sexta-feira, 3 de setembro de 2010

décimo capítulo

Fui ver o jogo, no dia seguinte, Benfica estava a fazer um bom jogo, aos noventa e três minutos de partida ganhávamos por 2-1. Mas o pior aconteceu no minuto 95, o último minuto da partida.

Ao chutar uma bola, o David colocou mal o pé e saiu lesionado, eu fiquei naturalmente preocupada, mas não quis parecer muito, porque o meu pai estava a meu lado. Quando ele se foi embora, a Mari disse que também era boa ideia irmos, ainda tinha-mos três horas de viagem, e a esta hora era complicado conduzir para uma viagem tão comprida. O David ligou-me já nós tínhamos passado o Porto.

- David?

- "Estou, Paula? Estou ouvindo você mal, liguei pra te dizer que não se preocupa não, só terça é que vou fazer o exame para ver como está meu dedo. Olha, você fica comigo essa noite?"

- Tens a certeza que estás bem? - perguntei. - Claro, como fazemos?

- "Você tá com a Mariana, certo? - não esperou que eu respondesse e continuou. - Então como ela vai buscar o Rúben ao estádio, você vai com ela e eu tenho lá meu carro então te pego e vamos pra tua casa, ou pra minha, depois decidimos, pode ser? Olha, eu não tou em muitas condições de conduzir, você pode fazer isso por mim?"

- Claro que posso.

- Ainda bem, beijinhos, te amo.

- Eu também, beijinhos.

A viagem demorou o tempo que esperávamos, fomos para o estádio, para o parque de estacionamento e já se encontravam lá algumas mulheres de jogadores, estivemos na conversa com ela até eles chegarem, que foi durante uns quarenta e cinco minutos, é claro que não me apresentei como "A namorada do David Luiz", achava que ainda era cedo para o namoro ser público, elas já me conheciam por ser amiga da Mari e do Rúben. O autocarro chegou e os jogadores saíram, o Rúben deu-me dois beijinhos e segredou-me:

- Vais ter que dár muitos miminhos ao teu brasileiro... - riu-se.

- Ai, não agoires, Rúben!

- Está bem, está bem.

Dito isso o David saiu do autocarro enquanto falava com um médico, piscou-me o olho. Dirigiu-se a nós para nos cumprimentar e deu-me dois beijinhos.

- O meu carro está ali, vem comigo? - disse baixinho.

- É melhor ires, eu já te apanho.

Fiquei um bocadinho à conversa com a M., e depois fui ter com o David ao carro, o Audi dele tinha vidros fumados, o que era óptimo, supôs que ele já estivesse dentro do carro e abri a porta do condutor, e, não estava errada, ele já lá estava. Antes de dizermos qualquer palavra, ele inclinou-se e beijou-me.

- Obrigado por todo o apoio, Paula.

- Não tens que agradecer, podemos ficar em minha casa? Ficávamos por lá amanhã, é que tenho que terminar umas coisas para a faculdade. - destravei o carro e dirigi a caminho de casa. - Como está o teu dedo?

- Não sei, os médicos colocaram um spray para não ter dores, mas sinto meu pé meio dorido, terça-feira vou fazer exames para ver se posso jogar na taça da liga.

- Vais ver que está tudo bem, - disse-lhe. - Eu vou ao Algarve com a Mariana ver-te.

- Asério? Agora sim, tenho mesmo que jogar. - sorriu. - Como foi o jantar com a sua família?

- Foi óptimo, tinha muitas saudades de todos, tenho pena de não os ver crescer com mais regularidade, mas é gratificante chegar lá e eles dizerem que sentiram a minha falta. Eu vou ter sempre orgulho nos meus meninos. - sorri. - Chegámos.

Subimos as escadas e abri a porta de casa, voltamos a subir escadas, desta vez para o meu quarto, voltamos a passar a noite juntos, adormeci deitada no seu peito.

O David passou o dia todo em minha casa, viu futebol durante o tempo em que eu trabalhava no meu relatório, e sempre que eu fazia um intervalo, aproveitávamos para namorar, ele era super carinhoso para mim, e importava-se com tudo o que eu sentia.

Já no final da tarde recebi um telefonema do Luís, já não falava com ele, nem com os outros à bastante, o que era muito estranho, então combinei com eles um almoço amanhã no Parque das Nações. O David estava no centro de estágios a fazer exames a manhã e tarde toda, e assim, ia entregar o relatório e aproveitar para estudar na biblioteca da escola de manhã e de tarde ia estudar e depois quando ele estivesse pronto ia buscá-lo ao Caixa Futebol Campus.

Paula

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nono capítulo

Esta semana foi super agitava, dividi-me em três, ora corria para a escola e para o IPO, ora corria para casa para acabar os relatórios atempadamente, ora corria para casa do David ou ele para a minha, os exames começavam no meio da próxima semana e demoravam duas o meu reitor achou que era melhor assim, fazer-mos os exames em duas semanas e já, tudo bem, que as férias chegavam logo em Maio, mas ia ter que estudar muito durante a semana, este fim-de-semana ia ao norte, aproveitava e fazia uma visita aos meus pais e via o jogo do David por lá, para o próximo era a final da taça da liga, no Algarve, acontecia no domingo, então ia aproveitar e ficar o sábado em casa estudar, já tinha falado com ele, e compreendeu-o logo.

