domingo, 7 de agosto de 2011

centésimo trigésimo quinto capítulo [135º] ♥

  

O dia seguinte passou muito rapidamente.
Despedi-me da minha família e rumei para Madrid, mas desta vez, a viagem não foi feita sozinha, como já me tinha habituado. David viajou junto a  mim, sem nunca me largar um minuto.
Chegámos rapidamente às terras espanholas e pude, aliás, pudemos, pegar na nossa filhinha ao colo, e comprovar como ela tinha sido bem tratadinha com a minha melhor amiga, Adriana.


*


Apesar do tempo muito bem passado na companhia dele, tudo que é bom passa rápido, e ele teve de ir para as terras da Rainha D. Isabel nessa noite. Ficando eu no apartamento com a Yas e a Dri.


- Hoje passo aqui a noite! – disse Adriana atirando-se para cima do sofá

- Ei, que confianças são essas, Adriana Maria?

- Até parece, tu casa es mi casa, mi amor! – ela disse num espanhol perfeito o que me fez rir carinhosamente

- Muito sabes tu, sabichona!

- Sei tudo muito bem! – empinou o nariz, que só por si já era empinado

- Pois já vi que sim! Então faça o favor de ir ao meu armário para vestir um pijama e cama!

- E cama? Cama contigo, óh!

- Cama comigo! Só vou vestir a menina e já lá vou ter!

- Assim gosto mais! – ela levantou-se molengona do sofá – Vengo ya!

- Eu estou no quarto da Yas! – sorriu e peguei na minha filhinha ao colo que se ria imenso


Mudei-lhe a fralda, vesti um pijaminho quentinho para ela, que ficou no seu berço de princesinha. Liguei também o intercomunicador para ouvir cada detalhe do som dela, na minha mesinha de cabeceira.

  

Quando cheguei ao quarto, Adriana escovava os seus cabelos sentada em frente ao espelho, coisa que só fazia porque os seus lindos caracóis foram substituídos por um cabelo esticado com a chapa.


- Sempre vaidosona, ein?

- Shiu, veste esse pijama e cama, Paula Marie!

- E você manda, mas cama também, amor! – disse enquanto vestia o meu pijama, e só fui à casa de banho para escovar os dentes e fazer as necessidades básicas

- Boa noite, princess… - disse Adriana que já estava deitada, assim que eu levantei o lençol e o cobertor

- Boa noite, anjo da guarda…




 DOMINGO: 12 de Fevereiro de 2012


Acordei e reparei que Adriana já não estava comigo e que o intercomunicador da pequenina estava ligado. Saí da cama num sobressalto e corri para o quarto da minha filha. Felizmente, o quadro que vi, foi melhor que o que esperava. A Yasmin estava no berço e Adriana debruçada a brincar com ela. Assim que notou a presença de alguém olhou para trás e sorriu.


- Anda mamã! Esta pequenina está com fome! – disse carinhosamente

- Estou a ir, estou a ir! – disse animada

- Eu vou preparando o nosso pequeno-almoço! – piscou-me o olho, beijou-me na testa e saiu


Peguei na minha filha e passado pouco tempo, já lhe estava a dar de mamar.
Era o acto mais natural e gratificante da minha vida, dei-lhe uma vida, e agora alimentava-a. Dei até ela se afastar e depois de tapar o meu peito, levantei-a e juntei-a a mim para que ela pudesse arrotar. E, ela fê-lo muito bem e rapidamente.
Peguei nela e pousei-a no sofá, resguardada com as almofadinhas à sua volta.


- Anda para a mesa, Paulinha babadinha! – ela riu-se e quando eu olhei estava uma mesa digna de uma telenovela

- Obrigada, pequenina! – disse e dei-lhe um beijinho na testa



**



Como este, outros dias vieram, mas desta vez era eu só com a minha filha, porque a Adriana tinha trabalhos e um namorado com quem vivia.
Para meu espanto, David ligava-me todos os dias e a conversa não era só sobre a nossa filha, mas sim sobre nós, e eu estava a gostar disto, e a sentir cada vez mais saudades de o ter comigo.
Combinámos um fim-de-semana em Londres, só os dois e a nossa bebé, e passada uma semana, lá chegou ele.



**



SEXTA-FEIRA: 17 de Fevereiro de 2012

Depois de uma viagem de uma hora e um quarto, cheguei com a minha bebé a Londres.
Eu ia normalmente vestida, umas calças de ganga, uns saltos e uma t-shirt, com um casacão na mão. E a Yasmin, ia como uma autêntica princesinha.



