sexta-feira, 1 de julho de 2011

centésimo trigésimo primeiro capítulo [131º]


SEGUNDA-FEIRA: 19 de Dezembro de 2011

Acordei depois da hora de almoço com uma dor de cabeça, levantei-me devagarinho e fui tomar um banho. Hoje tinha uma entrevista para a VOGUE britânica, os dois dias seguintes eram destinados à sessão fotográfica, cujas fotos iriam acompanhar a entrevista.
O banho foi relaxante e depois disso vesti uma roupa super quentinha, pois para além de estar um dia gelado, estava também muita neve.



***

Correu tudo lindamente, e como previ que ia estar cansada o resto dos dias deixei que o David ficasse com a Yas, mas também porque tudo o que eu menos queria era dar novamente de “caras” com ele.

***

QUARTA-FEIRA: 21 de Dezembro de 2011

Saí da sessão fotográfica já muito tarde, mas como no carro da minha agente já tinha as malas e faltavam 4 horas para o voo, decidi ir logo buscar a minha pequenina linda.

“Prepara a menina que daqui a pouco passo aí para a ir buscar.”

“Ok, só vou vestir ela, toca na campainha…”

“Tudo bem.”


Assim o fiz, mal o carro parou em frente à casa, que outrora também fora minha, toquei à campainha.


- Entra! – David abriu a porta sorridente

- Obrigada… - entrei


Tudo na casa estava igual desde que eu a deixei, não encontrei um único apontamento diferente. As memórias vieram rapidamente, todas misturadas e as boas recordações que aquela casa me trazia, todas as juras de amor, todos os sorrisos, as gargalhadas e os olhares cúmplices.


- Vou buscá ela lá acima, esteja à vontade! – a voz do David interrompeu-me o pensamento e esperei de pé, exactamente no mesmo lugar, junto à porta, mas esta já fechada – Aqui está nossa princesa… - ele estava com um sorriso radiante


Assim que ele me deu a bebé para os braços olhei e apertei-a para mim, estava a morrer de saudades.


- Oh coisa boa da mamã, oh minha pequenina linda! – enchi-a de beijinhos e ela riu-se muito – Sabe bem, é, bichinha?

- Ela estava cheia de saudadji sua… - David olhava-nos

- Também eu dela… Nós vamos indo, David… Dá-lhe um beijinho e vamos…


Ele deu-lhe um beijinho.


- Adeus, David… - abri a porta para sair

- Bom Natal, Pauwinha…

- Igualmente… - saí

***

O Natal foi passado no norte do país com a minha família, deu para matar saudades dos meus pais, dos meus tios, primos, da minha irmã, do meu afilhadinho, e para toda a família conhecer a minha Yasmin.

***

SÁBADO:  31 de Dezembro de 2011

Último dia de um ano completamente louco! O Marco fez uma festa calminha em casa dele e eu decidi ir mais a Yasmin, o ambiente era muito familiar e queria que ela se habitua-se a precisamente isso…
Vesti um vestido lindo e deixei o meu cabelo um pouco mais liso do que o costume.



Conduzi para casa dele, e as últimas horas da noite foram bem divertidas.
A certa altura o telemóvel deu bip de mensagem e eu abri-a assim que o alcancei.

“Bom ano novo, meu anjo… Te desejo tudo de bom e muita felicidade. Beijo, Vi”

Respondi friamente.

“Para ti também. Paula”

Voltei para a festa onde aproveitei muito e mimei também a minha bebé linda.

**

O David não parou de mandar mensagens, mas depois de tudo o que ele me fez, tornara-me difícil, não só para ele, para todos os rapazes.
Passaram-se dois meses e na minha vida estava exactamente igual, menos a Yas que estava maiorzinha…




Paula 
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domingo, 19 de junho de 2011

centésimo trigésimo capítulo [130º]


- O que é que estás a fazer no meu camarim? Importas-te de sair? Preciso de me vestir, David!