É sexta-feira, tanto eu como o David vamos para o norte amanhã, porém, não vamos poder estar juntos, ele hoje à noite vinha jantar a minha casa depois do treino. Fiz bacalhau com natas, porque ele tinha-me dito que adorava, hoje tinha ido fazer o meu voluntariado ao IPO, mas depois tive uma reunião com o meu reitor e então estava vestida de uma forma mais formal, um vestido bege, um um cinto fino a marcar a cintura e ainda estava de saltos, o meu cabelo estava super encaracolado, e a maquilhagem estava super natural, apenas com lápis na parte super do olho. A comida já estava no forno e pus a mesa, o David devia demorar ainda uns vinte minutos, então sentei-me no sofá e acabei o relatório à mão, ele devia ficar cá a dormir, e como o relatório era só para entregar na terça-feira, ainda ficava com tempo de passá-lo para o computador e imprimi-lo. A campainha tocou, e supus que era o David, abri a porta.

- Oi, - beijou-me. - Você, tá... linda.

- Entra, não digas essas coisas que já sabes como fico... - e já estava, notava as minha maçãs do rosto a arder, portanto devia estár mesmo corada. - A comida já deve estár pronta e tu super esfomeado.

- Estou, mas bem, que cheirinho, não me diga que é bacalhau com natas, - eu acenei com a cabeça e ele amarrou-me e disse - Ah, ... eu te amo tanto.

- Por fazer bacalhau com natas? - sorri. - Se soubesse já tinha feito antes.

- Não seja tonta, sabe que não é pelo bacalhau, mas você faz tudo por mim, e deve estar super cansada. - beijei-o e tirei a comida do forno. - Serves-te? - Ele serviu-se a ele e colocou também a comida no meu prato. - Cuidado, está quente!

- Não quero saber se está quente, está óptimo. Você cozinha muito bem.

- Diz isso à minha mãe - ri-me.

- Se quiseres digo, dá-me aí o número dela.

- Tás parvo? - ri-me ainda mais - Era o que faltava! Olha, eu estive a pensar numa coisa, eu não consigo ficar muito mais tempo sem contar nada à Mariana, ela conta-me tudo, e eu sinto-me quase como a traí-la.

- É, eu sei, eu também me sinto assim em relação ao Rúben. E se contarmos amanhã, você está com ela e eu com ele, que acha?

- Perfeito. Então gostaste da comida?

- Sim, estava tudo óptimo, a comida, a companhia.

- Ainda bem que gostaste da comida, e que da minha companhia.

- Isso nunca vai mudar gata. Eu vou gostar sempre de estár com você - levantei-me, sentei-me no seu colo e beijei-o.

- Ainda bem, David. - levantei-me de novo e coloquei toda a loiça na máquina rapidamente. - Vamos para o meu quarto?

- Vamos.

Subimos as escadas, o David foi à casa-de-banho, foi super rápido, quando chegou eu estava a tirar os sapatos, ele aproximou-se e beijou-me, foi um beijo longo, sincero e apaixonado, quando terminamos ele segredou-me

- Estás preparada? Não te quero forçar a nada.

- Nunca estive tanto.

Foi um dos nossos momentos até agora, ele foi sempre super carinhoso comigo, nessa noite dormimos abraçados.

No dia seguinte o David saiu cedo para o estádio, tomei banho com ele porque também me tinha que despachar, a Mariana ia levar o Rúben ao estádio e depois passava aqui para também nós irmos.

Já com a Mariana e a caminho de casa dos meus pais, eu tentei meter conversa e contár-lhe com quem tinha estado durante esta semana ocupada e durante esta noite.

- Mari, tenho uma coisa para te contar - disse-lhe.

- Então, conta, estás a deixar-me preocupada!

- Não acho que seja motivo para ficares preocupada. - ri-me.

- Vá, conta-me!

- Bem, eu tenho estado com o David. - exitei.

- O quê?! Com o David? David, o meu padrinho de casamento?

- Esse mesmo.

- Porque não me disseste? Vocês já se beijaram ou assim?

- Sim... nós temos passado as noites juntos.

- O QUÊ? E não me contaste nada? Vocês já... e não me contaste nada?

- Só aconteceu esta noite, Mariana, não fiques chateada, tu és a única minha amiga que sabe disto.

- Eu não 'tou chateada. - riu-se. - Eu já tinha pensado em vocês juntos, mas sempre que te falava de rapazes, tu mudavas de conversa...

- Foi melhor assim, foi mais natural. - também me ri. - Ainda bem que não ficaste chateada, não contes nada a ninguém, nem aos meus pais!

- Ok, como queiras.

