember a faraway laugh, a sweet caress, you'd help me zip up my dress. I remember your, arms around my neck, 21 shells wrapped in my nest, endlessness, didn't last, i won't change, given the chance...."


Tinha deixado o meu telemóvel na cozinha, então corri para o alcançar, antes de quem me estivesse a desligar, desistisse, olhei para o visor do telemóvel e era o David, atendi de imediato e voltei a dirigir-me ao jardim.

- David!

- "Oi gata, como cê tá?" - ele estava desde ontem em Barcelona, num estágio da selecção brasileira.

- Estou bem, e tu?

- "Também, mas já tou morrendo de saudades suas."

- Eu também já tenho saudades, mas daqui a cinco dias já tás cá. - disse-lhe para não se sentir mal com o facto de estar longe de casa.

- "Quem me dera pensar assim, mas não fico bem sabendo que você está sozinha."

- Eu estou bem, não te preocupes.

- "Claro que me preocupo, você é minha mulher. Amor, o mister está chamando para o treino, te ligo mais logo, tá bem?"

- Claro, beijinhos, amo-te.

- "Beijo, te amo."

Deitei-me um bocadinho no sofá, mas depois lembrei-me dos meninos do IPO, e como estava com estava com saudades deles, decidi que ia vê-los depois do almoço. Subi ao quarto e vesti uns calções de ganga e uma t-shirt, peguei numa bolsa e num casaco e saí, decidi ligar ao Pedro para saber se tinha planos para almoçar.

- Pedro?

- "Paula, como estás?"

- Estou bem, e tu?

- "Também..."

- Olha, queres ir almoçar hoje?

- "Claro, o Luís também pode ir?"

- É óbvio que pode, vamos onde?

- "E se formos à 'República da Cerveja', no parque das Nações?"

- Parece-me óptimo, vou já para lá, não se atrasem!

- "Nós estamos perto, também vamos para lá, até já."

- Até já.

Dirigi até ao Parque das Nações, e por sorte consegui um estacionamento na rua. Dirigi-me ao restaurante os rapazes já estavam lá sentados na esplanada.

- Oi, desculpem a demorada - disse-lhes.

- Não tem mal. - disse o Pedro e levantaram-se os dois para me cumprimentar.

- Chegámos à pouco. - disse o Luís.

O Almoço foi super descontraído, comemos apenas uma salada cada um, que era o que me sabia melhor neste tempo. Conversamos sobre tudo, o meu novo trabalho, o filme, o último ano de mestrado do Luís, e o primeiro ano do Pedro, das raparigas que eles andavam a sair, do Benfica, e até do David. Ficamos sentados naquela esplanada a conversar e principalmente a rir até tarde, depois eles tiveram que ir tratar do mestrado na universidade e eu achei que já eram horas de ir visitar os "meus" meninos.


Paula

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Muito obrigada pela tua visita.
Espero que gostem do que eu escrevo, e comentem, porque os comentários são um incentivo para continuar, e sem comentários não fico com muita vontade de escrever. Obrigada ;)



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