- Calma, mó… Só tava aqui com nossa filha linda… É igual a você…

- David, em primeiro lugar não me chamas isso, em segundo sai daqui! Vá, que eu tenho que me vestir…

- Não me fala assim, Pauwinha…

- Queres que fale como? És o maior cabrão que eu conheço, David! O homem que mais me magoou! A pessoa que mais me desiludiu…! Eu, eu… Eu…

- Cê me odeia, não é?

- Não! O problema é que eu tenho nojo de mim por não te odiar!

- Oh amó… - ele estava com os olhos rasos

- Vai chamar amor à outra, David! Tu deixa-me em paz! Sai daqui, tenho que me vestir!

- A Juliana e eu não temos mais nada…

- Não quero saber! Sai! – gritei e a pequenina começou a chorar – Merda! Sai, David, por favor! – peguei na minha filha e aconcheguei nos meus braços – Depois digo-te para veres a bebé…

- Está bom… Posso dar um beijinho nela? – ele pediu com os olhos rasos


Eu amava o David, queria-o muito e queria esquecer tudo o que passei e voltar para ele, mas foi como uma traição… E deixou-me só com a bebé na barriga… Que tipo de homem faz isso à mulher que gosta? Nenhum, e talvez por isso é que duvido do seu amor por mim… Duvido daquelas palavras carinhosas e românticas a que ele me habituou.
Mas vê-lo assim, fazia-me lembrar do meu David… Do David que fazia com que a minha vida era um conto de fadas e ver o meu David com os olhos rasos fazia-me vacilar, partia-me mais um pouco o coração, em mais um bocadinho pequenino dos que já se tinham partido antes, vezes sem conta.


- Podes, vem cá… - sorri e olhei para a minha bebé – Diz olá ao papá, Yas, diz… - dei-lhe uma carícia na testa, e ela assim que sentiu o toque de David soltou um riso quase perfeito – Parece que gostou do papá…

- É tô vendo que sim… - uma lágrima caiu-lhe pelo rosto e ele parecia que nem notou

- Podes passar esta noite com ela… - enxuguei-lhe as lágrimas

- Desculpa não notei disso, não… - riu-se timidamente – Cê vai ficá cá?

- Só três noites e depois volto para Madrid!

- Hum, posso ficá mesmo com ela esta noite?

- Podes, podes passar com ela mais tempo, até… Se quiseres enquanto eu estou nas sessões fotográficas e nas entrevistas… Só, por favor, não quero a Juliana a pegar nela…

- Já te falei que a Juliana e eu não temos mais nada, não…

- Não? – ergui a sobrencelha

- Não… Eu amo você, e eu sei que a realidade veio tarde, mas eu sempre soube… O antigo e verdadeiro Davi’ está de volta…

- Pena que o antigo David tenha que encarar uma nova realidade…

- Eu sei… - ele baixou a cabeça – Cê está perfeita, sua actuação foi maravilhosa…

- Obrigada… - sorri timidamente – Importas-te de sair, tenho que me vestir para a se receber algum prémio…

- Claro que não…

- David? – chamei quando ele ia a sair

- Sim…

- Estás lindo, esta noite… - disse corada

- Cê que tá gata, até já… - esboçou um, sorriso maravilhoso

- Até já… - sorri e comecei imediatamente a vestir-me


O cabelo manteve-se e na maquilhagem apenas removi o batom vermelhão e coloquei um mais nude, para não fazer “competição” com o vestido.


- Vais lá para dentro ou ficas com a Yas?

- Ela tem ama, aqui?

- Sim…

- Então vou lá para dentro te vé…

- Vamos… - a ama rapidamente voltou para dentro do meu camarim e nós fomos para os nossos lugares, que eram relativamente perto um do outro


Acabei por ganhar um prémio de melhor artista ao vivo, dediquei-o inteiramente aos meus fãs e à minha bebé linda.
Voltei para o camarim depois de tirar as fotos com o prémio e rapidamente troquei de roupa para a minha actuação que era a última do espectáculo.