Chegámos à casa dos meus pais às 16h, fizemos várias paragens pelo caminho, fomos almoçar a um restaurante, e depois fizemos umas compras num centro comercial, a recepção não poderia ter sido mais calorosa, estivemos com eles, e às 19h partimos para um restaurante, nós ficamos num salão à parte, porque mesmo não estando toda a família, os meus primos que vi nascer já estavam uns homenzinhos, eu sempre gostei de brincar com os mais novinhos, e às vezes ainda me emocionava a vê-los tão grandes, mal cheguei o Francisco veio logo abraçar-me, lembro-me dele pequenino, sempre gostei deste miúdo, vi-o crescer, e tinha muito orgulho dele. Sentei-me ao lado das minhas primas com a minha idade, falámos de tudo, e elas comentaram que a minha mãe lhes tinha mostrado a revista onde eu aparecia, tudo culpa da Mari, pensei.

Deitamo-nos tarde, e o David ligou-me a desejar boa noite ainda eu não tinha comido a sobremesa, disse que o Rúben ficou bastante surpreso e eu disse-lhe que a Mariana tinha reagido da mesma maneira. O dia de amanhã iria ser diferente, agora tinha que descansar.

Paula

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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

oitavo capítulo

Ele deu-me a mão e entramos em casa.

- Acho que dá única vez que teve cá não 'tava com cabeça prá ver a casa, hoje tá?

- Foram tempos diferentes, tudo mudou, hoje estou, claro. - sorri.

Ele mostrou-me a casa, depois sentou-se comigo no sofá.

- Obrigado por 'tár aqui comigo. É muito importante para mim ter você finalmente a meu lado. - beijei-o e depois refleti.

- Finalmente? O que pretendes dizer com isso.

- Vamos almoçar, te falo isso já, tenho é que tirar a comida senão queima.

A mesa já estava posta, eu sentei-me e ele foi buscar a comida.

- Bem, espero que gostes, não sei fazer muitas coisas, maas, esta é especialidade.

- Tem óptimo aspecto, parabéns, - sorri.

- Agora você quer saber porque eu disse "finalmente", certo? - limitei-me a acenar. - Bem, você provavelmente nunca reparou, até porque estava namorando, e nunca gostou muito de mim, mas eu acabei com a minha namorada na época no dia anterior a te conhecer. E, no momento em que você entrou no restaurante para no aniversário da Mariana, eu fiquei grudado em você mas, eu não insisti nisso, porque você tinha namorado e depois quando terminaram eu percebi, que você necessitava de ficar sozinha um tempo.

- Nem sabes como me estou a sentir culpada agora, - e estava mesmo. - eu não fazia ideia, juro. Mas eu acho que o tempo só me fez bem, quando ele terminou comigo eu pensei que era o fim do mundo, mas eu durante este tempo só amadureci, porque há cinco meses atrás, eu não iria dar valor a um homem como tu, eu não era madura o suficiente para dar valor a um homem que preza muito mais o interior, e não se aproveitar logo da pessoa, porque se tu fosses igual ao comum dos mortais tinhas-te aproximado no meu momento mais frágil. Tiveste lesões e tudo... - beijei-o. - Eu não sei como te agradecer, por tudo o que estás a fazer por mim. - senti uma lágrima a tentar cair, e fiz um esforço para ela não sair.

- Ei, que é isso? - limpou-me a lágrima que caiu. - Não tem que chorar não. Ouve, eu nunca conheci ninguém como você, sua beleza exterior é tão grande como a interior, eu percebi isso logo, eu queria e quero que você seja feliz, se eu te poder fazer feliz, é ouro sobre azul, se você optar por ser feliz sem mim, eu vou estár no seu lado, na mesma. Eu me importo muito com você, não chora, não se sinta culpada, porque eu estou super feliz, por estar comigo nesse momento. Eu te amo, Paula.

Limpei as lágrimas, peguei na mão dele.

- Eu também te amo, David. - esta conversa tinha-me tirado todas as dúvidas que ainda tinha. - Bem, a comida estava óptima disse-lhe. - ele beijou-me e levantou-se, começou a levantar os pratos. - Eu ajudo-te.

- Não, você é minha convidada, senta no sofá que já ter com você.

- Mas não sou uma qualquer pois não? - sorri, e ajudei-o a meter a loiça na máquina.

- Obrigada, gatinha. - amarrou-me por trás e beijou-me no pescoço.

- O Gustavo?

- Está no Algarve para um jogo, pensou que eu o tinha despachado cá de casa para poder ficar sozinho contigo?

- Por momentos, - rimo-nos os dois. - Sabes, domingo vou ver-te a Guimarães...

- Asério? Que bom! - apertou-me ainda mais - Vai aproveitar para ficar em casa de seus pais, é?

- Sim, combinei tudo com a Mariana, e assim vou ao norte e ainda te vejo. - sorri.

- Oh, é super importante para mim que você esteja lá!

- Eu sei, e eu vou tentar estar em todos a partir de agora.

Ele inclinou-se para me beijar e ficamos assim durante bastante tempo, ele guiou-me e voltamos para a sala, ele sentou-me no seu colo e continuou a dar-me beijinhos.

- Fala-me de ti, das tuas raízes.

- Tudo bem, mas depois é você.

- Claro. - disse-lhe.