Depois de pegar nas bagagens, saí com a bebé no meu colo para a zona de chegadas, e vi logo depois o David à nossa espera.
Ele estava com um hoodie lindo, com o capuz posto, umas calças de ganga normal e uns ténis pretos da Nike.
Assim que nos viu chegar esboçou um sorriso enorme e aproximou-se. Deu um beijinho na filha, e quanto a mim, só sei que não estava nada à espera daquela recepção vinda da parte dele.



Paula 
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sábado, 23 de julho de 2011

centésimo trigésimo quarto capítulo [134º] ♥




Acordei passadas umas horas e um pouco confusa, tinha-me fartado de sonhar, mas não me recordava de nada.
Ouvi um barulho vindo de fora, e um cheiro que me trazia memórias percorreu-me nas narinas,  ele devia estar a cozinhar.
Levantei-me e tirei a roupa, tinha dormido com o vestido, e vesti um pijama bem quentinho.
                         

Sai do quarto e fui até à cozinha, onde lá estava ele, agora sem o hoddie e com a t-shirt a cozinhar para mim. Identifiquei logo a comida que ele estava a preparar, macarrão com atum, um dos primeiros pratos que ele preparou para mim, no Inverno gelado de Lisboa.


- Hum, Boa Noite… - disse ainda embalada no sono

- Boa Noite, dorminhoca… - ele virou-se e sorriu – Dormiu bem, pequenina?

- Dormi, Vi… - beijei-o nos lábios – Foi muita seca sem mim?

- Não… Tive vendo televisão… E seus pais ligaram a dizé que iam comé nos seus tios e vêm tarde, então fui preparando a comida…

- Oh, não precisavas… - disse sem jeito

- Claro que precisava… Amô, me dá as taças para a massa? Já mexi bastante…

- Podes mexer… Mas estão aqui! – ela meteu-as na banca e ele encheu de massa

- Coloquei as coisas na sala, assim tá a lareira e tá mais confortável…

- Obrigada… - disse sincera e olhei-o nos olhos

- De nada, meu amô… - ele esboçou um sorriso lindo e beijou-me na testa – Vem… - ele deu-me a mão e sentámo-nos a comer no sofá


O serão foi agradável, tenho de admitir, o David foi super querido e não deixou que em algum momento me lembra-se da minha avó e ficasse mais triste.

**

- Hum, amô… Amô… - ouvi o David, mas a sua voz parecia distante

- Hum…

- Acorda só um pouquinho…

- Para quê?

- Para se deitá, que eu tenho que ir embora… Seus pais já chegaram…

- Fica comigo, Vi… Fica… - pedi inconsciente

- Hã?

- Dorme comigo… Deita-me na cama e não me deixes…

- Cê qué?

- Quero! Muito, Vi…


Senti-o pegar em mim, deitou-me na cama e lembro que pedi para que ele me abraçasse… Adormeci rapidamente e muito quentinha, nos braços do homem que amava, mesmo depois de ter sido trocada.



Paula 
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(meninas, não se esqueçam de seguir o blog, assim que atingir 100 seguidores, irei escolher aleatoriamente, pelo random, um miminho! :b )

quinta-feira, 14 de julho de 2011

centésimo trigésimo terceiro capítulo [133º] ♥


- Boa noite… - um médico veio ter connosco

- Boa noite, doutor… Novidades sobre o estado médico da minha mãe? – disse o meu tio nervoso levantando-se

- Lamento imenso… Ela não conseguiu resistir…


Foram apenas precisas essas palavras para nos deixar todos mais em baixo ainda. Eu, acompanhada com os meus primos, sentamo-nos no chão a chorar, enquanto o meu pai e os irmãos estavam de pé, abraçados e conformados.

**
QUARTA-FEIRA: 10 de Fevereiro de 2012

Era o dia do funeral, a última despedida.
Esta muito frio e o céu indicava que ia começar a chover torrencialmente. Não comia desde que cheguei de Madrid, não conseguia. Tomei um duche quando me levantei e vesti uma roupa quente e de luto, obviamente.




**

Chegámos à aldeia onde iria ser a missa de despedida e depois o funeral. Estava um “frio de rachar” e o ambiente estava tão mau que eu não aguentei e saí para chorar cá fora à vontade, e assim o fiz.
Uma mão quente pousou-se no meu ombro e senti um respirar calmo junto ao meu ouvido. O meu coração disparou a mil e voltei-me para ver quem era.
Era ele, o homem da minha vida.