Os aplausos foram super entusiastas, a minha espinha tremeu toda e os meus olhos encheram-se de lágrimas. Voltei para o camarim, estive com o David um segundo para lhe entregar a bebé e coloquei-me num táxi para ir para o Hotel, o meu corpo reclamava muito cansaço…





Paula 
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sexta-feira, 10 de junho de 2011

centésimo vigésimo nono capítulo [129º] ♥




QUINTA-FEIRA: 8 de Dezembro de 2011


Os últimos 6 meses foram os mais difíceis da minha vida. O David oficializou a relação com a Juliana aos fãs e a Mariana foi com eles, foi a maior facada que pudera fazer.
A Adriana tinha-se tornado a melhor amiga do Mundo e não me largou nem um segundo que fosse.
Os meus fãs tiveram sempre comigo! O que fez com que as sessões fotográficas e até os concertos não parassem, e por falta de tempo, larguei o Hotel do Marco.
Apesar da minha infelicidade toda, a gravidez foi calma, e tudo o que eu mais queria agora era ver a minha Yasmin, um nome brasileiro que significa “flor branca. Nasceu para conhecer o sucesso e ser feliz. Transpõe todas as barreiras.”.

Hoje era o grande dia, acordei, vesti uma roupinha bonita com um casacão em cima para combater o frio.






O parto foi calmo e demorou apenas 20 minutos.
Sim sofri, doeu muito, e não tinha o David para me apertar a mão e por opção, mais ninguém ali estaria.
Os meus olhos encheram-se de lágrimas quando ouvi o choro da minha Yas e, depois de lhe darem o banhinho ela veio para os meus braços, onde pude comprovar que para além de perfeita era linda e cabeluda, muito cabelo loirinho.


- Oh minha princesinha linda… Oh amorzinho da mamã! – enchi-a de beijinhos – Quem é a coisa boa da mamã, quem é? – mergulhei-me na sua barriga e os meus beijinhos fizeram que ela se ri-se.

- Menina, vamos ter que levar a bebé para fazer exames, mas se tudo correr bem amanhã já está em casa!

***

SEXTA-FEIRA: 9 de Dezembro de 2011

Regressei a casa e desde logo comecei a cuidar da minha filhinha linda, descobri que nada me pode fazer desistir da vida com ela a meu lado, com uma filha linda, que saiu de mim, que se alimenta de mim e que mais do que nunca, precisa de mim para estar bem.
O telemóvel deu um bip de mensagem e eu abri-a assim que o alcancei.

“Oi, Paula, recebi sua mensagem avisando da nossa menina. Estou acabado de chegar a Madrid para ver ela, onde acha que posso fazê-lo? Beijo, Vi”

“Em minha casa, na rua xxxxxxxxxx. Toca à campainha, que no quarto da bebé não se ouve. ”

- Paulinha, a bebé acabou de adormecer. – disse o Marca acabado de vir do quarto dela

- Obrigado, amor… - sorri – Olha, o David vem cá, mas não te incomodes, és-me muito mais que ele…

- Eu sei, coisas de melhores amigos! – beijou-me na testa

- Isso mesmo, Marquito!


Ficámos algum tempo a conversar e depois quando tocaram à campainha, pedi ao Marco para abrir, pois eu já tinha a bebé no meu colo.


-  VISÃO DO DAVID  -

Toquei na campainha do apartamento que ela me tinha mandado por mensagem. Dentro de mim havia uma sensação estranha, uma neném que tinha sido fruto do meu amor com a Paulinha. Tinha saudades delas, mas a Ju me matava se eu lhe ligasse, mesmo que fosse para a minha filhinha. A Ju veio comigo, fez questão e apesar de eu não querer, estava com ela agora, não lhe podia fazer uma coisa destas.


- Olá, boa tarde, entrem… - o Marco apareceu na porta e o meu coração desmoronou 


Será que eles estão juntos, agora? Oh meu Deus! Perdi ela de vez!