- Aquelas coisas de onde nasci, onde joguei, você já sabe, então, eu não sei é se você sabe mas eu amo minha família, eu não consigo passar um dia que seja sem falar com eles, meus pais, minha irmã, eles vêm cá às vezes, para matarem um pouco as saudades, e pronto, seeempre que eu tenho férias, de tipo uma semana, eu faço a loucura, e uma surpresa pra eles, porque sei, o que eles vibram com os meus jogos, mesmo estando longe. - ele olhou para mim, dando uma indicação.

- Agora eu? - perguntei, e ele acenou com a cabeça. - Bem, tu também sabes, eu vivi até aos meus 18 anos, numa cidade no norte, agora está a ficar conhecida, mas quando eu era criança pouca gente conhecia. Tive uma infância normal, em casa era super feliz, na escola aconteciam sempre algumas coisas perturbadoras, sabes, por parte das crianças, brincava sozinha muitas vezes. Sempre fui uma das melhores alunas da turma, era a melhor da turma a Matemática, e Geografia, Inglês e História. - sorri e continuei. - Sempre sonhei desde pequena a vir viver para Lisboa, eu acho que a paixão que tinha e continuo a ter pelo Benfica foram uma mais valia. Nunca fui muito de namorar, os rapazes não estavam muito na minha onda, eram muito meus amigos, por vezes, mais do que todas as raparigas, mas até ao 10º ano sempre fui vista assim, uma amiga, que até de futebol falava com eles. Mas não nunca fui maria-rapaz, sempre gostei de me arranjar, mas nunca do tipo de ir com uma super mini-saia e decotes até o umbigo. - sorri - Quanto à família, éramos e continuamos normais, claro que haviam sempre as discussões de casais, mas nada que me afectasse a mim e à minha irmã. Ainda tenho a minha avó paterna, e a família da parte da minha mãe é enorme, somos 50 primos, sendo que 30 já são filhos dos primos, alguns vivem em Corroios e na Charneca.

Ficámos assim a contar mais sobre nós durante algum tempo, depois o David pediu pizzas e pouco depois do jantar eu fui para a minha casa, ele insistiu muito, mas amanhã tinha que se levantar cedo, eu ia aproveitar a manhã para descansar.

Paula

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sétimo capítulo

A campainha tocou, abri a porta e era a Mari, estava super bonita. A Mariana era muito bonita, era practicamente da minha altura (1,73 cm), tem o cabelo cor de caramelo, naturalmente encaracolado, mas ela está habituada a usá-lo liso, a pele dela também é clara, e os seus olhos são azuis esverdeados.

- AAAAAAAAA! - soltou um grito e abraçou-me. - Temos taaaaaaaanto que falar!

- Okok, um dia vou perceber porque gritas sempre aos meus ouvidos. - ri-me.

- Tonta! Vá vamos, - ela própria fechou a porta e ambas nos sentamos nos sofás, tirou da mala um leque de revistas, umas de noivas, e outras mesmo de moda. - Eu vou casar daqui a um mês, preciso urgentemente da tua ajuda, afinal és a minha madrinha, ah! Ainda não te disse quem vai ser o meu padrinho, ou seja, o teu par! Como o Rúben faz questão de que a irmã e o irmão dele sejam os padrinhos, eu escolhi o melhor amigo dele para meu. - O David, que achas? É jeitosinho, não é?

Eu nem queria acreditar no tinha acabado de ouvir.

- Sim, podia ter calhado bem pior. - menti, ele era o melhor par que me poderia ter calhado, mas se lho dissesse ela iria perceber que eu já tinha andado à espreita. - E agora, responde-me a uma coisa, para que essas revistas de moda? Eu já tenho o meu vestido.

- Eu sei, eu sei, ia me esquecendo. - Tirou a Vogue España do monte de revistas, e mudou para uma página específica. - Fala das modelos fotográficas com campanhas magníficas e com tudo para dár certo, e tu estás aqui! Foi por isso aquele grito à entrada!

- Deixa-me ver isso... - ela entregou-me a revista e eu comecei a ler, era uma página inteira, com algumas fotos minhas, de uma campanha que fiz como figurante para a Mango, na campanha em que eu era a rapariga principal para a Stefanel, e uma foto minha, que estava na minha página do Facebook, era eu em cima do palco a cantar, cantei até ao ano passado num bar em Cascais, era um ambiente descontraído dum bar de praia, cantava lá as minha próprias músicas, com a minha guitarra, e por vezes fazia covers. O artigo dizia que eu tinha tudo para fazer campanhas para as melhores marcas do mundo, era muito expressiva e tinha postura para fazer uns filmes. Tinha uma pequena biografia minha, que nem sei onde eles a foram desencantar. - Bem... nem tenho palavras, posso ficar com a revista?

- Claro! Eu comprei 4, já mandei uma por correio à minha mãe e outra aos teus pais, uma fica para ti, e outra para mim!

- Mandaste aos meus pais? OMG! - abracei-a - Obrigada!

- De nada! Bem, estive a pensar, vens comigo a Guimarães para a semana? Por favooor! Por favoor!

