terça-feira, 1 de março de 2011

centésimo décimo quinto capítulo [115º]

(Ainda na visão de David)


- Peço imensa desculpa, mas o senhor não pode estar aqui, ainda por cima sem identificação…! – ouvi a voz grossa do senhor.


Perceber inglês, nem era o meu pior pesadelo, mas falar, já começava a ser.


- Eu é que peço imensa desculpa, porque não sei falar bem inglês. – disse da forma que conseguia.

- Pode falar na sua língua, que eu sou capaz de perceber, sou espanhol. – disse.

- Me deixa ficá aqui… É minha mulhé…!

- Vai ter que sair, esta parte é interdita, depois de falar com os médicos pode ser que eles o deixem ver pelo vidro, mas isso não me compete e o senhor vai ter que me acompanhar à secretaria para preencher os seus dados. – disse em espanhol.


Uma lágrima caiu-me pelo rosto, desviei o olhar do homem e voltei a olhar para a minha princesa. O rosto dela continuava sereno, no meio de tantas feridas. Apertei-lhe as mãos e a minha cara começava a ficar inundada de lágrimas. Não a queria deixar ali, não a queria deixar desprotegida, e queria garantir que ela acordava e me via, me tinha ali, como ela sempre tivera para mim. Beijei a sua face, a sua mão e a aliança que ela me prometera que iria usar até ao resto da sua vida. Pedi a Deus para cuidar dela, e para ela e a minha neném estar bem de saúde. Fechei os olhos, tentei travar as lágrimas mas foi em vão. Inclinei-me e provei seus lábios, ela estava deitada de uma maneira que me acalmava, sem qualquer sofrimento no seu rosto, estava branca, mas linda, como é desde que a conheço. Desviei a minha cara da dela, e sequei as lágrimas que passei para a sua cara.

Assenti com a cabeça ao segurança e saí do quarto com ele, caminhei ao seu lado, seguindo-lhe os passos. O meu peito estava preso, duro e estava a começar a sentir-me mal, o segurança levou-me à secretaria e explicou a situação à administrativa, até a parte de falar pelo menos em espanhol.


- Pode dizer-me o seu nome?

- Completo? – ela assentiu com a cabeça e eu prossegui. – David Luiz Moreira Marinho.

- Tenho aqui que é marido da senhora que está hospitalizada.

- Isso mesmo, será que posso falar com o médico, sabe alguma coisa?

- Vou ver se consigo, está bem? Tente acalmar-se que a nossa equipa é excelente… E já agora, liguei à senhora, e como não tinha informações ela pediu para lhe ligar assim que poder…

- Muito obrigado, estou esperando aqui… - sentei-me e marquei o número da Mariana.


- Estou? – a voz dela mostrou-me que também estava aflita.

- Oi, Mari… - arrastei a voz.

- David? David? David! O que é que aconteceu à Paulinha? David! – senti que ela estava a chorar e a intensidade do meu aumentou.

- Não sei! Me chamaram ao hospital mas não tão dizendo nada! Ela tá nos cuidados intensivos… - arrastou a voz no meio do choro.

- David? – ela disse no meio do choro. – Liga-me assim que souberes de algo… Eu vou ver se compro passagem e depois falo com os pais dela.

- Eu te ligo! Beijo. – desliguei e vi o médico encaminhando-se até mim.


- David Marinho, marido da paciente Paula Silva? – falou em espanhol.

- Sim. – respondi, limpando as lágrimas. – Que lhe aconteceu.

- A Paula sofreu um grave acidente, um condutor embriagado despistou-se e bateu contra ela em contra-mão…

- E agora? Como tá? E o bebé? – perguntei com os olhos cheios lágrimas.

- Os médicos seguiram agora com ela para o bloco, só estavam a preparar tudo… Vamos tentar salvar o bebé, mas a Paula é a prioridade…

- Doutó… Me garante que ela vai ficá bem! Que vão fazé de tudo para ver o meu neném e minha mulhé…!

- Tem que ter calma, vou voltar para o bloco, assim que acabarmos dizemos…

- Ok, estou esperando.