- Oi… - ele sorriu e entrou, deixando Juliana para trás

- Olá, David… - Paula sorriu forçosamente

- Oi, Pawinha…

- Queres pegar na bebé?

- Sim, por favó! – ela estendeu-me e a neném tinha tudo igual à Paula, os olhinhos grandes, as bochechas com uma covinha linda, muito cabeluda, uns lábios fininhos e perfeitos, de mim, só tinha a cor de cabelo, e muito provavelmente a cor dos olhos, estava emocionado e aposto até que devo ter ficado com os olhos rasos de lágrimas – É tão linda… Que nome cê escolheu?

- Yasmin. Vocês querem beber alguma coisa, ou assim?

- Pode sé um café para mim! – Juliana disse prontamente – Dois, porque o Davi’ me acompanha sempre! – ela me beijou

VISÃO DA PAULA

- Eu vou buscar, ajudas-me Marco?

- Claro, amor… - ele seguiu logo atrás de mim para a cozinha – Calma, sim? – ele deu-me a mão

- Sim, mas eu odeio tanto, Marco, tanto, tanto!

- Calma…

- Como é que ele tem coragem de dar notícias passado mais de meio ano, chamar-me Paulinha e vir com a outra ver a bebé?

- Indiferença é o melhor remédio para ele… - ele piscou-lhe o olho e tirou os cafés – Vamos…


Fomos para a sala e o ambiente entre David e Juliana estava tenso, nem amigos pareciam quanto mais namorados… Mas também já não queria saber, já não era da minha conta e o que eu agora queria era seguir em frente, ser feliz, finalmente.


- Cê fica tomando dela? Temos que falá sobre os fim-de-semanas e assim…

- Sim, eu fico com ela, fui eu que fiquei com ela a gravidez inteira… Se quiseres dias contacta o meu advogado…

- Tudo bem… Cê tá pensando ir a Londres, proximamente?

- Na próxima semana… Para os Grammys… Tu vais…? – sorri, mas a realidade veio ao de cima – Vocês vão?

- Só eu… - respondeu David prontamente – Vou com um colega do clube…

- Então vês a Yas lá, nos camarins… - sorri


A conversa fluiu, eu e David trocamos olhares que só nós conhecíamos… Uns “Amo-te…”, “Eu também…”, “Tenho saudades…”, “Mas tu tens outra agora…”, rematado com um sorriso irónico, eles voltaram para Londres passadas umas horas e eu fiquei só com a minha bebé em casa.


- Então, pequenina? Vamos papar, para depois dormires e deixares a mamã descansar um bocadinho, vamos? – disse tocando com os meus lábios no nariz dela, dando ao surgimento de uma gargalhada

**

Cada momento foi vivido com intensidade naquela noite e nos dias que se seguiram, podia doer-me sempre que a Yasmin amamentava, mas era das coisas mais mágicas que vivi e estou a viver na minha vida.



DOMINGO: 18 de Dezembro de 2011

Tinha chegado a Londres à 4 horas, obviamente tinha que levar a minha bebé, e apesar de não ser tão aconselhado viajar com tão pouco tempo o meu médico disse que a saúde dela estava assegurada.

Levei-a para o camarim que tinha, era eu que ia abrir e encerrar a gala com actuações. Depois, preparei-me, vesti uma roupa muito simples, mas que contrastava muito com a minha pele super morena. Estiquei o meu cabelo e, na maquilhagem destaquei apenas os olhos, que ficariam depois ainda mais perfeitos usados com a roupa da primeira actuação.




Chegada a hora fui para a passadeira vermelha, onde já não estava à muito tempo, e fotografei, mas recusei falar aos jornalistas.
Vi-o ao fundo, lindo de morrer (como sempre!!) e com o amigo que ele falara, antes que ele me visse desviei o olhar e continuei a falar com as pessoas ao meu redor.

**

A hora do começo da cerimónia chegou rapidamente, assim como a mudança para uma roupa mais provocadora.