- David… - disse com os olhos rasos de lágrimas

- Shiu… Vem cá, muleca… - ele abraçou-me e eu chorei como uma bebé

- Vieste, David… Vieste…

- Claro que vim… Tenho que cuidá da minha vida… E minha vida é você… Eu te amo, Paula…

- E eu a ti… Apesar de tudo!

- Agora vamos cuidá de você… Quer ir lá dentro ou prefere ficá aqui?

- Eu já me despedi dela… Não consigo entrar mais…

- Então ficamos aqui a cuidá de você… - ele apertou-me mais para ele e eu tremi durante o soluçar

- Está com frio?

- Não… - sorri levemente


Na verdade tinha estremecido pela proximidade dos nossos corpos. Apesar de tudo, era ele quem eu amava, era aquele homem que sempre apareceu nos meus sonhos, e aquela proximidade novamente,  deixava-me nervosa.


- Mas tremeu… - ele disse calmamente

- Já passou… - voltei a sorrir e amarrei-me mais a ele

- Vai ficá tudo bem, amô…  Eu vou te apoiá sempre…

- Não imaginas como tem sido difícil sem ti… - disse com os meus olhos rasos de lágrimas

- Nós te… - ele foi interrompido

- Paulinha… Vamos para o cemitério, vens? – disse uma senhora da aldeia

- Vou sim! Eu vou já! – ela voltou a entrar pela igreja, eles saíam pela porta de trás – Vens, Vi?

- Vou… - ele sorriu levemente e juntou-me a ele

**

Caminhámos abraçados até ao cemitério, sob o olhar de toda a gente que ficou surpresa por vê-lo ali (ele só tinha ido uma vez àquela aldeia),  depois de tudo e além disso, ver-me “bem” com ele, novamente.

O funeral e o ambiente no cemitério tornou-se um dos momentos mais dolorosos da minha vida, ali não estava só eu a sofrer, estavam também pessoas que eu amava, a minha família.

**

- David… - disse baixinho e ele veio ter comigo – Vou ficar aqui um dia, e só depois é que vou para Madrid para a nossa filha…

- Eu fico no hotel e depois vou para Madrid com você…

- E o Chelsea? – perguntei

- Tenho jogo no domingo, só preciso de ir lá sábado à noite, já falei com o mister…

- Obrigada, David… Obrigada… - abracei-o e chorei durante algum tempo, enquanto ele balançava o corpo para me acalmar

- Não vás para o hotel… Fica em casa dos meus pais…

- Depois de tudo o que eu fiz a você eles não iam gostá da minha visita, Pauwinha…

- Eles sabem que eu preciso de ti, comigo… Fica, por favor… - os meus lábios acabaram por formar um beicinho perfeito enquanto os meus olhos estavam completamente cheios de lágrimas

- Fico, não chora… - ele beijou-me nas pálpebras – Quer que eu te leve a casa? Precisa descansá um pouco… - acariciou-me

- Sim… Os meus pais só vão lá mesmo de noite…

- Então se despede das pessoas que eu tenho um carro alugado e te levo…

- Venho já, amor… - beijei-o no canto da boca e fui despedir-me das pessoas, regressando rapidamente – Aqui estou eu! -  sorri

- Vamo, princesa?

- Vamos…


Entramos num carro óptimo, que nem parecia ser alugado e depois de colocar o cinto e de ele arrancar rumo à casa dos meus pais, senti a mão dele na minha perna. Acariciei-a primeiro e depois uni-a à minha.


- Que saudadji… - ele disse suspirando

- Eu também tinha muitas… - tirei o cinto e fiquei amarradinha a ele, pelo seu braço direito

- Vai come algo e dormi, amô…

- Não me deixas, David? Não vais embora? – perguntei cheia de medo, que ele fizesse a mesma coisa que já fez no passado

- Não te deixo nem vou embora… Só no sábado que vou para Madri…

- Desculpa ter deixado a nossa filha em Madrid… - disse pois prometi que não a ia largar um segundo

- Deixou com gentji de confiança, certo? Então não pede desculpa, bobinha! – ele deu-me um beijinho na testa

**

Chegámos a casa rapidamente, ele aqueceu-me arroz de pato que os meus pais tinham no forno e “obrigou-me” a comer tudo o que estava no prato.
Pela primeira vez depois de ele ter partido e mesmo a minha avó ter partido mesmo agora, sentia-me segura, confortável… Mas o medo de ser deixada e de o passado voltar invadia-me, e isso não podia negar.