Foram as 2 horas mais longas da minha vida. Troquei mensagens com a Mari, o Gustavo e minha mãe, bebi 6 copões de café e me devo ter levantado umas 50 vezes para perguntar à mulher da secretaria se já tinha novidades.  O medo de perder uma das coisas mais importantes da minha vida, era muito, e perder as duas de uma vez, tornava o medo mais do que duplicado. Rezei muito a Deus pela saúde dos dois…


- Sr. David? – estremeci com a voz do médico, estava demasiado afogado nos pensamentos.

- Sim? – levantei-me num lápice.

- Lamento imenso… Não conseguimos salvar o bebé…


As lágrimas invadiram-me a face e fiquei sem reacção. O meu corpo estava totalmente intacto. Congelei totalmente. Meu neném… Meu filhinho…


- E minha mulhé?

- Está a recuperar… Já acordou…, quer visitá-la?

- Claro!


Segui até ao local e continuava no mesmo quarto dos cuidados intensivos. Primeiro espreitei pelo vidro. Ela estava lá como antes, mas a sua cara marcava sofrimento, e o seu olhar olhava para o vazio cheio de lágrimas. Entrei na sala devagar e ela olhou imediatamente. Os nossos olhos começaram a inundar-se novamente e ela começou a chorar ainda mais. Aproximei-me dela e beijei-a nos lábios.


- Sou uma fraca, David! Uma fraca! – os olhos dela tinham um misto de raiva, tristeza e frustação.

- Shiu! – ajoelhei-me perante a sua cama e beijei-lhe a mão. – És uma lutadora! Vou tar sempre contigo!

- Perdi o nosso filho, David! Como é que ainda tens coragem de me amar, de me chamar lutadora, se não fui capaz de o salvar? De morrer no lugar da vida dele? – o barulho das máquinas começou a aumentar e ela acalmou-se um pouco.

- Não fala isso não! Deus não faz nada à toa, amo… E te amo sim! Vou amá sempre! Sei que fez tudo o que pode… E vou tar sempre com você!

- Não presto, David! E se eu morresse hoje? O que é que tu tinhas para contar se a nosso bebé tivesse vivo? Que espécie de pessoa sou?

- Ei que é isso?

- É verdade! Que tipo de pessoa sou eu? Olha para mim… Não trabalho, não estou realizada profissionalmente! Que tipo de pessoa ia ser eu nos olhos dela?

- Ia ser o orgulho dela, e tenho a certeza que nesse momento já é!

- David… Desculpa, mas preciso de ficá sozinha…

- Mas… Eu não quero que fique sozinha, quero ficá do seu lado!

- David… Deixa-me, por favor…!

- Tudo bem, cê que sabe. – beijei-a na testa, mas ela respondeu com frieza.


(Paula)

Acordei com uma enorme dor de cabeça, passado pouco tempo comecei a abrir os olhos, o que me custou imenso. Percebi que algo de errado se tinha passado. Olhei à volta e vi um senhor que me observava, percebi que estava num quarto do Hospital.

- Bom dia! Bem vinda de volta…!

- O que se passou? Onde estou? Onde está o meu marido?

- A senhora sofreu um grave acidente… - olhou para a minha barriga.

- O meu bebé… COMO É QUE ELE ESTÁ?

- Lamento imenso… fizemos tudo o que estava ao nosso alcance.


Uma lágrima caiu-me pelo rosto e senti a minha vida a desmoronar.  Como não consegui salvá-lo? Como é que não consegui ser forte o suficiente para fazê-lo? Porque não lhe dei a vida e parti eu? Talvez fosse uma chamada de atenção de Deus, eu era nova, dependia financeiramente de David (neste momento) e talvez não tenho maturidade suficiente para levar um bebé no ventre, quando mais para a educar.

Os médicos disseram que iam chamar o meu marido. Estava sem forças para discutir e para os impedir e assenti com a cabeça.

Ele abriu a porta, e começámos os dois a chorar descontroladamente. Ajoelhou-se ao lado da minha cama e, segurou-me na mão docemente, foi mais querido do que eu esperava, mas os seus olhos nunca me mentiam e transmitiram-me a sua tristeza e sofrimento. Fui fria, não consegui ser amável depois de ter perdido a prova viva do nosso amor. Tinha raiva de mim própria e comecei a tomar uma decisão mentalmente, que iria mudar, muito provavelmente as nossas vidas.