A actuação foi toda provocadora e tentei descarregar toda a minha raiva, a imagem do David e da Juliana não me saiu da cabeça nem durante um segundo. No final, antes de me dirigir aos camarins fui tirar fotografias oficiais com aquela roupa, o que me fez demorar algum tempo e deparar-me com uma imagem que não esperava quando lá cheguei.

Paula 
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domingo, 29 de maio de 2011

centésimo vigésimo oitavo capítulo [128º] ♥



DOMINGO: 12 de Junho de 2011


Acordei super cansada e com uma má sensação, decidi então levantar-me e tomar um duche, e assim o fiz.
Depois, vesti uma roupa bonita e fresca, porque os dias estavam a ficar mais quentes, e decidi tomar o pequeno-almoço a uma esplanada madrilena. 



Antes de passar pela esplanada comprei uma revista, que só ia ler quando estivesse a tomar qualquer coisa, por isso dobrei-a e guardei-a na bolsa.

Pedi um sumo natural de manga e uma torrada, e aí retirei a minha revista para a ler, a capa era super normal, revistas cor-de-rosa habituais, que nestes momentos de tédio, não me pareciam assim tão inútil.
O pior foi depois, a meio da revista havia uma notícia do David… (e pois claro) da nova namorada…



DAVID LUIZ REENCONTROU O CONFORTO E O AMOR NOS BRAÇOS DA SUA (EX, AGORA ACTUAL) NAMORADA

Parece que o central do Chelsea FC, o brasileiro, David Luiz reencontrou o amor numa brasileira, Juliana.
Depois do tão badalado romance e casamento com a psicóloga e modelo portuguesa, Paula Silva, que esta grávida dele mesmo, David reencontrou a sua ex-namorada, que agora é a actual, e largou tudo, até a sua mulher, para voltarem para os braços de Juliana Chamareli.
Ontem mesmo, os dois foram vistos a saírem juntos para um jantar, que ao que a Hola! pode comprovar, foi super romântico e cheio de surpresas.                              
Ainda assim, e apesar do grande sorriso de Juliana perante as câmaras, David protegeu-a ao máximo fazendo com que ela se escondesse no seu peito, caminhando assim até entrarem no restaurante e saírem dele.
Juliana, uma baiana de sangue, que namorou muitos anos com David quando ele ainda jogava no Vitória da Bahia é uma mulher de 24 anos, muito bonita e com um excelente corpo, como aliás, as brasileiras já nos habituaram, mas ontem, estava extremamente elegante e sensual.

"

As lágrimas vieram-me aos olhos, mas fechei-os fortemente várias vezes para que não vacila-se. Acabei de tomar o pequeno-almoço e depois de pagar decidi dar uma volta pela Plaza Mayor.
Esta estava tão barulhenta e eu precisava tanto de conversar com uma amiga que decidi ligar à Adriana.

Adriana era uma rapariga que tinha conhecido desde que tinha regressado a Portugal, estava na Univerdade Complutense de Madrid no curso de Design de Interiores e Ambientes, e foi ela que me ajudou a decorar o meu apartamento.
Nos últimos tempos tínhamos criado uma grande amizade e ela era uma das pessoas mais bonitas que tinha conhecido, tanto por dentro, como por fora.


- Estou, amor? – ela atendeu ao primeiro toque

- Ai Adriana! Viste as notícias? – disse já com os olhos rasos e fui para o carro para ninguém me ver chorar

- Não, amor! Qual revista?

- Hola!...

- Amor, onde estás? Vou ter contigo! – ela disse depois de ler o artigo online

- Estás sem carro…

- Eu arranjo maneira, fazemos um programinha só as duas!

- Então eu vou buscar-te…

- Estás bem para isso?

- Estou, amor… Tu não estás com o Tiago?

- Nop! O Tiago está a trabalhar…

- Pronto, eu estou na Plaza Mayor, com o trânsito e tudo, devo demorar um bocadinho…

- Na boa, quando chegares ou se precisares de algo a meio do caminho, liga-me!