Paula 
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domingo, 10 de julho de 2011

centésimo trigésimo segundo capítulo [132º] ♥



QUARTA-FEIRA: 8 de Fevereiro de 2012

Acordei cedo com o choro da minha pequenina, levantei-me e depois de lhe mudar a fralda e lhe dar de mamar, voltou a adormecer como um anjinho.
Como não ia conseguir adormecer novamente e estava cheia de fome, fui até à cozinha e comi uma fatia de bolo de laranja acompanhada com um sumo de laranja natural.

I hope you're feeling happy now/ I see you feel no pain at all it seems/ I wonder what you're doin' now/ I wonder if you think of me at all/ Do you still play the same moves now/ or are those special moods/ for someone else/ I hope you're feeling happy now

O meu telemóvel tocou e eu apressei-me a atender. O visor indicou-me que era o meu pai, e apesar de ser estranho ligar-me tão cedo, atendi super animada.


- Papii! Que saudades! – disse super energética

- Bom dia, nós também temos muitas saudades vossas… - a voz dele estava rouca e falhou

- Que se passou? – disse rapidamente e num tom super preocupado

- Tem calma, sim? Eu só liguei porque a tua irmã insistiu…

- Pai, podes dizer-me o que se passou?

- A tua avó…

- O que é que aconteceu à ‘vó, pai? – disse já com lágrimas nos olhos

- Ela sentiu-se mal, está no hospital…

- Os médicos já disseram alguma coisa?

- Diagnosticaram-lhe cancro no fígado super avançado…

- Não… - o caí no chão e solucei

- Decerto é melhor não vires, por causa da menina…

- Não! Eu vou! Eu vou! Pai…Ela está onde?

- No distrital…

- Em duas, três horas estou aí! – disse rapidamente – Calma, pai… Amo-te muito!

- Eu também… Tem cuidado na viagem…

- Tenho sempre… - desliguei a chamada


Não tive tempo de parar e começar a chorar, não tive tempo de pensar em nada. Só tive tempo de ligar à minha agente que me marcou viagem dali a uma hora para o Porto. E agora, com quem é que a minha menina ficava? Só me veio à cabeça o nome de Adriana, a minha melhor amiga, que vivia a 5 minutos da minha casa. Marquei o número dela, e os 30 segundos que ela demorou a atender, pareceram-me uma eternidade.


- Amor?

- Oioi, amorzão! – ela disse super bem disposta

- Preciso de um favor teu…

- Diz-me, meu amor!

- Tenho de ir para Portugal, amor… A minha avó está no hospital… Ficas-me uns dias com a Yas? Eu tenho leite do meu, preparo-te a roupinha… Deixo-te tudo pronto…

- Claro, amor! E vais sozinha?

- Vou, amor… A minha família está lá toda…

- Estou aí em 5 minutos para pegar na menina e te levar ao aeroporto…

- Não precisas de me levar, amor…

- Claro que preciso! És a minha melhor amiga! Nunca irias sozinha! 5 minutos!

- Obrigada, amor! Amo-te muito!

- Shiiiiu, eu também, princesinha! – desliguei a chamada


Fui até ao quarto, beijei a minha filha e fiz a mala dela, com tudo o que era necessário. Depois, peguei numa mala e coloquei roupa e as minhas coisas, não para muito tempo, poderia voltar para vir buscar mais coisas, dependendo do tempo, mas tinha a minha filha e não podia ficar longe durante muitos dias. Vesti uma roupa super simples e apanhei o cabelo.



Ouvi a campainha tocar, abri a porta e lá estava ela… Abraçou-me e durante aquele tempo chorei tudo que engoli depois do telefonema do meu pai. Com ela, apesar de tudo, sentia-me bem, segura, e sei que nunca me deixaria cair, por mais voltas que a vida desse.


- Bem, vamos lá que isto não é vida! – ri-me levemente e limpei as lágrimas

- Vou cuidar da tua filha, melhor que ninguém!

- Oh, isso não duvido, pequenina! – beijei-a na bochecha e fui ao quarto onde ela dormia, beijei muito a pequenina e dei muitos miminhos, colocando-a no ovo – Prontinha para ir à casa da tia Drica!