Paula 
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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

centésimo décimo quarto capítulo [114º]

Dedicado à minha DiiDii e à clarinha (entreamigas), que foram a minha inspiração! (;




QUINTA-FEIRA: 24 de Fevereiro de 2011


O Benfica tinha jogo importante hoje, e não fui à Alemanha, porque sabia que o David precisava mais do meu apoio.
Vimos o jogo, os dois já no sofá da nova casa. O Benfica continuava a ser o meu CLUBE, aliás, mais do que isso, a minha RELIGIÃO! Os rapazes conseguiram entrar na história com a primeira vitória do Benfas na Alemanha, carimbando a passagem para os oitavos da Euroliga, como diz o ‘nosso’ mister!
Adormeci nos braços do David, feliz da vida, tinha-o a ele, ao nosso bebé, e ainda por cima o outro amor da minha vida, estava super bem. Podia dizer que agora sim, me sentia muito feliz.



SEXTA-FEIRA: 25 de Fevereiro de 2011


- Amô… Vou sair para o treino, volto logo. – David beijou-me ao despertar-me.

- Não me deixes… - pediu o meu inconsciente. – Preciso de ti. – amarrei-o para mim e ele riu-se.

- Te amo, volto logo, sim? TE AMO!

- Prometes?

- Claro, amo da minha vida…

- David? – chamei, quando ele se levantou da cama, preparado para sair.

- Diga, meu amô…

- Amo-te muito! És o homem da minha vida, vais ficar para sempre… - disse.

- Cê tá muito romântica, gatona! Eu sei, você também vai ficá para sempre.


Ele acabou por sair, e como reparei que faltava alguma comida em casa, decidi sair. Peguei no meu carro que tinha chegado (pedi os dois, o antigo e o mais recente e só o antigo chegou) .
Saí de casa, estava super atarefada e tinha muitas coisas para fazer, estava com pressentimento que hoje algo mudaria… Peguei nas chaves do meu carro antigo, nem sei bem porque, mas o meu cérebro mandou e assim o fiz e retirei-o garagem, entrei nele e cheirava a lavado, sorri porque adorava esse cheiro. Coloquei a minha mala no lugar do morto e a minha espinha arrepiou quando pensei nessa palavra. Foi uma sensação estranha, sem explicação possível.

Acariciei a minha barriga novamente, aqueles 3 meses faziam-me a pessoa mais feliz do mundo. Algo me dizia que ia ser um menino, e sorri ao imaginá-lo correr pela casa, e a ir receber o David assim que ele chegasse do treino.

Conduzi mais rápido do que o normal, mas algo me pediu para acalmar e eu abrandei. Lá fora estava um típico dia de finais de Fevereiro e de Londes, muita chuva, mas não estava assim tanto frio. A estrada estava calma, os carros tinham mais cuidado na estrada, muito possivelmente por causa da chuva…

Ouvi um barulho ensurdecedor da travagem dum automóvel que me fez tremer imediatamente, encolhi-me logo após. Mas foi tarde de mais, o carro despistou-se, mudou de faixa e direcção e veio bater em mim, exactamente no lado em que eu me encontrava…

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DAVID:

Saí do balneário com uma sensação estranha, talvez não fosse nada, ficava sempre mal disposto em dias de chuva. Entrei no carro e comecei a conduzir para casa, estava louco por abraçar a minha princesa, e a prova do nosso amor. Ela me deu tudo nessa vida e me senti o homem mais sortudo do mundo por ter ela casada comigo e, esperando um filho meu.

Invejava a sua coragem, a sua capacidade para ajudar os outros mesmo que tivesse mal, em dois meses íamos fazer dois anos juntos, mas já parecem 12 ou 20. Aquele jeito, aquele sorriso, o seu cheiro, sua maneira de andar, de me beijar e até as noites que passei junto com ela, tudo isso me deixava ainda mais louco e apaixonado.

O telemóvel começou tocando, vi o número dela no visor e, atendi.


- Meu amor! Tou mesmo chegando a casa! Tá com saudades é?

- “Bom dia, fala o senhor David Marinho, marido de Paula Silva?” – perguntou uma voz que me era completamente desconhecida.


Demorei pouco tempo a responder, mas senti o meu corpo todo a tremer que encostei o carro.