- Hum... já tinha pensado nisso, mas só se formos no sábado de manhã para lá. É que o Benfica só joga domingo, mas se eu for ao norte tenho que estar algum tempo com os meus pais e a minha família, ainda por cima, o jantar de família mensal vai ser nesse sábado.

- Por mim tudo óptimo, a tua família não se importava se eu fosse?

- Mari, tu já és da família, onde não te deixam entrar, eu também não entro, que tonta gata!

Passamos a tarde assim, a falar, fizemos umas pipocas e estivemos a decidir algumas coisas para o casamento, o Benfica jogava à hora do jantar, então fizemos uma lasanha e comemos enquanto vía-mos. Perdemos o jogo, 1-0, o David jogou os 90 minutos seguidos, tal como o Rúben, eles tiveram bem, mas a equipa parecia um pouco descoordenada. A Mari iria ficar comigo em casa até à hora de ir buscar o Rúben ao estádio... Quando ela falava com ele ao telemóvel recebi uma mensagem do David.

"Esse não era o jogo bom que eu desejava que fosse depois da noite que passei com você, foi muito esforço, e são sempre cansativas as viagens, vou descansar, preciso te ver, amanhã combinamos? beijo, david"

Fiquei um pouco preocupada, mas tentei que a minha expressão facial não o mostrasse, a Mari ainda estava a falar com o Rúben, e eu respondi logo ao David.

"Não fiques mal, foi um jogo infeliz, mas eu sei o esforço que fizeste para inverter o resultado, os próximo será melhor. E a opinião que tenho por ti não se alterou em nada. Sim, amanhã liga-me de manhã para combinarmos, beijo e descansa, paula."

Assim que acabei de mandar a mensagem a Mariana desligou a chamada com o Rúben, continuamos a falar sobre os preparativos para o casamento até ela sair para ir ter com o seu noivo. Eu fiquei deitada no sofá até tarde, a ver as minhas habituais séries, depois quando já nem aguentava estár com os olhos abertos, subi e dormi até tarde, nem a habitual corrida matinal acordei a tempo de fazer. Lembrei-me que o David me iria ligar então peguei no telemóvel. Ainda não tinha ligado, peguei nele e fui lá abaixo, preparei uma taça de leite com cereais, e aí o telemóvel tocou.

- "Tou, desculpa só ter ligado agora, só agora acordei. Você quer vir almoçar cá a casa?"

- Não tem mal, acordei à pouco também, sim, claro!

- "Sabe onde fica a minha casa, ou precisa que te vá buscar?"

- Eu acho que sei, se me perder eu ligo, está bem?

- "Claro, beijo grande!"

- Beijinhos, gato.

Acabei de comer, e fui preparar-me, tomei banho e estiquei um pouco o cabelo, deixando-o ficar apenas com alguns movimentos naturais. Vesti um vestido preto, simples e curto, o corte era básico, sem qualquer decote, e tinha umas pequenas aplicações cinzentas, que faziam parecer que estava com um colar, as mangas eram até ao cotovelo, justinhas. Calcei umas meias 3/4 da mesma tinha uma pequena fita em seda e uns sapatos altos vintage. Maquilhei-me, mas preferi estar super natural, apenas delineei a parte superior dos olhos e coloquei batom hidratante. Peguei num casaco preto caso tivesse frio e na bolsa.

Conduzi em direcção à casa dele, e depois de tocar à campainha, subi no elevador até ao seu andar. Ele já estava com a porta aberta.

- Oi, - disse e beijou-me de seguida - Já 'tava com saudades suas gatinha.

- Eu também já tinha saudades.

- Entra.
Paula

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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

sexto capítulo

Considero a noite passada como uma das noites mais serenas que já tive, principalmente em Lisboa, e isso veio a piorar desde que passei a morar sozinha, no norte era mais calmo podia dormir com a janela aberta que dormia descansada, em Lisboa é diferente, viver numa casa remodelada praticamente no Bairro Alto é óptimo, por toda a zona histórica à volta, mas por vezes é cansativo.

Acordei a sentir algo a mexer-se, abri os olhos e ainda estava com a cabeça sobre o David, e ele estava a tentar sair sem que eu notasse para me deixar ficar a dormir.

- Bom dia. - disse-lhe e sorri.

- Acordei você? Desculpa, devia ter sido mais cuidadoso. Volta a dormir, eu não faço barulho. - beijou-me.

- Nada disso, - disse-lhe - Se quiseres tomar banho tens ali as toalhas, e tenho t-shirts de homem ali no armário, são do meu primo ele da última vez que esteve cá, teve um exame marcado à última da hora no norte e nem teve tempo de levar nada.

- Não te importas que vá tomar um duche e vista umas camisolas dele?

- Claro que não! Mi casa es tu casa! - inclinei-me e beijei-o mais uma vez. - Queres comer alguma coisa?

- Obrigado, mas não, em dia de jogo todas as refeições têm que ser supervisionadas por nutricionistas. Vou tomar banho, não me posso atrasar, venho já já!

Olhei para o telemóvel e decidi ligar à Mari, não para lhe contar as novidades, até porque não queria contar já, era apenas para saber se ia à figueira da foz.