- Bem, Adriana, se faz favor! Drica é que não! – resmungou

- Shiu, óh! Eu é que sei! Respeitinho!

- Vou pensar se to dou! – riu-se

- Bem! – impinei o nariz e peguei na minha mala – Estou pronta!

- Vamos, amor!


E assim foi, ela levou-me ao aeroporto e o mais doloroso foi mesmo a despedida da minha Yasmin.
Assim que aterrei em Portugal, tinha o Pedro à minha espera, que me deu um abraço reconfortante e me deu muita força.
A chegada ao Hospital foi das piores entradas num edifício da minha vida. Era a parte dos cuidados intensivos, tudo chorava e finalmente vi a minha família ao fundo, estavam lá todos: os meus pais, a minha irmã e o marido, os meus tios, os meus primos, os meus tios-avós e também alguns vizinhos da minha avô, que viviam na aldeia onde ela estava.
As lágrimas corriam-me pelo rosto, e assim que pude, abracei o meu pai fortemente, abafando o choro desesperado no ombro dele.


- Eu quero vê-la, pai… - solucei

- Já ninguém a pode ver, Paulinha… Só os filhos puderam, e está nas últimas…

- Não, pai! Não podem atirar a toalha ao chão!

- Temos que esperar, mas temos de esperar o pior…

- Ai… - voltei ao meu choro desesperado

- A bebé?

- Ficou com a Adriana, pai…

- Ao menos está em boas mãos…


E assim foi, ficámos cerca de 3 horas sem nenhuma notícia, num choro desesperado, mas com a esperança que caracterizava a minha família. Só nos restava esperar e rezar e unir-nos.


Paula 
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sexta-feira, 1 de julho de 2011

centésimo trigésimo primeiro capítulo [131º]


SEGUNDA-FEIRA: 19 de Dezembro de 2011

Acordei depois da hora de almoço com uma dor de cabeça, levantei-me devagarinho e fui tomar um banho. Hoje tinha uma entrevista para a VOGUE britânica, os dois dias seguintes eram destinados à sessão fotográfica, cujas fotos iriam acompanhar a entrevista.
O banho foi relaxante e depois disso vesti uma roupa super quentinha, pois para além de estar um dia gelado, estava também muita neve.



***

Correu tudo lindamente, e como previ que ia estar cansada o resto dos dias deixei que o David ficasse com a Yas, mas também porque tudo o que eu menos queria era dar novamente de “caras” com ele.

***

QUARTA-FEIRA: 21 de Dezembro de 2011

Saí da sessão fotográfica já muito tarde, mas como no carro da minha agente já tinha as malas e faltavam 4 horas para o voo, decidi ir logo buscar a minha pequenina linda.

“Prepara a menina que daqui a pouco passo aí para a ir buscar.”

“Ok, só vou vestir ela, toca na campainha…”

“Tudo bem.”


Assim o fiz, mal o carro parou em frente à casa, que outrora também fora minha, toquei à campainha.


- Entra! – David abriu a porta sorridente

- Obrigada… - entrei


Tudo na casa estava igual desde que eu a deixei, não encontrei um único apontamento diferente. As memórias vieram rapidamente, todas misturadas e as boas recordações que aquela casa me trazia, todas as juras de amor, todos os sorrisos, as gargalhadas e os olhares cúmplices.


- Vou buscá ela lá acima, esteja à vontade! – a voz do David interrompeu-me o pensamento e esperei de pé, exactamente no mesmo lugar, junto à porta, mas esta já fechada – Aqui está nossa princesa… - ele estava com um sorriso radiante


Assim que ele me deu a bebé para os braços olhei e apertei-a para mim, estava a morrer de saudades.


- Oh coisa boa da mamã, oh minha pequenina linda! – enchi-a de beijinhos e ela riu-se muito – Sabe bem, é, bichinha?

- Ela estava cheia de saudadji sua… - David olhava-nos

- Também eu dela… Nós vamos indo, David… Dá-lhe um beijinho e vamos…


Ele deu-lhe um beijinho.


- Adeus, David… - abri a porta para sair

- Bom Natal, Pauwinha…

- Igualmente… - saí

***

O Natal foi passado no norte do país com a minha família, deu para matar saudades dos meus pais, dos meus tios, primos, da minha irmã, do meu afilhadinho, e para toda a família conhecer a minha Yasmin.