- Esse mesmo, passa-se alguma coisa com ela? – perguntei com medo da resposta.

- “Senhor David, peço-lhe calma. Ainda não temos muitos dados…

- O que é que a Paula tem? – perguntei elevando a voz. – O que é que lhe fizeram?! – senti lágrimas de raiva a escorrerem-me pela face.

- “A sua esposa sofreu um grave acidente… Encontra-se nos cuidados intensivos.

- Como? Não… não pode ser… Onde ela tá?

- “Ela tinha informações na carteira para ser encaminhada para o Hospital St.Julies, e é aqui que se encontra…

- Eu vou já para aí! – afirmei e desliguei a chamada.

Fiz a condução mais acelerada da minha vida, não conseguia ver a estrada, os meus olhos estavam cheios de lágrimas. Uma coisa estava certo, sem ela minha vida não fazia qualquer sentido, ela era a única razão da minha existência à muito tempo. O trânsito tava infernal, e as minhas ultrapassagens foram motivo para algumas apitadelas, mas nada que me incomodasse, na verdade a minha cabeça transmitia-me imagens dela desde a primeira até à última vez que a vira.

O hospital também tava um caus, mas assim que estacionei o carro corri para o balcão e, fiz uma coisa que não era hábito. Dirigi-me à recepção e não liguei se a moça ‘tava falando com outra pessoa,


- Por favor! – disse num tom de voz elevado.

- Sim?  - disse ela num ar arrogante.

- Minha mulher entrou agora aqui… Tenho que ver ela.

- Só um momento… Poderia dizer-me o nome? – enquanto isso comecei escrevendo o número da Mariana num papel.

- Luísa, acho que é a do Piso 2, quarto 23… - disse a outra moça.

- Sim, mas não pode ir lá, menino.

- Então me faça um favor… Me ligue para esse número e diga que a Paula teve um acidente, e eu já cheguei. Eu tenho que ir ter com ela, ninguém me vai impedir.

- Já disse que não pode, só com autoriza…


Não ouvi mais o que ela me disse, comecei correndo feito doido, o elevador demoraria tempo a mais e eu fui pelas escadas de emergência. Os corredores tinham o cheiro típico a hospital, vi as placas… quarto 20, quarto 21, quarto 22 e, quarto 23. Não dava para entrar, mas um vidro mostrava o quarto dentro. Ela lá estava.  Nunca tinha visto nada assim, tava ligada a muitas máquinas, e havia tubinhos de sangue por todo o quarto. Olhei para a sua face, seus olhos estavam fechados assim como sua boca, seu nariz tinha tubos enfiados que estariam ligados a outras máquinas. Tinha vários cortes na face, e os seus braços estavam descobertos, estavam ligados e o único sítio onde dava para ver pele, era nas mãos, estas também cheias de feridas, mas uma coisa estava exactamente igual, uma coisa que fez a minha cara ficar ainda mais inundada de lágrimas, uma coisa que me fez arrepender de não me ter amarrado a ela demasiado na noite passada, me arrependi daqueles meses todos calado, sem confessar um único amo-te. Mas ouve uma coisa que não me arrependi, desde que tou junto com ela, a gente nunca deixou nada por dizer, nunca guardou um ‘amo-te’, um ‘adoro-te’ ou um ‘sinto tanto a sua falta’. Apesar das nossas brigas nunca fui infeliz, porque ambos sabíamos que nos amava-mos mutuamente, e que esse sentimento nunca iria sair de nossos corações, de nossas almas. Essa coisa era nossa aliança. Que permanecia totalmente intacta, sem um fio de sangue ou um risco, tão brilhante tal como no dia de nosso casamento.

Ouvi um segurança, pensei que fosse para mim. Uma coisa tinha a certeza, ninguém me poderia tirar do lado dela, o amor da minha vida.

Queria senti-la de perto, beijá-la, dizer que logo voltava para casa. Apesar de isso parecer impossível, só a primeira já era bom. Vi uma porta do meu lado direito, Como não tinha visto isso antes? Encaminhei-me rapidamente para ela e fiz força na maçaneta, que acabou por ceder, só conseguia ouvir o barulho das máquinas, me ajoelhei e peguei na sua mão. Chorei, chorei por pensar que ela podia nunca mais ouvir uma declaração, me dar um beijo, passar uma noite. Mas seu cheiro, seu sabor e seu toque estavam entranhados dentro de mim. E nunca mais irão sair. 