- Estou, Mari? Vais à figueira hoje?

- "Já acordada? Não vou, o Rúben disse que era uma viagem muito cansativa para ir e vir a conduzir de carro, de manhã e à noite, vou ficar por cá."

- Ok, eu vou estar em casa hoje, queres vir cá passar o serão? Não quero respostas negativas! - o David acabou de sair da casa de banho, pedi-lhe para não falar, assim a Mari nem percebia.

- "Tudo bem, eu vou, depois do almoço?"

- Sim, obrigada Mari! Beijinhos!

- "Beijinhos."

Levantei-me e tirei as quatro camisolas do armário. Ele ainda estava de boxers.

- Aqui as tens, é só escolheres.

- Pode ser a vermelha, hoje o espírito é esse, certo?

- Apenas esse...

Ele vestiu-se rapidamente, as calças de ganga de ontem e calçou também as sapatilhas que tinha trazido ontem, depois pegou na camisola vermelha que ainda estava em cima da cama e vestiu-a. O cabelo dele já estava quase seco.

- Bem, adorava ficar o dia todo aqui com você, mas o trabalho me chama.

- Eu levo-te lá abaixo, - sorri, e descemos as escadas, eu ainda estava de pijama e provavelmente iria ficar assim o resto do dia.

- Você fica bem?

- Claro que fico, a Mariana vem cá passar a tarde, mas eu pensei que talvez fosse melhor se ninguém soubesse disto, é porque quero aproveitar os primeiros momentos apenas contigo.

- Acho que estraguei tudo então. - exitou - Você sabe que eu vivo com o Gustavo, e pra ele não se preocupar eu disse que passei a noite cá em casa...

- Não tem mal, fica um segredo nosso e do Gustavo, - disse e ele aproximou-se para me beijar. - Sem eu estár de saltos fica complicado para ti.

- Se te beijar implica partir as costas então que as parta, porque não vou deixar de o fazê. - sorriu.

Eu corei, e ele passou a mão pela minha cara.

- Acho melhor ir, senão ainda fico por Lisboa, vou pensar em você, gata.

- O jogo vai correr bem. - tentei tranquilizá-lo, porque percebi que sempre que o assunto era o jogo ele ficava mais nervoso.

- Espero bem, eu vou mandando mensagens, tá? - beijou-me outra vez e saiu.

Fui à cozinha e peguei num sumo de kiwi e numa taça de cereais integrais. Liguei a televisão, e estava a dár 'Grey's Anatomy' na Fox Life, sentei-me no sofá e comecei a ver, enquanto comia. Hoje estava a dár um especial da série, e a manhã era apenas composta com episódios desta série. Só me levantei passado três episódios, isto é, passadas 2h15, já eram 12h, e já estava a ficar com fome, então fui preparar o almoço, preparei uma salada e coloquei na grelha um bife de peru. Pensei no David, e que e muito provavelmente estaria a chegar à Figueira, fui ao telemóvel, e tinha uma mensagem dele.

"Oi, acabei de chegar. Não vou poder mandar muitas mensagens porque o quique começa já a berrar, amanhã é meu dia de folga, depois combinamos algo? Beijo, vi"

Antes de lhe responder tirei o bife da grelha e coloquei juntamente com a salada no meu prato, coloquei na mesa e enchi um copo com água. Sentei-me e respondi-lhe.

"Não tem mal :b, sim, amanhã não tenho que estudar e passo o dia contigo, boa sorte para logo. Beijinho."

Comecei a comer, na televisão já estavam a falar do jogo de logo à noite. Coloquei mais alto e vi o debate enquanto almoçava. Quando acabei coloquei a loiça na máquina e fui buscar o meu novo verniz para pintar as unhas, pintei com o Risqué Twiggy, a Mari devia estar a chegar.

Paula

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quinto capítulo

Nem eu própria sabia porque tinha mandado essa sms, liguei a televisão, e o relógio do canal noticiário marcava 19h00, não tinha muita fome, mas sabia que precisava de comer, peguei na sopa que ainda tinha no frigorífico, e comi-a, assim, fria.

Depois, olhei para mim, ainda estava com a roupa do almoço, e achei que não valia a pena mudá-la. Sentei-me no sofá e coloquei o computador nas minhas pernas, o meu msn ligou-se automaticamente, mas opteri pelo 'aparecer offline', se alguém da minha família estivesse on ou uma das amigas que estão longe falaria com eles, mas não, e a única coisa que encontrei foi o Marco, com a seguinte frase 'i miss you, and yes, is because of this that I'm jealous of the other guys.' ('eu tenho saudades tuas, e sim, é por isso que eu tenho ciúmes dos outros rapazes.'). Refleti na frase, desde que ele acabou comigo, nunca me disse que tinha saudades de estar comigo, mas bem, eu nem sabia para quem era a frase e ignorei.

Consultei o meu e-mail, e depois entrei no facebook. Já não ia lá à séculos, tinha muitos pedidos de amizade, mas só aceitei 15, que eram pessoas que eu conhecia.

O meu telemóvel tocou, era o meu pai. Atendi de imediato.

- "Estou, Paula?"

- Olá, Pai!