***

SÁBADO:  31 de Dezembro de 2011

Último dia de um ano completamente louco! O Marco fez uma festa calminha em casa dele e eu decidi ir mais a Yasmin, o ambiente era muito familiar e queria que ela se habitua-se a precisamente isso…
Vesti um vestido lindo e deixei o meu cabelo um pouco mais liso do que o costume.



Conduzi para casa dele, e as últimas horas da noite foram bem divertidas.
A certa altura o telemóvel deu bip de mensagem e eu abri-a assim que o alcancei.

“Bom ano novo, meu anjo… Te desejo tudo de bom e muita felicidade. Beijo, Vi”

Respondi friamente.

“Para ti também. Paula”

Voltei para a festa onde aproveitei muito e mimei também a minha bebé linda.

**

O David não parou de mandar mensagens, mas depois de tudo o que ele me fez, tornara-me difícil, não só para ele, para todos os rapazes.
Passaram-se dois meses e na minha vida estava exactamente igual, menos a Yas que estava maiorzinha…




Paula 
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domingo, 19 de junho de 2011

centésimo trigésimo capítulo [130º]


- O que é que estás a fazer no meu camarim? Importas-te de sair? Preciso de me vestir, David!

- Calma, mó… Só tava aqui com nossa filha linda… É igual a você…

- David, em primeiro lugar não me chamas isso, em segundo sai daqui! Vá, que eu tenho que me vestir…

- Não me fala assim, Pauwinha…

- Queres que fale como? És o maior cabrão que eu conheço, David! O homem que mais me magoou! A pessoa que mais me desiludiu…! Eu, eu… Eu…

- Cê me odeia, não é?

- Não! O problema é que eu tenho nojo de mim por não te odiar!

- Oh amó… - ele estava com os olhos rasos

- Vai chamar amor à outra, David! Tu deixa-me em paz! Sai daqui, tenho que me vestir!

- A Juliana e eu não temos mais nada…

- Não quero saber! Sai! – gritei e a pequenina começou a chorar – Merda! Sai, David, por favor! – peguei na minha filha e aconcheguei nos meus braços – Depois digo-te para veres a bebé…

- Está bom… Posso dar um beijinho nela? – ele pediu com os olhos rasos


Eu amava o David, queria-o muito e queria esquecer tudo o que passei e voltar para ele, mas foi como uma traição… E deixou-me só com a bebé na barriga… Que tipo de homem faz isso à mulher que gosta? Nenhum, e talvez por isso é que duvido do seu amor por mim… Duvido daquelas palavras carinhosas e românticas a que ele me habituou.
Mas vê-lo assim, fazia-me lembrar do meu David… Do David que fazia com que a minha vida era um conto de fadas e ver o meu David com os olhos rasos fazia-me vacilar, partia-me mais um pouco o coração, em mais um bocadinho pequenino dos que já se tinham partido antes, vezes sem conta.


- Podes, vem cá… - sorri e olhei para a minha bebé – Diz olá ao papá, Yas, diz… - dei-lhe uma carícia na testa, e ela assim que sentiu o toque de David soltou um riso quase perfeito – Parece que gostou do papá…

- É tô vendo que sim… - uma lágrima caiu-lhe pelo rosto e ele parecia que nem notou

- Podes passar esta noite com ela… - enxuguei-lhe as lágrimas

- Desculpa não notei disso, não… - riu-se timidamente – Cê vai ficá cá?

- Só três noites e depois volto para Madrid!

- Hum, posso ficá mesmo com ela esta noite?

- Podes, podes passar com ela mais tempo, até… Se quiseres enquanto eu estou nas sessões fotográficas e nas entrevistas… Só, por favor, não quero a Juliana a pegar nela…

- Já te falei que a Juliana e eu não temos mais nada, não…

- Não? – ergui a sobrencelha

- Não… Eu amo você, e eu sei que a realidade veio tarde, mas eu sempre soube… O antigo e verdadeiro Davi’ está de volta…

- Pena que o antigo David tenha que encarar uma nova realidade…

- Eu sei… - ele baixou a cabeça – Cê está perfeita, sua actuação foi maravilhosa…

- Obrigada… - sorri timidamente – Importas-te de sair, tenho que me vestir para a se receber algum prémio…

- Claro que não…

- David? – chamei quando ele ia a sair

- Sim…

- Estás lindo, esta noite… - disse corada

- Cê que tá gata, até já… - esboçou um, sorriso maravilhoso

- Até já… - sorri e comecei imediatamente a vestir-me


O cabelo manteve-se e na maquilhagem apenas removi o batom vermelhão e coloquei um mais nude, para não fazer “competição” com o vestido.