Paula 
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

centésimo décimo terceiro capítulo [113º]

SEGUNDA-FEIRA: 21 de Fevereiro de 2011


Acordei mais uma vez sem David a meu lado. E, no seu lugar tinha um bilhete escrito com a sua letra.

“Oi gata da minha vida!
Fui para o treino e não acordei você porque já estava atrasadão.
Só devo voltar depois do almoço.
Te Amo,
Beijão,
Davidzão!”

Levantei-me e tomei um banho rápido, mas quentinho e relaxante. Arranjei-me e desci para apanhar um táxi.

Olivia Palermo

Fui até ao Starbucks Coffee da Trafalgar Square e pedi um café duplo para ver se aquecia.


LEMBRANÇA: 4 de Setembro de 2009

Hoje, apesar do bom tempo que se fazia, não podia ir à praia, pois tinha que ir à faculdade tratar do segundo ano do mestrado.
Acordei às 10 da manhã, e pelo calor que se fazia no quarto pareciam ser umas 14 horas. Precisava muito de um ar condicionado, até porque dizem que o inverno vai ser muito mais frio que os últimos e a casa estava cada vez pior no que diz respeito aos isolamentos, mas neste momento a minha carteira já quase que não suportava coisas básicas, quanto mais umas consideradas “luxos”.
Tomei um banho rápido e fresco e vesti-me. (o cabelo também como na foto seguinte)



Peguei na minha mala, e conduzi para a escola.
Tratar da matrícula para o último ano de mestrado demorava mais do que eu alguma vez pensei, e tive umas 3 horas lá a tratar de tudo.
Saí da escola e como não tinha nenhum telefonema do David, decidi ir ao Modelo comprar umas coisas que faltavam em casa.

Estacionei o carro e vi o carro do David, talvez fosse melhor seguir para casa em vez de o encontrar no sítio público… Mas… precisava mesmo de comida, e podíamos sempre fingir que somos apenas amigos.

Comecei a fazer a colocar as minhas coisinhas no carrinho e, nem sinal de David. Podia ter-me enganado na matrícula muito bem…

- Paula?! – ouvi a voz de David atrás de mim e virei-me.

- Olá! Há que tempos! – cumprimentei-o.

- Mesmo!


A expressão surpresa dele, e o facto de me ter reconhecido de costas deu-me muita vontade de rir. Mas tinha mesmo vontade era de o beijar, fazia agora um dia que não o fazia.


- Vou fazer mais umas comprinhas, até qualquer dia. – sorri. – Vê o telemóvel… - disse muito baixinho e virei costas.


Antes de colocar e acabar de comprar o que desejava escrevi uma mensagem.


“Amor, vou agora acabar de fazer umas comprinhas e sigo para casa. Combinamos alguma coisa para hoje?
Amo-te muito, Paula ©


Acabei de fazer as minhas compras e o toque da mensagem fez-se soar de dentro da minha bolsa.


“Claro, gatona! Que surpresa ein? Já estou em casa… Não quer vir aqui ter, e passa essa noite aqui comigo? Tenho saudades suas! Te amo mais, Vi.”


A minha boca delineou um sorriso automaticamente. Também tinha muitas saudades dele, e precisava muito de passar um tempo a sós, pois ultimamente, quando estamos juntos  está sempre um enorme grupo atrás. Respondi-lhe à mensagem já no carro.


“Esse convite é irrecusável, Davidzão! Precisas que leve alguma coisa? :b”


Conduzi para casa, e só depois de colocar a comida toda nos respectivos lugares é que me lembrei de ver o telemóvel.


“Só tou precisando você! Vem rápido, sim? Beijão!”


Respondi-lhe e coloquei as minhas coisas uma mala, por dormir lá.


“Ok, estou assim de casa agora. (: Beijoooo!”


Entrei no carro e conduzi até casa dele. Estacionei o carro cá fora e toquei na campainha. Ele abriu sem perguntar se quer quem eu era. Entrei no elevador e este levou-me rapidamente ao piso do David, assim que saí, vi-o à porta e corri para junto dele. Fechou a porta e beijou-me com muito amor e desejo.