- "Como tens estado?"

- Muito bem, obrigada, e vocês aí?

- "Também, estamos cheios de saudades! Quando vens?"

- Olha ainda estou a pensar se vou no próximo fim-de-semana, porque também estou com saudades, mas tudo depende dos trabalhos e da marcação dos exames, mas só passou uma semana desde que eu tive aí. Eu daqui a um mês, para a Páscoa estou aí.

- "Eu sei, mas sabes como nós somos, e como o Benfica joga cá, não sabia se vinhas ver com a Mariana."

- Se eu não tivesse exames já estava aí, e também não sei se a Mari vai, se eu não for, eu peço na mesma bilhetes ao Rúben.

Estive a falar com o meu pai, a minha mãe, a minha irmã, e o resto da família que estava com eles, durante bastante tempo. Tenho saudades da minha pequena cidade, das minha pessoas, da minha enorme família, e de ver os meu priminhos crescerem, tenho saudades da comida da mãe, e dos miminhos do papá, às vezes pergunto-me se estaria aqui, se desse valor a tudo isso antes. Quando recebi o dinheiro do catálogo, dei 50% aos meus pais, para eles pagarem o que estava em falta. Eu tinha a certeza que iria sempre ajudá-los, tal como eles sempre me ajudaram a mim.

A campainha tocou, devia ser o David, nem calcei os sapatos, e fui descalça abrir a porta.

- Oi, - disse aproximando-se para me cumprimentar, eu dei-lhe indicação para ele entrar. - trouxe uma caixa de bombons, mas come só quando eu sair, amanhã tenho jogo e tenho que ficar em forma!

- Oh obrigada, senta-te. - sentei-me também - isso não é muito justo, porque no final quem engorda sou eu! - sorri.

- Você podia comer 10 caixas dessas que continuaria maravilhosa.

- Assim deixas-me sem jeito! - corei - O que bebes?

- Pode ser um café, por favor.

- É num instante. A que horas partem amanhã?

Continuei a falar com ele, em minha casa a cozinha praticamente na sala, não havia nenhuma parede a separar.

- Saímos às 10h da Luz. Mas voltamos sempre no mesmo dia.

- Isso deve ser um pouco cansativo, não? - disse ao mesmo tempo que trazia os cafés.

- É, mas eu já 'tou meio acostumado, sabe, a fazer muitas vezes e gente se acostuma. Você ontem veio muito cedo do jantar, depois estár lá já não teve graça.

Corei ainda mais.

- Eu só vim cedo porque estava mesmo cansada, e tu dás-te bem com as pessoas de lá...

- Mas eu já te falei, você ilumina cada sala em que entra.

Ele aproximou-se ainda mais de mim, e eu não o evitei, até porque também o queria sentir mais de perto. Os nossos lábios finalmente se alcançaram, o beijo foi sentido, eu diria apaixonado, mas seria mesmo isso que eu sentia? Só com o tempo descobriria. Os olhos dele lançaram o olhar mais sincero.

- Obrigado. - disse-me.

- Não me tens que agradecer. - sorri. - eu também quis.

- Ainda bem. - sorriu também, e acariciou-me. - Maaaaaas, como um bom cavalheiro que tem jogo amanhã, vou deixar você descansar.

- Não vás, deixa David cavalheiro, e fica comigo esta noite.

- Tem a certeza?

- Nunca tive mais certezas do que as que tenho agora. - beijei-o de novo e subimos. - Precisas de algo? Se quiseres ir à casa-de-banho é ali, tenho uma escova de dentes nova, se quiseres.

- Obrigada gatinha, volto já. - beijou-me na testa, que neste momento, era a única parte do corpo que ele chegava sem ter que se curvar muito.

Vesti um top de alças e uns calções, e estava a pentear o cabelo quando ele me agarrou.

- Vamo prá cama?

- Vamos. - sorri, e depois, voltei a beijá-lo.

Nesta noite limitamo-nos a ficar assim, ambos de barriga para cima, e eu com a minha cabeça sobre o seu peito, ele segredou-me que estava muito feliz, e estava sempre a dár-me beijinhos. Não posso dizer que já o amo, pois apesar de já o conhecer à algum tempo só à pouco é que pensei em gostar dele desta maneira, amar é uma aprendizagem que poderá aumentar com o tempo, gostar, sim, posso dizer que já gosto muito dele.

Paula

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quarto capítulo

Já de manhã acordei cedo, eram 8h45, cedo, para um dia de folga, mas ainda tinha muito que estudar. Se conseguisse! Ontem, mal cheguei a casa, liguei a televisão e deitei-me no sofá, e acabei de dormir nele, resultado? Uma dor de costas!

Levantei-me e fui buscar o meu telemóvel, que tinha ficado na pochette, olhei e tinha duas sms. A primeira era de uma colega da escola a perguntar um nome de um livro, respondi-lhe de imediato, e a outra era do David. Abri de seguida para ver se tinha algo de grave, sim, porque a única vez que ele me mandou uma sms, foi quando a Mari tinha deixado as chaves de casa comigo e bem, eu estava no Porto, mas isso tinha sido à meio ano, ainda a M. vivia comigo!