- Sim, amor… Obrigada…!

- Shiu, estou aqui para tudo, amor!

- Eu sei, amo-te muito! Até já! – desliguei a chamada


Conduzi até casa dela, e depois de ela ter descido, bonita e arranjada como sempre, decidimos passar a tarde às compras, um belo programa de mulheres, para me animar um pouco (e podem ter a certeza que funcionou comigo).


**

O pior era sempre quando voltava a casa, as lágrimas não saiam da minha face e adormecia mesmo assim, coberta com os meus lençóis, tentando que eles me abafassem o choro desesperado.




Paula 
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terça-feira, 17 de maio de 2011

centésimo vigésimo sétimo capítulo [127º]

SEXTA-FEIRA: 6 de Maio de 2011

Os dias estavam a passar como anos… Demorava imenso para adormecer  e, aquele meu sorriso espontâneo, que já era hábito meu, não vinha desde que saí de Londres…
Chorava muito de noite, amarrada à minha barriga, tinha dois meses e hoje uma das muitas coisas que ia fazer era o exame de determinação do teste fetal.


QUARTA-FEIRA: 11 de Maio de 2011

Descobri hoje que no meu ventre transporto uma menina, tal como queria.
Chorei de alegria quando cheguei a casa, tinha vontade de ligar ao David, ouvir a voz dele… Mas estava a caminhar em frente, e nos dois passos que já tinha dado, se o ouvisse, daria quatro para trás, era pior que uma recaída.
Odiava-me por tão fraca que era, mas também o odiava a ele, por me fazer sofrer desta maneira.


SÁBADO: 11 de Junho de 2011

Passaram quase dois meses desde que saí de Londres e rumei a Madrid. Estava cansada e o meu rosto só ficava apresentável se eu usasse muita maquilhagem. A minha barriguinha já estava maior.

Acordei com o telemóvel a tocar, olhei no visor e vi “Marco”. Premi a tecla verde e atendi.

- Alô!

- Bom dia! Que energia é essa toda?

- Bom dia? São 17h horas, Paulinha! – ele riu-se – Levanta-te, come e veste-te porque vens jantar comigo… Jantar de Gala!

- Por alma de que santo?

- Por alma de que és a gerente do Hotel… - ele riu-se – Vá lá… Tens que te distrair…

- A que horas passas cá?

- Hum… Sete e meia está bom para ti?

- Óptimo! Vou arranjar, beijo!


Desliguei a chamada, levantei-me num salto da cama e depois de tomar banho e de comer uma sandes de fiambre e manteiga, comecei a arranjar-me. Foi difícil ao início, porque tudo o que vestia me ficava mal, não me sentia bem e para além disso não sabia bem de que género de roupa as outras pessoas iam vestidas.


“Marco, é um jantar tipo quê?” – decidi mandar-lhe sms.

“Gala mesmo, bb. (:”

“Obrigada :b até já!”


Peguei num vestido lindo, que tinha no armário e que estava por estrear e preparei-me, como tinha cor marcante, vermelho, a maquilhagem e o cabelo que escolhi foram mais neutros e simples.




 O Marco chegou entretanto e eu fui ter com ele à limusina que nos ia levar.


- Estás linda! – disse assim que eu entrei dando-me um beijo na bochecha

- Não estou muito… “coisa” demais?

- Nada disso, perfeita!

- Espero que estejas a ser sincero!

- Sempre fui contigo! – ele fez o sorriso lindo e eu descontraí


O jantar foi calmo e agradável, deu para descontrair um pouco do sofrimento dos últimos dias.

*

Voltei para casa e pensei em tudo o que alterara na minha vida depois que fui viver para Lisboa, conheci as pessoas que mudaram a minha vida, em todos os aspectos…!


**
LEMBRANÇA: 24 de Novembro de 2007

Acordei preguiçosa, mas sabia que tinha de estudar, e tinha combinado com o Marco ir até casa dele. Levantei-me, tomei um banho quentinho e vesti uma roupa normal e confortável.