- Vais lá para dentro ou ficas com a Yas?

- Ela tem ama, aqui?

- Sim…

- Então vou lá para dentro te vé…

- Vamos… - a ama rapidamente voltou para dentro do meu camarim e nós fomos para os nossos lugares, que eram relativamente perto um do outro


Acabei por ganhar um prémio de melhor artista ao vivo, dediquei-o inteiramente aos meus fãs e à minha bebé linda.
Voltei para o camarim depois de tirar as fotos com o prémio e rapidamente troquei de roupa para a minha actuação que era a última do espectáculo.


Os aplausos foram super entusiastas, a minha espinha tremeu toda e os meus olhos encheram-se de lágrimas. Voltei para o camarim, estive com o David um segundo para lhe entregar a bebé e coloquei-me num táxi para ir para o Hotel, o meu corpo reclamava muito cansaço…





Paula 
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sexta-feira, 10 de junho de 2011

centésimo vigésimo nono capítulo [129º] ♥




QUINTA-FEIRA: 8 de Dezembro de 2011


Os últimos 6 meses foram os mais difíceis da minha vida. O David oficializou a relação com a Juliana aos fãs e a Mariana foi com eles, foi a maior facada que pudera fazer.
A Adriana tinha-se tornado a melhor amiga do Mundo e não me largou nem um segundo que fosse.
Os meus fãs tiveram sempre comigo! O que fez com que as sessões fotográficas e até os concertos não parassem, e por falta de tempo, larguei o Hotel do Marco.
Apesar da minha infelicidade toda, a gravidez foi calma, e tudo o que eu mais queria agora era ver a minha Yasmin, um nome brasileiro que significa “flor branca. Nasceu para conhecer o sucesso e ser feliz. Transpõe todas as barreiras.”.

Hoje era o grande dia, acordei, vesti uma roupinha bonita com um casacão em cima para combater o frio.






O parto foi calmo e demorou apenas 20 minutos.
Sim sofri, doeu muito, e não tinha o David para me apertar a mão e por opção, mais ninguém ali estaria.
Os meus olhos encheram-se de lágrimas quando ouvi o choro da minha Yas e, depois de lhe darem o banhinho ela veio para os meus braços, onde pude comprovar que para além de perfeita era linda e cabeluda, muito cabelo loirinho.


- Oh minha princesinha linda… Oh amorzinho da mamã! – enchi-a de beijinhos – Quem é a coisa boa da mamã, quem é? – mergulhei-me na sua barriga e os meus beijinhos fizeram que ela se ri-se.

- Menina, vamos ter que levar a bebé para fazer exames, mas se tudo correr bem amanhã já está em casa!

***

SEXTA-FEIRA: 9 de Dezembro de 2011

Regressei a casa e desde logo comecei a cuidar da minha filhinha linda, descobri que nada me pode fazer desistir da vida com ela a meu lado, com uma filha linda, que saiu de mim, que se alimenta de mim e que mais do que nunca, precisa de mim para estar bem.
O telemóvel deu um bip de mensagem e eu abri-a assim que o alcancei.

“Oi, Paula, recebi sua mensagem avisando da nossa menina. Estou acabado de chegar a Madrid para ver ela, onde acha que posso fazê-lo? Beijo, Vi”

“Em minha casa, na rua xxxxxxxxxx. Toca à campainha, que no quarto da bebé não se ouve. ”

- Paulinha, a bebé acabou de adormecer. – disse o Marca acabado de vir do quarto dela

- Obrigado, amor… - sorri – Olha, o David vem cá, mas não te incomodes, és-me muito mais que ele…

- Eu sei, coisas de melhores amigos! – beijou-me na testa

- Isso mesmo, Marquito!


Ficámos algum tempo a conversar e depois quando tocaram à campainha, pedi ao Marco para abrir, pois eu já tinha a bebé no meu colo.


-  VISÃO DO DAVID  -

Toquei na campainha do apartamento que ela me tinha mandado por mensagem. Dentro de mim havia uma sensação estranha, uma neném que tinha sido fruto do meu amor com a Paulinha. Tinha saudades delas, mas a Ju me matava se eu lhe ligasse, mesmo que fosse para a minha filhinha. A Ju veio comigo, fez questão e apesar de eu não querer, estava com ela agora, não lhe podia fazer uma coisa destas.