"Eu outra vez!

Só mandei a sms, pra saber se você chegou bem a casa, e para lhe dizer que adorei ter você como minha companhia para jantar.
Beijo,
David. "

Fui ver as horas em que ele me mandou a sms, 1h57 da madrugada. A esta hora já tinha pensado que eu tinha morrido, ou então que ele era demasiado chato e eu não quis responder. Respondi-lhe.

"Bom dia!

Ontem à noite chegou rapidamente a casa, e como adormeci logo, à hora que me mandaste a sms, tinha acabado de adormecer. A tua companhia também foi óptima.

Beijinho,
Paula"

Liguei a televisão, mas a esta hora, a única coisa que estava a dar eram as notícias da manhã, então resolvi ligar o meu computador, enquanto ele ligava fiz um latte machiatto na minha máquina e peguei nos biscoitos, eu sei que já não estamos com muito frio lá fora, mas este pequeno-almoço anima-me.

No computador, fui ver as capas dos desportivos, e as notícias do Benfica. Eu sou uma benfiquista incurável desde que me conheço, e essa foi uma das grandes razões que me fez sair da minha cidade no norte do país e vir para Lisboa, já era amiga da Mari, e como o Pedro também veio para cá, e o Luís, apesar de ter sido colocado em Coimbra passava a vida cá foi uma mais valia. Os rapazes não estavam a fazer uma excelente época, começaram bem, mas estão a acabar mal. Amanhã jogam com a Naval, se não tivesse que estudar talvez iria ao norte vê-los, mas tenho e muito

Coloquei um CD, no computador, Rod Stewart foi o escolhido para hoje. Tocava a música 'I Don't Wanna Talk About It'. Achei que era boa ideia concluir o trabalho, meti o telemóvel sem som para não ser incomodada e ao 12h00 tinha-o acabado. Fui ao telemóvel, para ver se tinha alguma coisa dos rapazes, e 2 sms, 12 chamadas! OMG! Uma das sms era do David, mas não tive tempo para a ler porque me tocaram à campainha, pelo buraquinho da porta deu para ver... o Marco, o Pedro e o Luís. Abri logo a porta.

- PAULA! - disseram quase em coro.

- Desculpem, desculpem... Tive a terminar um trabalho e como precisava de me concentrar tirei o som ao telemóvel. Entrem. - estava super envergonhada, implorei com os olhos e eles entraram.

- Já estávamos preocupados. - disse o Marco enquanto me abraçava.

- Eu já estava a pensar que tinha de alugar um fato para o teu funeral, e olha que vai ser um mês de gastos! - disse-me o Luís enquanto me piscava o olho, eu limitei-me a fazer-lhe um olhar matador e ele caiu no sofá.

- Esperam um bocadinho, que vou já vestir-me, a propósito, como está o tempo lá fora? -perguntei-lhes.

-Mas tu já estás vestida!

- Eu? - olhei para mim e reparei que tinha dormido com a roupa de ontem, apenas tinha tirado os acessórios e o colar. - Ontem esqueci-me de vestir o pijama, deitei-me a sim.

- Vai lá então, típico dia de Março, nunca se sabe o que contar.

- Rápido, Paula Maria - disse o Luís.

- Eu tenho que me preparar, vou almoçar com os mais gatos de Lisboa.

- E arredores! - respondeu-me prontamente o Pedro, eu pisquei-lhe o olho e subi para me preparar.

Tomei um banho super rápido, e nem sequer lavei o cabelo, tinha-o lavado à umas 18h, e estava perfeitamente saudável e bonito, vesti umas calças, uma t-shirt, completei com um colocar, coloquei um blazer cinzento, completei com uns saltos. Quanto aos acessórios coloquei o meu anel habitual, e na minha bolsa preta, coloquei umas sandálias rasas, que ficam presas aos pés e são óptimas para conduzir.

O almoço foi óptimo, e pude ler a mensagem que o David me tinha mandado.

"Ainda bem, que chegou bem a casa, fico contente por ter gostado da minha companhia. Vai ver o jogo de amanhã."

Respondi-lhe que não ia porque nesta fase tinha que estudar bastante, desejei-lhe boa sorte e disse-lhe que iria torcer por ele.

Acho que estava a engraçar com ele, mas ainda é cedo para saber se sinto algo mais forte, preciso de vê-lo outra vez, talvez possa tentar perceber.

De tarde estive em casa a estudar, afinal o Luís e o Pedro foram para a praia. Enquanto resolvia um exame-modelo, o meu telemóvel voltou a tocar.

"Paula, adorava ver você antes do jogo de amanhã, hoje vou jantar com os rapazes, tomamos um café? beijo, David"

O que lhe iria dizer? Hoje ao almoço disse ao Marco que não iria sair à noite, o dia não me entusiasmava, e preferia passar o serão em casa. Uma parte de mim queria aceitar o convite, mas a outra continuava de pé atrás sobre ele. Hoje ia deixar a cabeça de lado e optar pelo coração.

"Claro, pode ser antes em minha casa? Conto contigo, Paula"


Paula

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