- Mariana, vou a casa do Marco… - disse assim que desci as escadas e ela já estudava

- Na boa, amor… Divirtam-se! – ela riu-se

- Vais ficar sozinha?

- Não, vou tratar de um projecto da faculdade…

- Pronto, então vou indo mesmo que o metro não espera por ninguém! – ri-me, beijei-a na face e saí


Corri para apanhar o metro que me levou até uma estação de autocarros para ir para a casa dele.
Toquei à campainha e o mordomo dele veio buscar-me ao portão, fazendo-me companhia pelos jardins até casa.


- O menino Marco está no quarto, pode subir… - sorriu amavelmente

- Muito obrigada! – sorri também e subi, batendo à porta do quarto dele

- Sim…

- Sou eu, amor! – disse assim que abri a porta e me aproximei dele para o beijar

- Oi… - fez um sorriso lindo e beijou-me – Como estás? – acariciou-me

- Bem e tu? – sentei-me no colo dele

- Também, amor… Está a chover e frio?

- Muito frio e muita chuva!

- Estamos sozinhos em casa… Dispensei os empregados para depois da tua chegada…

- E pensas que vamos fazer o quê? Eu vim aqui para estudar, tarado! – ri-me

- Penso que vais tirar as botas, o casaco…

- Marco!

- E eu vou dar-te umas pantufas… Aqui não tens frio!

- Acho bem, amor! – ri-me

- Anda… Hoje o dia é nosso… Estudamos na sala em frente à lareira, eu faço o almoço para nós… - beijou-me

- É, Marquito? E hoje é o dia de alguma coisa especial?

- É mais um dia que sou feliz… Acho que só por isso é especial!

- Oh, és tão lindo, amor! – enchi-o de beijinhos enquanto descíamos as escadas


Acabámos por passar o dia todo assim, em frente à lareira, sentados no sofá e com muita comida à volta. Os intervalos para namorar eram super frequentes e há muito tempo que não me sabia tão bem uma tarde de Inverno em Lisboa.

Paula 
Todos os direitos reservados ªª





terça-feira, 10 de maio de 2011

uma pausa (pequena), assim espero

A fic vai ter que ter uma pausa, pelo menos de uma semana...

Há muitos testes pelo caminho e uma coisa muito pessoal que não me deixa capacidade emocional para escrever. Há uma coisa mais importante para lutar.



Espero que não vos desiludida, espero voltar rápido,
Obrigada por todo o apoio que me têm dado,
Beijinhos, Paula 

segunda-feira, 2 de maio de 2011

centésimo vigésimo sexto capítulo [126º]

- Claro! Sabes perfeitamente que sempre fui do Vermelhão! – disse o Marco

- Pois sei – sorri

- Como andas, largaste o teu marido para vir ver o Benfica?

- Quase ex-marido… - disse e ele mostrou uma expressão confusa – É complicado…

- Estás bem?

- Tenho de estar! Vou amanhã para Madrid… Arranjar emprego e fixar lá a minha vida. – sorri

- Ainda não tens trabalho lá?

- Não…

- Tens preferência na área?

- Trabalho… Desde que seja trabalho…

- Então não procures mais…

- Como assim?

- Os meus pais estão no Hotel em Milão, eu aqui no de Lisboa… E andávamos à procura de uma gerente para o Madrid, de confiança… Parece que encontramos…

- Não… Não posso aceitar… Nem sequer percebo nada disso…

- Claro que podes, amanhã eu ia lá e ia, por isso vamos e eu explico-te tudo o que há para explicar e apresento-te aos funcionários, para além disso falas muito bem espanhol…

- Oh… - disse com enorme vontade de aceitar

- Aceitas e acabou! Continuas com o mesmo número?

- Sim… - sorri

- Então eu amanhã ligo-te, vais no primeiro voo?

- Vou, e tu?

- Eu também, então vemo-nos lá! Até amanhã! – deu-me dois beijinhos e seguiu para o seu camarote.