*Mais tarde*

Estávamos agora sentados no sofá, depois de termos jantado. Ele tinha uns boxers vestidos e eu uma simples camisa de dormir.




- Amô, sabe o que podíamos fazê no finde? – perguntou ele ao meu ouvido.

- Diz-me tu… - sugeri e sorri.

- O mister deu uma folga para quem quisé… Podíamos passá-lo fora… - beijou-me suavemente.

- Onde?

- Sei lá, íamos na Europa, onde quisesse, mas eu achei que ia gostar de ir a Barcelona ou Veneza…

- Desculpa, mas não posso.  – responde prontamente.

- Ué?

- O meu dinheiro está cada vez mais escasso, desde que parei de cantar na rua, o dinheiro das sessões, só me chega para as coisas básicas…


Ele riu-se, ironicamente e devo confessar que isso me incomodou bastante.


- Quem falou que era você a pagá? Eu convido eu pago…

- Não… Sabes que não iria permitir isso… Da última vez que o fiz com uma pessoa… - o Marco veio-me imediatamente à cabeça.

- Mas é só um finde para poder passar um tempo descansado com a minha namorada…

- David, por favor… Eu prometo que assim que arranjar algum dinheiro, vou contigo… Mas para já é muito difícil… Eu não consigo, por favor… Não insistas. – uma lágrima caiu-me pelo rosto a fora.

- Vá não chora não… - limpou-me a lágrima e beijou-me a parte da face que tinha ficado molhada… - Eu só queria ficar com você… Dar um compenso por poder namorar como outra garota normal…

-Eu sei… Mas o máximo que te posso fazer, é convidar para ires ao norte, conhecer a minha família. – disse a medo.

- Tá falando sério? Você quer que eu conheça sua família?

- Sim… - hesitei. – Mas… Eu espero até tu quereres…

- Repete lá isso…! – disse com um sorriso na cara.

- Eu quero que conheças a minha família… Sei lá! Já tenho pensado nisso, já tenho a certeza absoluta a algum tempo que isto não é uma coisita qualquer… - beijei-o. – Gosto mesmo de ti, zuca lindo!

- Cê que é linda, e claro que eu aceito! Te amo!!


**

Voltei para o hotel e o David já lá estava, amanhã iríamos mudar-nos para a nossa casa!


- Amor?  Cheguei!


O David caminhou na minha direcção e beijou-me de uma forma única, e eu correspondi de uma maneira que nunca tinha experimentado antes. Amava aquele homem, mas um sentimento muito estranho invadia-me  a mente.



Paula 
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domingo, 20 de fevereiro de 2011

centésimo décimo segundo capítulo [112º]

SEGUNDA-FEIRA: 14 de Fevereiro de 2011 – Dia dos NAMORADOS


- Paula? Paulinha? Gatinha? Meu amô…? Acorda meu bem! – ouvi a voz do David ao longe, mas estava tão cansada que não reagi. – Paulinha? – beijou-me e eu abri os olhos ligeiramente, olhei-o e vi-o debruçado sobre mim com um ramo de flores na mão.

- Boooom dia! – disse após um bocejo.

- Feliz dia dos namorados, gatona!

- Para ti também, amor… - voltei a bocejar.

- É para você… - entregou-me o ramo.

- É para mim? – fiz-me de desentendida.

- Tá vendo aqui mais alguém? – riu-se. – Claro que é para você muleca!

- Oh, David…! São lindas! – disse com uma emoção na voz.

- Elas são lindas? E então, eu? – desviou o ramo e beijou-me num só movimento.

- Tu… tu, és o ser mais perfeito que já vi em toda a minha vida. – disse assim que separei as nossas bocas e disse-o olhando-lhe nos olhos.

- Te amo! – vi que não estava à espera que eu dissesse aquilo. – Queria almoçar com você… Mas tenho que ir para o hotel.

- Não te preocupes com isso, fazemos assim, eu vou de táxi para o jogo, vejo-o, e quando acabar volto logo para casa para me vir arranjar, e depois vens buscar-me, pode ser?

- Amo essa ideia… - beijou-me. – Tenho mesmo que ir…

- Vai lá, amor! Amo-te muito!