- Olá, boa tarde, entrem… - o Marco apareceu na porta e o meu coração desmoronou 


Será que eles estão juntos, agora? Oh meu Deus! Perdi ela de vez!


- Oi… - ele sorriu e entrou, deixando Juliana para trás

- Olá, David… - Paula sorriu forçosamente

- Oi, Pawinha…

- Queres pegar na bebé?

- Sim, por favó! – ela estendeu-me e a neném tinha tudo igual à Paula, os olhinhos grandes, as bochechas com uma covinha linda, muito cabeluda, uns lábios fininhos e perfeitos, de mim, só tinha a cor de cabelo, e muito provavelmente a cor dos olhos, estava emocionado e aposto até que devo ter ficado com os olhos rasos de lágrimas – É tão linda… Que nome cê escolheu?

- Yasmin. Vocês querem beber alguma coisa, ou assim?

- Pode sé um café para mim! – Juliana disse prontamente – Dois, porque o Davi’ me acompanha sempre! – ela me beijou

VISÃO DA PAULA

- Eu vou buscar, ajudas-me Marco?

- Claro, amor… - ele seguiu logo atrás de mim para a cozinha – Calma, sim? – ele deu-me a mão

- Sim, mas eu odeio tanto, Marco, tanto, tanto!

- Calma…

- Como é que ele tem coragem de dar notícias passado mais de meio ano, chamar-me Paulinha e vir com a outra ver a bebé?

- Indiferença é o melhor remédio para ele… - ele piscou-lhe o olho e tirou os cafés – Vamos…


Fomos para a sala e o ambiente entre David e Juliana estava tenso, nem amigos pareciam quanto mais namorados… Mas também já não queria saber, já não era da minha conta e o que eu agora queria era seguir em frente, ser feliz, finalmente.


- Cê fica tomando dela? Temos que falá sobre os fim-de-semanas e assim…

- Sim, eu fico com ela, fui eu que fiquei com ela a gravidez inteira… Se quiseres dias contacta o meu advogado…

- Tudo bem… Cê tá pensando ir a Londres, proximamente?

- Na próxima semana… Para os Grammys… Tu vais…? – sorri, mas a realidade veio ao de cima – Vocês vão?

- Só eu… - respondeu David prontamente – Vou com um colega do clube…

- Então vês a Yas lá, nos camarins… - sorri


A conversa fluiu, eu e David trocamos olhares que só nós conhecíamos… Uns “Amo-te…”, “Eu também…”, “Tenho saudades…”, “Mas tu tens outra agora…”, rematado com um sorriso irónico, eles voltaram para Londres passadas umas horas e eu fiquei só com a minha bebé em casa.


- Então, pequenina? Vamos papar, para depois dormires e deixares a mamã descansar um bocadinho, vamos? – disse tocando com os meus lábios no nariz dela, dando ao surgimento de uma gargalhada

**

Cada momento foi vivido com intensidade naquela noite e nos dias que se seguiram, podia doer-me sempre que a Yasmin amamentava, mas era das coisas mais mágicas que vivi e estou a viver na minha vida.



DOMINGO: 18 de Dezembro de 2011

Tinha chegado a Londres à 4 horas, obviamente tinha que levar a minha bebé, e apesar de não ser tão aconselhado viajar com tão pouco tempo o meu médico disse que a saúde dela estava assegurada.

Levei-a para o camarim que tinha, era eu que ia abrir e encerrar a gala com actuações. Depois, preparei-me, vesti uma roupa muito simples, mas que contrastava muito com a minha pele super morena. Estiquei o meu cabelo e, na maquilhagem destaquei apenas os olhos, que ficariam depois ainda mais perfeitos usados com a roupa da primeira actuação.




Chegada a hora fui para a passadeira vermelha, onde já não estava à muito tempo, e fotografei, mas recusei falar aos jornalistas.
Vi-o ao fundo, lindo de morrer (como sempre!!) e com o amigo que ele falara, antes que ele me visse desviei o olhar e continuei a falar com as pessoas ao meu redor.

**

A hora do começo da cerimónia chegou rapidamente, assim como a mudança para uma roupa mais provocadora.


A actuação foi toda provocadora e tentei descarregar toda a minha raiva, a imagem do David e da Juliana não me saiu da cabeça nem durante um segundo. No final, antes de me dirigir aos camarins fui tirar fotografias oficiais com aquela roupa, o que me fez demorar algum tempo e deparar-me com uma imagem que não esperava quando lá cheguei.

Paula 
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