Segui para o meu e vi o jogo atentamente, apesar da vitória o resultado não era nada favorável para o Benfica, pois um golo sofrido em casa, é do pior que pode acontecer…


**


QUINTA-FEIRA: 28 de Abril de 2011

Vesti uma roupa normal e despedi-me da Mariana, do Rúben e da minha afilhada.



Fui de táxi até ao aeroporto e encontrei o Marco já no avião.
Ele foi super querido e explicou-me tudo o que havia para eu saber e sentia-me à vontade naquele local, mesmo sabendo que ele tinha sido o meu ex-namorado, me tinha deixado, sempre soube que me amava, e se eu na altura também o amava, não deveria ter sentido a raiva e a revolta, se o amava, tinha de o deixar seguir o seu sonho. Por isso não sei se o amei, sei que comparado com o amor que sinto pelo David, o Marco foi simplesmente um amigo especial, porque o David é e sempre será, sem dúvida alguma, o homem da minha vida…

Instalei-me num apartamento que era providenciado pelo Hotel, ou ficava com a suite presidencial ou com um apartamento T2, no centro de Madrid, perto do Hotel, e preferi o apartamento, porque preciso de ter o meu espaço.

**


SEXTA-FEIRA: 29 de Abril de 2011

Levantei-me, e reparei que não tinha muito tempo para me arranjar, por isso tomei um banho, vesti uma roupa, que agora com este emprego era mais formal, arranjei o cabelo e maquilhei-me.







Não havia tempo para tomar o pequeno-almoço, chamei um táxi e fui ao Hotel.


- Bom dia! Será que me podem levar um capuccino ao meu gabinete? – perguntei àquela que seria a minha assistente

- Claro, Dr.ª Paula…

- Só Paula… - sorri

- Obrigada, o Dr. Marco não podia ter encontrado melhor…

- Eu é que agradeço… Bem, tenho que ir, estou com trabalho a mais! – ri-me e corri para o escritório

*
 Cheguei a casa depois de um dia de trabalho, que apesar de ser o primeiro, estava a adaptar-me super bem.
Vesti um pijama confortável e fiz um macarrão de atum, que comi enquanto via uma série espanhola que dava na televisão.

Tinha sono, mas sabia que não ia conseguir dormir, ainda assim, deitei-me, completamente aninhada, mexendo na minha barriga, no meu bebé, que era a única coisa que eu tinha como meu, neste momento, e ainda assim tinha que partilhar.

Sempre tivera medo da solidão… Sempre a temi, e já passei por ela várias vezes, mas desta vez era pior… 

Tinha tudo como garantido… Um marido que amava mais do que tudo, uma vida estabilizada que fazia o que mais gostava, vivíamos num recanto confortável, mas até podíamos viver numa cabana, porque era feliz à mesma. Depois do acidente e do afastamento voltei a engravidar, pensei que agora íamos ser muito felizes, e fui…

A verdade é que nunca fui tão feliz como fui desde que conheci o David… Nunca me senti tão amada, mimada, desejada… Ele fazia com que a minha baixa auto-estima desaparece… Fazia-me sentir a mulher mais sortuda por ter um homem que me amasse como ele, mas não seria tudo isso ilusão? Depois do que me aconteceu teria ainda motivos para acreditar que fui assim tão amada? Tão desejada?

Não tinha resposta para nenhuma dessas perguntas, aliás, não tinha resposta para nenhuma pergunta que me pudesse surgir.

Deixei-me adormecer passado umas horas, mais uma noite em que adormecia morta de cansaço, e com lágrimas a surgirem-me no meu rosto, lágrimas essas, que teimavam em não desaparecer, e já estava a começar a desesperar.



Paula 
Todos os direitos reservados ªª

Bem-vindo (a) !

Muito obrigada pela tua visita.
Espero que gostem do que eu escrevo, e comentem, porque os comentários são um incentivo para continuar, e sem comentários não fico com muita vontade de escrever. Obrigada ;)



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