Ele acabou por sair e eu dormi mais um pouco.
Acabei por ter uma reunião durante o dia, pois a vinda para Inglaterra estragara os planos da minha agente.

Depois, mais tarde fui ver o segundo jogo do David no Chelsea, sendo o primeiro como titular, e apesar do resultado, o David jogou super bem e foi até considerado o homem do jogo. Fiquei com muita vontade de o esperar, mas se assim fizesse não iríamos aproveitar um bom jantar.
O táxi levou-me rapidamente a casa e tempo que o David demorou, deu para tomar banho e arranjar-me totalmente.



Quando ele chegou, eu estava a calçar os sapatos, voltei a tirá-los e corri para junto dele.


- Parabéns! – beijei-o. – Estou muito orgulhosa de ti!

. Ei! Adoro suas recepções!  Mas… Podia ter sido melhó… Aquele empate…!

- Tu foste o melhor! Por isso não penses em mais nada. – sorri.

- Penso, sim!! Olha bem para você… Tá tão linda, meu anjo…!


Não consegui conter-me e corei.


- Nada disso…

- Nada disso?? Tudo disso! Linda,… - disse entre beijos - perfeita.

- David… Não digas essas coisas, já sabes como sou e como fico… Odeio que me mintas! – ri-me.

- Cê é… perfeita!

- Amo-te tanto… tanto!

- Eu também, jeitosa!


**

O jantar correu super bem, e o ambiente romântico manteve-se já na “suíte” do Hotel.

**


TERÇA-FEIRA: 17 de Fevereiro de 2011 – 18h


- David! Sai da casa de banho que preciso de ir aí maquilhar-me!

- Pode vir, amô! Eu não me importo.


Entrei na casa de banho com cuidado.


- Posso entrar? – disse baixinho.

- Claro, gatona.  – estava olhar-se ao espelho.

- É que não costumas gostar que me maquilho ao teu lado…

- Isso é porque acho que você é linda ao natural, não precisa de nada! É linda assim, linda de qualquer forma! – disse de uma forma tão carinhosa que me apeteceu enchê-lo de beijos.

- És tão lindo, David.

- Você me quer mesmo do seu lado, hoje?  - eu olhei-o enquanto tentava perceber o que ele queria dizer. – Quer dizer… Comigo? Eu não sou nenhum actor de Hollywood…

- Não sejas tontinho, amor! Tu és o meu galã! O único homem que eu quero! O mais perfeito, o único que eu amo… Que mexe  comigo…

- Cê é que é linda. – beijou-me. – Vá, se prepara que vai ser com certeza, a mais bonita dessa noite…

- Shiiu! Não me digas isso. – corei.

Acabei de me vestir e maquilhar muito rapidamente, pois o David já me esperava.




Fashion and Party are Together!


Um carro veio buscar-nos ao hotel. David estava lindo, como sempre! Mas estava nervoso, porque era a primeira vez que me acompanhava num evento desta escala.
Saímos do carro, e estavam lá centenas de jornalistas, dei a mão ao David e rapidamente encontramos a minha agente que me indicou tudo o que tinha que fazer esta noite, basicamente era uma entrevista para o canal que transmitia os Brit Awards em directo, umas fotos na passadeira vermelha, com ou sem o David (como preferisse) e ele sugeriu que fizesse as duas.


- Olá Paula e David, eu sou a Anne e gostaria de fazer-vos algumas perguntas.

 - Olá. – dissemos.

- Antes de tudo, soube que vocês se mudaram para Londres, à pouco tempo, e que está relacionado com o David ter assinado pelo Chelsea. Como está a correr a adaptação?

- Acho que posso dizer que está a correr muito bem, talvez melhor do que eu pudesse pensar, Londres é uma cidade muito bonita, sentimo-nos muito acarinhados aqui. – sorri ao completar a frase.

Depois de algumas perguntas, eu e o David seguimos para a passadeira vermelha, as fotos foram tiradas como ele sugerira. A gala correu normalmente, e foi muito melhor assisti-la com ele a meu lado.


Paula 
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Muito obrigada pela tua visita.
Espero que gostem do que eu escrevo, e comentem, porque os comentários são um incentivo para continuar, e sem comentários não fico com muita vontade de escrever. Obrigada ;)



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